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Renda fixa: conceitos, emissores e características

Transcrição

Vamos falar agora sobre renda fixa. E a gente começa separando o que é renda fixa e o que é renda variável. Muito importante a gente ter essa distinção. Falando sobre renda fixa, renda fixa é aquele investimento, aquela aplicação em que você sabe qual vai ser a sua remuneração. Ela é fixa, nesse sentido de você já conhecer, de você já saber. E você sabe como ela vai ser calculada desde o momento do aporte, desde o momento que você coloca seus recursos, que você faz o seu investimento. Essa é a grande diferença. Exemplos de instrumentos de renda fixa: títulos públicos. Então sempre que a gente falar dos títulos públicos, e na sequência a gente vai conhecer os principais, são títulos de renda fixa. CDBs emitidos por bancos, por instituições financeiras, são títulos de renda fixa, debêntures, agora emitido por empresas. As empresas quando precisam de capital, precisa de recurso, vai no mercado de capitais, lança debêntures, investidor adquire essa debênture, o dinheiro entra na empresa. E pra esses títulos, a gente vai ver que eles podem ser prefixados ou pós-fixados, uma taxa pré ou uma taxa pós. E a gente tem a figura do híbrido também, tem alguns que têm um componente pré e um componente pós. Então renda fixa, sempre a gente sabe qual que vai ser a nossa remuneração. Uma dúvida que pode surgir, mesmo no pós, eu já sei a remuneração? Sei, eu sei que vai ser 102% do CDI, eu sei que vai ser 120% do CDI. Então a remuneração já está dada. A diferença é que no prefixado eu consigo calcular exatamente qual vai ser meu retorno e no pós-fixado, eu preciso esperar o indexador acontecer no tempo pra eu calcular, mas eu sei qual vai ser a rentabilidade. Vamos agora, pra gente distinguir bem essa diferença, falar sobre renda variável. A renda variável é aquela aplicação, aquele investimento que você não sabe qual vai ser o resultado, qual vai ser a sua rentabilidade. Inclusive, você pode investir hoje e ter prejuízo. Você pode perder parte ou até todo o seu dinheiro, dependendo do que você investiu. Os principais exemplos de renda variável: ações. Então sempre que a gente falar de renda variável, ações, têm que surgir na mente. Depois, câmbio. Nós sabemos que as cotações das moedas, o dólar, o euro, varia em função de oferta e demanda do mercado, a mesma coisa o preço das ações, por isso que é renda variável, e a gente pode incorporar aqui também os derivativos. Os derivativos variam, o ativo que está por trás, ele varia em função de oferta e demanda do mercado, então a gente também considera como renda variável. Então a grande diferença entre renda fixa e variável, é que na fixa a gente sabe qual vai ser a nossa remuneração e na variável a gente não sabe, vai depender do risco de mercado. Na renda fixa, o investidor empresta dinheiro pro emissor. Olha que interessante essa visão, quando você investe num CDB, que é emitido por um banco, você está emprestando dinheiro pra esse banco. E depois o banco te devolve, devolve o principal mais os juros. E o emissor pode ser o governo, pode ser um banco, pode ser uma empresa, sempre pagando os juros de volta, por quê? Porque a empresa ficou com o dinheiro do investidor durante um tempo. Se ficou com o dinheiro durante um tempo, tem que pagar juros. Os principais emissores: Governo Federal. Eles emitem o quê? Através do Tesouro Nacional, essa entidade emite os títulos públicos. Então sempre que falarmos de títulos públicos, são títulos de renda fixa, quem emite é o Governo Federal. As instituições financeiras, os bancos, emitem o quê normalmente? CDBs, LCIs, LCAs, que a gente vai conhecer um pouco mais. São instrumentos de renda fixa que os bancos emitem pra captar recurso dos investidores. E as empresas privadas emitem debêntures. Emite debênture no mercado, o investidor adquire essa debênture, entra dinheiro na empresa. Então veja que a forma aqui é praticamente a mesma. Esses emissores emitem o título de renda fixa, o investidor adquire o título e paga lá no final o principal mais juros pra esse investidor. Vamos falar sobre os títulos públicos federais. Esses títulos são emitidos por quem? Pelo Tesouro Nacional. É essa entidade que emite cada título público. Qual o objetivo? Financiar as atividades do governo, financiar os gastos do governo. E também ele entra pra controlar a política monetária. Como a gente já falou, toda vez que o governo identifica que tem muito dinheiro circulando no mercado, o que ele faz? Ele vende mais títulos, porque o investidor compra o título, esse dinheiro sai do mercado e entra no governo. Então sai dinheiro do mercadoSai dinheiro do mercado, porque tinha muita liquidez. Então é uma forma do governo controlar a política monetária. Para adquirir um título público federal, o investidor vai onde? Vai numa plataforma, através da internet, que é o Tesouro Direto. É uma plataforma online do governo, onde