Continuando esse assunto de prevenção à lavagem de dinheiro,
nós temos o modelo de abordagem baseada em
risco. Esse é o pilar
central de uma boa avaliação,
de uma boa prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao
terrorismo.
É uma abordagem que é recomendada pelo Bacen
e direciona os bancos para que faça a
análise e avaliação dos clientes, dos produtos e
das operações, sempre focado no maior
risco. Por que isso? Porque os bancos têm
milhares, milhões de operações, milhões de clientes
e é muito difícil fazer a avaliação do todo.
Então essa metodologia diz para os bancos
focarem e priorizar os recursos para
monitorar o maior risco, as
atividades mais suspeitas.
E isso ajuda muito os bancos, porque em vez de
olhar todas as operações e ter um custo para fazer esse
monitoramento, ele vai focar naquilo que é principal,
naquilo que tem maior risco, aquilo que são as
situações mais perigosas. Então faz muito
sentido esse tipo de
abordagem. Objetivos desse
modelo: focar os riscos reais, os mais
relevantes, daí evita a burocracia desnecessária de
avaliar aquilo que é de baixo risco; proteger o
banco contra a utilização indevida de esquemas de lavagem de dinheiro.
Então o uso dessa metodologia é para isso, é para evitar
situações de lavagem de dinheiro;
aumentar a eficiência dos controles internos para identificar essas
situações;
mostrar que existe uma atuação regulatória, uma
conformidade do banco com as exigências dos
reguladores, e isso faz aprimorar essa cultura
de risco. Não adianta só ter uma cultura comercial, de
vender, de gerar recursos dentro do banco,
gerar lucro. Não, tem que ter uma cultura para fazer contraponto, que é uma
cultura de riscos. Tem que gerar negócios, sim, gerar
rentabilidade, dentro dos padrões de
risco, sem assumir muito risco. Essa é a ideia principal.
E o primeiro passo nesse modelo é fazer uma avaliação
interna do risco, para saber o que tem mais risco.
Então consiste em mapear, analisar e
classificar os riscos de lavagem de dinheiro e
financiamento ao terrorismo que a instituição está
exposta. Se o banco consegue fazer essa
avaliação, olhando seus clientes, olhando suas
operações, suas transações, suas movimentações, aí
ele consegue saber: isso daqui tem mais risco, isso daqui tem menos
risco. Então esse é o primeiro passo, fazer essa
avaliação.
Então as etapas da avaliação seguem essa
sequência. Primeiro, identificação,
mapeamento dos produtos, serviços, canais e
clientes. E aí avaliar as contas
digitais, operações em espécie, transações
internacionais.
Lembra no exemplo que eu comentei, daquele tráfico de
drogas, aquele traficante que queria lavar dinheiro no banco, ele atuou
como? Com operações em espécie, então tende a ter
mais risco aqui. Contas digitais, que é fácil
abrir uma conta corrente agora, uma transação
internacional, ele quer levar dinheiro para outro país, são
situações de risco que devem ser avaliadas.
Depois, a próxima etapa é uma análise, fazer uma
avaliação, qual é o grau de risco dessas
transações? Daí avaliar o quê? O histórico do
cliente. Por isso que a gente precisa ter um cadastro,
por isso que a gente precisa conhecer o cliente, para quando a
gente buscar uma análise mais profunda, fazer uma
investigação, eu tenho informação do cliente para fazer um
julgamento. Veja, a gente está fazendo o link aqui, na lavagem de dinheiro, com
o cadastro. A gente está fazendo o link com o KYC, o
conheça seu cliente. Tudo isso está relacionado.
Analisar qual a origem dos recursos.
O cliente fez uma transação de R$
300 mil. Nunca tinha feito, foi a primeira
vez. Tem que questionar: "Cliente, qual a origem desses
recursos? Você vendeu imóvel, vendeu um veículo de alto
valor?"
Aí, sim, explica. Senão,
gera uma suspeita. E se é uma operação suspeita, deve ser
comunicada ao COAF.
Volume de transações. O cliente nunca
fez transação no banco, de uma hora para outra começa a fazer 30 por dia.
Solta os olhos. Classificação.
Definir níveis de risco, nível baixo, nível médio e nível
alto.
Por exemplo, clientes que têm uma atividade econômica complexa,
ele é dono de uma empresa, que participa de outra, que movimenta,
que tem um envolvimento com o governo, com um político.
Risco alto, precisa ser classificado como risco
alto. E precisa ter adoção de controles,
medidas proporcionais ao risco. Então
se você tem mais risco, tem que ter mais controles, se tem
menos risco, menos controles. Monitoramento reforçado para
alto risco, comunicação ao COAF e sempre fazer
verificações adicionais quando precisa.
Também é necessário que a instituição defina e
escreva uma política interna de
PLDFTPrevenção à lavagem de dinheiro e financiamento
ao terrorismo.
E que ela traga as características, porte, natureza das
atividades, os riscos específicos, todo o
passo a passo, que o colaborador lendo
essa política entenda o que é
a PLDFT, o que ele precisa fazer, quais são os tipos
de operação suspeita, quais os controles que ele deve fazer para
evitar tudo isso na política. É um guia
operacional para os colaboradores
saberem quais são as exigências legais e
regulatórias. Porque imagina, um gerente
é contratado. Ninguém o informa sobre a
prevenção à lavagem de dinheiro. Como ele vai identificar uma
situação, se ele não teve um treinamento, se ele não
leu a política interna? Para isso que serve.
E tem que ter um controle de efetividade dessa política.
A política tem que ser implementada,
ela tem que fazer com que os colaboradores conheçam essa
política, atuem nos controles.
Ela tem que ser revisada pelo menos uma vez ao ano para
sempre estar atualizada, principalmente em função do
perfil de risco da instituição, que pode mudar.
E o comitê de compliance é responsável por
aprovar e supervisionar todas medidas
corretivas que advêm dessa
política.
Então um resumo aqui do que a gente viu.
Abordagem baseada em risco, o que é isso?
É uma metodologia, é um modelo, que vai
direcionar os esforços para a prevenção à lavagem de
dinheiro e ao financiamento ao terrorismo, conforme o
nível de risco. Mais risco,
potencializa mais perda, eu preciso ter mais controles, é isso que eu vou
focar. Se eu tenho transações com menos risco, praticamente eu não
preciso ter controle. Vou focar no quê?
Nos clientes, nos produtos e nas operações de maior
exposição e maior risco. Exposição é maior valor.
Avaliação interna de risco é fazer o
mapeamento e a classificação dos riscos que o banco tem,
identificar os riscos, analisar e tratar as
vulnerabilidades que eu identifico e se tiver operação suspeita,
comunicar.
E a política direcionada ao risco
é um documento interno que vai definir as
regras que os colaboradores devem conhecer e
seguir e os controles específicos, controle que ele
deve atuar para evitar a lavagem de dinheiro.
E, por fim, o controle de efetividade da política.
Não adianta só ter o documento, só ter o papel, ela tem que ser
efetiva. Alguém precisa verificar se ela está sendo
cumprida no dia a dia. Quem faz isso?
A área de compliance, que faz o monitoramento contínuo,
auditoria, que audita as áreas, principalmente a área
comercial, para ver se ela está atuando dentro da política e
vai ter indicadores de desempenho mostrando quem está
desenquadrado, quem não está fazendo o controle que deveria.
Então vejam diversos mecanismos de controle para prevenção à
lavagem de dinheiro.