Planejamento familiar ou pessoal.
O planejamento é uma abordagem mais
completa, ele é um processo de
avaliação e ele é contínuo. Ele é
feito uma vez e é necessário continuar,
sempre atualizando e acompanhando esse planejamento.
Qual é o objetivo? O objetivo é
organizar as finanças,
alinhar as finanças para os objetivos de
vida daquela pessoa, daquela família.
Sempre considera o momento financeiro
atual, parte de um diagnóstico, mas vai
levar em consideração metas futuras e
toda a estrutura familiar também, a previsão da
estrutura, de como vai ser daqui para frente, para ter um
equilíbrio de qualidade de vida, um equilíbrio de
segurança e bem-estar. O que a gente viu até agora, o
fluxo de caixa, o balanço patrimonial, são
fotos de momentos. O planejamento é
um pouco mais abrangente. A gente vai analisar essas
questões, mesmo os indicadores que nós vimos,
mas ter uma visão de hoje para o longo prazo.
Então vamos entender como funciona, quais são as etapas do
planejamento familiar.
Como é um processo, ele tem as etapas.
Primeira etapa, o diagnóstico financeiro.
É necessário levantar qual a renda ou as
rendas, como nós vimos, todas as
despesas fixas ou variáveis,
as dívidas com banco e apurar o
patrimônio. E para isso, a elaboração
do balanço patrimonial, que nós vimos,
e também do fluxo de caixa, para a gente saber se
mês a mês está sobrando ou faltando dinheiro.
Depois, definição dos objetivos.
Dado esse diagnóstico, partindo desse
diagnóstico, qual é a definição dos
objetivos de curto prazo para um
ano? Quitar as dívidas com maiores
taxas, formar uma reserva de
emergência, se ainda não formou. Para médio prazo, de dois
a cinco anos, comprar um imóvel,
investir cada vez mais ao longo desse
período. Longo prazo, acima de 10 anos,
já pensar na aposentadoria, porque precisa começar
hoje um investimento em um plano de previdência, por
exemplo, para usufruir daqui 20, 30 anos
e ter lá na frente independência financeira.
Etapa três: desenvolvimento do plano.
Aqui vão ter escolhas a serem
realizadas. Qual vai ser a estratégia de investimento?
Quais os produtos vão ser escolhidos?
Vou utilizar seguros para proteger e
minimizar alguns riscos? Vou
investir em um plano de previdência ou vou investir
apenas em produtos de investimento que não
são relacionados à previdência? Então tudo
isso são escolhas.
Quatro, execução e controle. Depois que
você investiu, você
começa a fazer um acompanhamento mensal.
Como está nessa foto mensal as
estratégias que eu venho buscando?
É necessário fazer algum ajuste depois de seis meses?
Mudou o cenário econômico, agora você está ganhando um salário
maior, você teve um filho, o que você precisa mudar no seu
planejamento financeiro? E revisão
periódica,
adaptar o plano a mudanças. Como eu falei, a sua
renda pode mudar, a sua família, o próprio mercado.
Então os ajustes estão aqui, estão dentro dessa
revisão que tem que ser feita. Se você fez esse acompanhamento
mensal, você já vai identificar situações de ajuste.
Se você faz acompanhamento semestral, veja se nesses seis
meses que passou, alguma coisa mudou de relevante para
ser feito algum ajuste.
Então essas são as etapas e agora a gente vai
ver como
avaliar a fase da vida, o momento da
vida,
versus o foco do planejamento.
Porque isso muda ao longo do tempo.
A gente viu o ciclo de vida, as fases da vida vão mudando,
o nosso direcionamento financeiro também muda, o nosso perfil
pode mudar, o nosso direcionamento e até os
produtos que eu vou investir vão mudar.
Vamos entender, então? Na fase de juventude, até 30
anos, início de carreira, a renda ainda é variável, não tem
estabilidade. Qual é o foco do planejamento?
Formação de reserva, começar
investimentos para o longo prazo.
