Durante a sua atividade profissional, naquilo que executa no dia a
dia, existem diversos riscos que são
associados e o profissional precisa entender esses riscos
para evitar ou mesmo para
mitigar o acontecimento desses riscos.
Esses riscos, quando materializados, quando
eles acontecem, podem resultar em perdas financeiras para a
instituição, sanções legais,
principalmente dadas pelos reguladores, ou mesmo dando à
reputação, à imagem da instituição.
E qual é a consequência disso? Perda da confiança do
público, porque vê que aconteceu um risco, aconteceu
um problema relevante, isso apareceu na mídia, o que
os clientes dessa instituição vão pensar?
Que não é uma instituição confiável.
E pode prejudicar até a sustentabilidade do negócio ao longo do
tempo. Então quando a gente fala em riscos, as boas
práticas dizem para, primeiro,
identificar quais são esses riscos.
Então o profissional que atua no banco,
quando se deparar com um risco, ele precisa primeiro
identificar qual é o risco que
é inerente, que está aparecendo aqui.
Depois, avaliar qual é o tamanho do risco.
Se eu fizer dessa forma, realmente ele vai acontecer?
E aí pensar em mitigar. Mitigar é reduzir, como eu
reduzo esse risco ou até evito esse risco.
E a principal forma para isso é ter controles internos,
é ter controles que evitam que esses riscos
aconteçam. Para o profissional estar
capacitado continuamente, entendendo
das regras internas, dos
normativos, das leis, das
regulamentações, faz com que quando ele atua, ele sabe
o que está fazendo e não infrinja nenhuma regra.
Então vamos conhecer os principais riscos relacionados
à atividade do profissional. O primeiro deles é o risco
operacional, que é a possibilidade de ter uma
perda, do banco perder dinheiro,
resultante de falhas humanas
ou também de algum processo interno que não funciona muito
bem, algum problema nos sistemas do
banco ou até algum evento
externo que causa esse problema, esse
risco operacional. Esse tipo de risco é
muito comum e ele acontece no dia a dia, em qualquer
atividade financeira, pode ter um risco
operacional. Então fica clara a importância
dele. Vamos ver algumas causas, o que
faz gerar esse risco operacional.
Por exemplo, erros de digitação, de cálculo ou
registro. Imagina um cliente que foi no banco, foi contratar uma
operação de crédito e ao invés de digitar 10 mil
no contrato, o colaborador digitou 100 mil
e concedeu para o cliente 100 mil reais de crédito, era para conceder
10 mil. Se o cliente não pagar esses 100 mil que
já estão na conta dele e o banco errou completamente, o
banco vai perder
100 mil, porque errou, uma digitação errada.
Para evitar isso, tem que ter controles, alguém tem que conferir.
Na etapa seguinte de quem errou o contrato,
antes de creditar na conta do cliente, ele tem que ver.
Realmente é 10 mil? "Espera aí, teve um erro, 100 mil", e daí
corrige antes de fazer o crédito na conta.
Então vejam o tamanho do problema que isso pode
gerar. Falhas em sistemas de tecnologia, o
sistema do banco ficou parado 10 horas, qual o impacto disso no
cliente? Processos mal definidos, falta de
padronização, ninguém sabe o que tem que fazer, cada um faz de um jeito.
Negligência, imprudência, má-fé, vejam, até
atitudes
de má-fé das pessoas podem ocasionar erros.
Fraudes internas e externas. Então esse ponto é importante.
Qualquer fraude que acontece dentro do banco ou
uma fraude que envolva ou acontece de fora para dentro, que é
uma fraude externa, é caracterizado como risco
operacional. Então vejam como é comum.
Num banco é supercomum fraude com cartão de crédito, acontece
diariamente. Ou mesmo interrupção de atividades por
desastre, incidente. Imagina que na localização do banco
teve uma inundação e
prejudicou diversos
computadores daquele banco.
Isso daqui tudo quer dizer que se materializou um
risco operacional.
Então mais alguns exemplos, lançar o investimento em nome errado do
cliente
ou para um cliente errado, pior ainda, calcular taxas ou
rentabilidade incorreta, veja, pode gerar perda para
a instituição, enviar informação confidencial para um
destinatário indevido. Imagina enviar um extrato de um
cliente para outro cliente.
Falha de sistema que impede a liquidação da operação.
E algumas medidas preventivas, o que
é preventivo? Prevenir, evitar que esses riscos
aconteçam. Implementar manuais de procedimento, que
daí vão ter exatamente o passo a passo do que
tem que ser feito, promover treinamentos regulares,
manter controles automatizados e auditorias para ver se tudo está
acontecendo conforme deveria e adotar planos de
continuidade de negócio e backups para quando acontecer um
incidenteVoltar rapidamente tudo a
funcionar.
Outro risco, risco regulatório. Quando ele acontece?
Quando tem descumprimento de normas
legais. Aqui são leis, descumprimento de uma lei,
descumprimento de uma norma regulatória do regulador, ou
mesmo de uma regra, uma norma da autorregulação.
Lembrando, autorregulação ANBIMA.