ele disponibiliza os diversos tipos de títulos públicos e o investidor consegue adquirir. Eles são considerados investimentos de baixo risco. Por quê? Porque o governo garante o pagamento. O risco de crédito existe, teoricamente ele existe, mas ele é muito baixo, praticamente zero ou nulo, porque a gente entende no mercado financeiro que sempre o governo vai pagar, o governo não vai quebrar, diferente de um banco. Então se o governo vai pagar, se ele garante esse pagamento, o risco é muito baixo mesmo. E sobre a rentabilidade desses títulos, ela pode ser prefixada, e prefixada a gente já conhece no momento da compra exatamente quanto vai receber, por exemplo, 14% ao ano. Pós-fixada, o rendimento vai estar atrelado a um índice ou indicador, por exemplo, à taxa Selic ou ao IPCA, que é a taxa de inflação, é um indicador de inflação, a Selic é o indicador de taxa de juros, ou pode ter uma rentabilidade híbrida, que é uma combinação das duas. Ele pode ter um componente pós-fixado IPCA, mais uma taxa pré, uma taxa fixa. Ele tem os dois componentes no mesmo título. Aí a gente fala que é uma rentabilidade híbrida. E vamos começar então falando sobre um primeiro tipo de título público, que é o Tesouro Prefixado. E esse Tesouro Prefixado, quando nós entramos ali na plataforma do Tesouro Direto, a gente vai ver esse nome, Tesouro Prefixado, então a gente já sabe que é um título público que vai pagar o quê? Uma rentabilidade prefixada, você só precisa verificar quanto. E isso muda conforme o dia. Mas ele tem um nome técnico também, é o nome antigo, que é Letra do Tesouro Nacional ou LTN. Então a gente tem que saber que o Tesouro Prefixado é uma LTN. Ele é um título prefixado, como o próprio nome diz, a taxa de juros é definida no momento da compra. Então o investidor sabe exatamente, ele consegue calcular lá no vencimento quanto que vai ser a sua rentabilidade em valor. Algumas características: ele é ideal para quem acredita que os juros vão cair no futuro. Por quê? Porque quando você compra um título prefixado, você trava a taxa. E essa taxa é a que você vai receber daqui para frente. Se você acha que de hoje para frente, os juros, a Selic vai cair, esse título é ideal, porque você continua ganhando uma taxa alta. Vamos pegar um exemplo. Imagina que a taxa Selic está 12% ao ano. Hoje, você compra uma LTN, um Tesouro Prefixado, e vai ganhar nos próximos cinco anos, 12% ao ano. Se a Selic cair para 10, foi excelente para você, porque você continua ganhando 12 e o mercado está pagando 10. Perfeito? Então essa é a orientação. Se você investidor entende que os juros vão cair daqui para o futuro, o Tesouro Prefixado é o título mais interessante. Tem risco de mercado? Tem risco de mercado. Por quê? O preço que você paga do título vai mudando dia após dia. É como se fosse um bem. Ele tem o seu preço de mercado. Um carro, ele tem o seu preço de mercado, ele varia. Lei da oferta e da demanda. Se a taxa de juros muda, o preço do título público vai mudar. Então qual é o problema? O problema é você resgatar o seu título público antes do vencimento. Se você vender antes do vencimento, pode ser que o preço caiu e aí você tem uma desvalorização no seu título. Se você não vender antes, se você ficar com seu título até o vencimento, aí você garante que vai receber os 12% ao ano. A gente chama essa correção do preço do título de marcação a mercado. Liquidez. São títulos com liquidez diária. Por quê? Porque o Tesouro recompra o título diariamente. Se você quiser vender, você vai no Tesouro Direto e consegue vender o seu título. Mas, como eu falei, se você vender antes do vencimento, corre o risco de marcação ao mercado e ter uma desvalorização. Exemplo: um investimento de R$ 1.000 em LTN, título Tesouro Prefixado, com vencimento a 2035, ele paga 10% ao ano. Então veja, você sabe exatamente quanto você vai ganhar, 10% ao ano. E aí um cálculo simulado aqui, lá no vencimento, o investidor vai receber quanto? 1.600. Olha, investiu 1.000, vai receber 1.600, independente da taxa Selic, vai receber seus 10% ao ano. E aí para a gente entender o fluxo de pagamento de uma LTN, de um Tesouro Prefixado, essa ilustração ajuda bastante. Aqui é o fluxo financeiro. Na data da compra, tem o valor investido, naquele exemplo, R$ 1.000. Por que a seta é para baixo? Porque está saindo dinheiro do seu bolso, do investidor, aqui é a visão investidor. Sai o dinheiro, porque saiu do seu bolso, foi para o governo. E aí vai passando os dias, vai passando, até chegar a data de vencimento aqui, no caso, por exemplo, cinco anos, depois de cinco anos, você vai receber o quê? O valor investido de volta, R$ 1.000, mais a rentabilidade, que é 600, no cálculo que nós fizemos. Você vai receber 1.600. Olha lá, investiu 1.000, passaram cinco anos, você vai ter agora 1.600 de volta, o governo te pagando, setinha para cima, entrando dinheiro para você. Então é boa a imagem para ilustrar bem como funciona um título Tesouro Prefixado.