Maturidade, de 31 a 50 anos. Aqui já tem uma renda
mais consolidada, mas tem
grandes despesas já para toda a família.
Foco do planejamento, buscar uma diversificação dos
produtos, não concentrar em um único produto,
minimiza risco através da diversificação, proteção,
por exemplo, seguro do veículo, seguro do seu
imóvel e já ter uma previdência privada,
investindo, fazendo contribuições
mensais.Pré-aposentadoria, de 51 a
65.
Aqui, buscar reduzir riscos, reduzir endividamento,
foco do planejamento: preservar o capital e
buscar aqui
qual vai ser a sua renda futura quando você se aposentar, fazer
toda essa preparação. E aí, aposentadoria acima de
65 anos, aqui é uma estabilidade, a sua renda
tende a ser menor, a renda de aposentado.
E aqui já pensar na distribuição da sua
renda,
pensar nas formas de renda que você tem
e sempre garantir a liquidez. Se você tiver uma
emergência de saúde, principalmente, você tem a
liquidez, porque você investiu em ativos mais líquidos,
que você pode resgatar rapidamente.
Dentro do planejamento, você precisa definir suas metas
financeiras. E um modelo muito utilizado é o modelo SMART,
que diz que as metas devem ser específicas e não
gerais, devem ser mensuráveis, tem que ter valor para
você poder quantificar. Alcançáveis, não
adianta você colocar uma meta que você se esforce muito e nunca vai
conseguir atingir, ela tem que ser alcançável.
Tem que ser relevante, tem que ser uma meta grande, não dá para definir algo
pequeno que você vai realizar facilmente.
E tem que ter uma medida de tempo, em quanto tempo você vai atingir essa
meta. Esse é o modelo SMART. Veja um exemplo que
atende a esse modelo: acumular R$
100 mil
em cinco anos
para dar entrada em um imóvel. E para isso,
vou investir R$ 1500 por mês em ativos
que pagam 10% ao ano. Perfeito,
você sabe exatamente o que fazer. Todos os
meses vai investir R$ 1500 em um ativo que paga essa
rentabilidade,
isso durante cinco anos. Com isso, você vai acumular R$ 100
mil, dá entrada no imóvel e aí contrata um crédito
imobiliário e vai pagando as parcelas ao longo dos anos.
Perfeito, é um ótimo exemplo de meta
financeira. Algumas dicas: vincular meta a
propósitos reais, igual aqui, comprar uma casa,
ter um plano de aposentadoria, juntar dinheiro para educação dos filhos,
isso fortalece o propósito.
Revisar as metas anualmente. As metas podem
mudar em função da família, em função de ajustes de cenário
econômico. E definir prioridades para evitar dispersão
de recursos. Às vezes a gente tem alguma ideia de alocar
recurso em algum lugar, não é o ideal, então sempre ter
prioridades.
Sobre planejamento dos investimentos,
sempre deve estar alinhado ao perfil, ao prazo e
ao objetivo. Nós temos uma
teoria financeira, que é a teoria de alocação de
ativos. Onde eu vou alocar os meus ativos?
Como eu vou alocar os meus ativos? E a principal recomendação dessa
teoria é você diversificar os seus
investimentos em classes diferentes,
em níveis de risco e retorno diferentes.
Qual é o ideal? O ideal é uma parcela direcionada para renda
fixa, para você ter segurança, uma outra parcela assumindo
mais risco. Se quiser assumir muito risco, uma parcela
pequena, porque se rentabilizar, você ganha também, se perder é
uma parcela pequena do todo. Então essa, de uma forma
simplificada, é a teoria de alocação de ativos.
Quais são os princípios que norteiam essa teoria?
Reinvestir os rendimentos. Então quando você tem
um rendimento de um ativo, de um investimento,
em vez de você resgatar, reinveste.
Isso só vai aumentar o valor ao longo do tempo.
Anualmente, rebalancear a carteira.