Então, descumprimento de qualquer norma, de qualquer
código da ANBIMA, entra como um risco regulatório
também.
Pode resultar em multas, sanções, suspensão da
atividade, perda da certificação do profissional, se for alguma
questão relacionada à ANBIMA.
Qual é a causa desse risco? As fontes?
Falta de atualização sobre as regras.
Veja, o profissional não se atualizou, não sabia da regra,
atuou indevidamente. Pronto, materializou um risco
regulatório.
Não observança de normas relevantes, como suitability,
normas de compliance, normas de prevenção à lavagem de
dinheiro ou de proteção de dados da
LGPD.
Falhas no registro das informações ou
comunicação obrigatória aos órgãos reguladores.
Algumas informações devem ser comunicadas aos órgãos reguladores num
determinado prazo. Teve uma falha, passou do
prazo, vai ter um questionamento do regulador.
Alguém falhou aqui.
Mais alguns exemplos: deixar de coletar adequadamente o perfil do
investidor, que é obrigatório,
não comunicar as operações suspeitas de
lavagem de dinheiro ao COAF,
omitir taxas, custos de contratos financeiros.
É obrigatório você deixar claro para o cliente quais as
taxas que ele vai pagar. Divulgar informações publicitárias
sem aprovação da área de compliance.
E quais as consequências desses problemas?
Multas administrativas dadas pelo regulador,
suspensão temporária do registro, por exemplo, da
certificação, danos à imagem
institucional do banco e responsabilização
pessoal dos gestores, consultores que foram envolvidos nessa
falha, quando relevante.
Outros riscos, riscos legais agora.
Aqui a gente está falando do aspecto mais jurídico, de contratos.
Então quando tem uma quebra de contrato, vai materializar um risco
legal ou um erro jurídico, violação de
direitos.
E aí, como consequência, pode ter um processo judicial, porque
você não seguiu o contrato, pode ter que pagar uma
indenização ou uma sanção penal.
Então aqui pode envolver litígios na Justiça e
responsabilidade civil dos gestores ou diretores e
até criminais.
Causas: contratos mal redigidos, com
cláusulas abusivas, descumprimento de prazo,
promessa ou garantia. Aqui a gente está falando principalmente de
contratos do banco com o cliente. Uso indevido de
dados pessoais, que violou a LGPD, propaganda
enganosa ou promessas de rentabilidade, ou atuação do
profissional sem certificação pra oferta de produtos de
investimento ou autorização profissional.
Exemplos: cliente processa a instituição por perda
financeira decorrente de uma recomendação
indevida,
divulgar informações de terceiros sem autorização,
operação sem seguir as regras de intermediação da
CVM, usar documentos falsos ou
assinaturas irregulares. Vejam,
isso daqui pode acontecer num banco.
Para bater uma meta, o gerente pode falsificar uma assinatura de um
contrato.
Então isso daqui acontece, infelizmente.
Medidas de mitigar, de evitar esse risco: ter uma revisão do
contrato pela área de assessoria jurídica antes de enviar para o
cliente, registro de todas as
comunicações, todas as recomendações, para ficar claro o que está negociando
com o cliente, arquivar os documentos e provas de
consentimento do cliente para LGPD,
realizar auditorias e programas de integridade para garantir
tudo isso. E risco de imagem. Risco de
imagem é a possibilidade de perda da confiança do público,
principalmente por condutas inadequadas do banco, quem
representa o banco, seus colaboradores, questões de
escândalos, erros, falhas, quando são
relevantes, pode arranhar a imagem da instituição.
É um dos riscos mais graves que
pode acontecer.
Fatores que geram risco de imagem: atendimento
inadequado, desrespeitoso, caso de racismo,
por exemplo, divulgação de informações falsas,
sensacionalistas, envolvimento da instituição ou dos
colaboradores em escândalos éticos,
vazamento,
uma grande quantidade de vazamentos de dados pessoais, isso aí que
sai na mídia, o banco fica marcado porque não tem
controle, porque deixou acontecer.
Críticas e reclamações divulgadas nas redes sociais.
Os bancos ficam acompanhando, caso tenha uma quantidade grande de
reclamações nas redes sociais, eles buscam atuar e resolver o
problema, porque é a imagem que está sendo afetada.
E as consequências.
Então quando isso é relevante, aparece na mídia, pode ter perda de
clientes, perda de investidores, que gera perda financeira para o
banco, queda no valor de mercado, as ações do banco podem
cair, impacto na atração de novos negócios,
sanções dos órgãos reguladores. E as
medidas preventivas, para prevenir e não deixar acontecer:
treinar as equipes para comunicação clara e ética, para atuar sempre
dentro das normas, adotar políticas de rede social e
uso de imagem,
manter planos para gerenciamento de crises.
Então quando acontecer uma crise relevante de imagem
do banco, ter um plano, ter uma atuação, uma equipe
para sanar e resolver rápido o problema e não deixar ele
crescer. E investir em transparência e
relacionamento com a mídia, justamente para quando ter
um problema, informar rapidamente à mídia o que aconteceu e
evitar que se torne um problema de grandes proporções.