A sua carteira, a sua composição de ativos, deve ser
revisada. Em alguns momentos, tem que sair de algum ativo que não está
rentabilizando bem e buscar outro ativo.
E sempre respeitar o perfil do investidor, o suitability, que
é investir em produtos adequados com o seu perfil, sempre
buscar o suitability.
Então, quando o objetivo for uma reserva de
emergência, a gente está falando de curto prazo.
Quais os ativos recomendados? Que a gente viu, Tesouro Selic,
CDB de liquidez diária.
Compra de imóvel, aqui o prazo é maior.
Preparar recursos para comprar um imóvel.
Aí você pode buscar um fundo multimercado, onde assume mais risco,
mas diversificar com título IPCA mais juros,
algumas debêntures para pagar um pouco mais de rentabilidade, e aí
aposentadoria a longo prazo,
aí planos de aposentadoria, por exemplo, PGBL,
ações em uma visão de longo prazo. Então a gente não está dizendo
que o aposentado vai
comprar ações. A gente está dizendo que para fazer uma
preparação de longo prazo para lá na frente se
aposentar, faz sentido hoje começar a investir em
ações ou fundos de ações, porque no longo prazo tende
a valorizar muito e aí ajudar na aposentadoria.
Então isso é o planejamento de investimentos que você tem que fazer hoje.
Você pode ter um planejamento também para educação dos seus
filhos
e definir metas financeiras para isso e
aproveitar o efeito dos juros compostos ao longo do tempo.
Por exemplo, investir mensalmente R$
300Por 18 anos, com uma
rentabilidade média de 8% ao ano, vai gerar um montante
final de 150 mil. Com 150 mil, você
paga a faculdade do filho, mesmo se ele for para fora,
se ele for estudar fora do Brasil, provavelmente com
esse montante você consegue custear isso.
Quais os instrumentos indicados
para esse tipo de planejamento? Uma previdência
VGBL pode funcionar, fundos de investimento
de longo prazo ou mesmo, mais conservador, Tesouro
IPCA+ com longo prazo, prazos
longos também que é possível ser adquiridos no
Tesouro Direto.
E planejamento para aposentadoria,
deve ser planejada com base na renda
desejada. A pergunta é: qual a renda
você deseja receber lá na frente, quando se aposentar?
E claro, vai levar em consideração a expectativa de vida.
A ideia é você alcançar a independência
financeira para viver dos rendimentos, e aí não depende mais de
salário, você não precisa mais trabalhar, porque você está idoso, mas vai receber
uma renda passiva. Qual é o cálculo para ter essa
independência financeira na aposentadoria?
O montante necessário é igual à renda
desejada mensal, quanto você deseja de renda mensal
lá na frente, quando se aposentar,
vezes 12, dividido pela taxa de juros
anual. Esse é o cálculo. Vamos ver um exemplo?
Você deseja ter uma renda quando se aposentar de R$ 8
mil por mês.
Qual é a taxa? O que é taxa segura? É uma taxa
conservadora. É uma taxa que você
entende que vai ter como rendimento.
Aqui nesse exemplo, 4% ao ano. Se você entende que consegue
uma taxa maior, é só alterar o cálculo. E como que a gente faz?
R$ 8 mil vezes 12,
dividido pela taxa, trazendo 4% para decimal é
0,04, dá R$ 2 milhões e quatrocentos.
Então, qual é a interpretação? Eu preciso
acumular R$ 2 milhões e quatrocentos para gerar uma renda
vitalícia de R$ 8 mil por mês. Até eu morrer,
eu vou ganhar R$ 8 mil por mês, se eu
juntar e investir R$ 2 milhões e quatrocentos.
E algumas dicas para alcançar, então quanto antes começar, melhor,
aproveitar os incentivos fiscais do PGBL, do VGBL,
manter uma parte da carteira em ativos indexados à
inflação, como o IPCA+,
e sempre ajustar o plano conforme a sua expectativa de vida e do
mercado. Fazendo isso, você deve ter
um bom planejamento para aposentadoria ao longo do
tempo.