0%

Classificação dos fundos por alocação mínima

Transcrição

Vamos entender quais são os percentuais mínimos de alocação que nós temos para cada tipo de fundo. Começamos com o fundo de renda fixa. Um fundo, para ser caracterizado como renda fixa, precisa aplicar no mínimo 80% do seu patrimônio líquido em ativos de renda fixa. Se ele aplicar 90%, está enquadrado, se aplicar 100%, está enquadrado. Se aplicar 79%, está desenquadrado. Ele não pode ser um fundo caracterizado como renda fixa. Esse tipo de fundo vai investir os seus recursos em títulos públicos, que são títulos de renda fixa, títulos privados, títulos de crédito ou mesmo derivativos, desde que usados para proteção, não para especulação ou alavancagem. Principais características: aqui o risco de mercado existe, principalmente com os títulos prefixados, mas geralmente é mais baixo que renda variável, aqui a gente está falando de renda fixa, o risco de mercado é menor. A rentabilidade vai depender da variação dos juros ou dos índices de inflação. Então os títulos adquiridos têm um preço, é esperado que esse preço se valorize em função dessas variações e isso traga rentabilidade pro fundo, rentabilidade pro valor da cota. Ele é indicado para investidores conservadores e moderados. Por quê? Porque aqui o risco é mais baixo. Um investidor com perfil conservador vai buscar na renda fixa a sua rentabilidade. Ele não quer assumir muitos riscos como na renda variável. E podem existir subclasses, como fundos referenciados, que busca um benchmark, crédito privado, que são títulos emitidos por empresas privadas, inflação. Então aqui seriam as subclasses, que vai especificar o foco da carteira daquele fundo. Agora, um outro fundo, o fundo de ações. Para ele ser caracterizado como fundo de ações, deve manter pelo menos 67% do seu patrimônio investido em ações. 67% equivale a dois terços. Então é esse percentual que a gente precisa guardar. Se for 65, está desenquadrado, se for 80, está enquadrado. Além das ações, esses fundos podem investir em BDRs, que são títulos ou ações compradas aqui no Brasil, mas se refere a empresas lá de fora, cotas de fundos de ações. Então veja, um fundo de ações pode comprar cota de outro fundo de ações, mas dentro do mesmo mercado, o mercado de ações. E também derivativos relacionados a índices de ações. Características: aqui tem maior exposição ao risco de mercado. Por quê? Porque o preço das ações tem a sua volatilidade natural, os preços sobem, os preços descem diariamente. Então esse risco, que é o risco de mercado, aqui é muito mais alto do que nós vimos agora na renda fixa. Teoricamente, gera também um retorno potencial maior, principalmente no longo prazo. Então a gente entende que o investimento em ações no longo prazo tende a trazer uma rentabilidade bem interessante. Ele vai ser indicado para os investidores com perfil arrojado. Aqui, segundo o suitability, não deve ser direcionado para um perfil conservador. O perfil conservador vai estar direcionando os seus recursos para renda fixa. Aqui, a gente está falando de investidores que querem assumir risco, que conhecem a volatilidade das ações e querem investir nesse tipo de fundo. E a política de investimento deve esclarecer se o fundo busca acompanhar um índice, como por exemplo, o Ibovespa, a composição dos seus ativos vai seguir o desempenho do Ibovespa, ou se vai adotar estratégias ativas para superar o benchmark, superar o Ibovespa. Então isso vai depender do fundo e vai estar no seu regulamento e na sua política de investimento. Fundos cambiais devem aplicar, no mínimo, 80% do seu patrimônio em ativos que têm variação da moeda estrangeira, especialmente dólar, mas pode ser outra moeda. O que a gente tem que guardar? 80% mínimo do seu patrimônio, o mesmo percentual da renda fixa. Então renda fixa e cambial, mesmo percentual, 80%. Esse tipo de fundo vai ter uma exposição direta ou indireta em variação cambial, usados como instrumento de proteção de hedge contra a desvalorização do real. Então quem adquire esse fundo está buscando um hedge, buscando uma proteção, porque a gente sabe que em alguns momentos o real pode se desvalorizar. Esse fundo pode empregar derivativos para ajustar a sua exposição cambial, de novo, sempre direcionado para proteção, e eles são indicados para aqueles investidores que buscam diversificar a sua atuação, que querem uma atuação internacional. Pensa no investidor que já tem uma quantidade de recursos investidos no Brasil e agora ele quer diversificar, ele quer ter uma rentabilidade no mercado internacional. Ele, através dos fundos cambiaisPode ter essa exposição. Fundos multimercados são mais flexíveis e diversificam a sua estratégia, porque eles podem adquirir diversos ativos. Aqui não tem um percentual mínimo de alocação, então ele pode investir em ativos de renda fixa, renda variável, câmbio, derivativos, ele pode fazer uma combinação de tudo isso. Então tem uma flexibilidade na gestão da carteira desse fundo, vai utilizar derivativos como proteção, mas também como alavancagem. Os fundos multimercados são conhecidos por buscar uma rentabilidade maior e pra isso usam derivativos, pra se alavancar. Então o risco é muito maior aqui. Logo, a gente não vai direcionar um fundo multimercado pra um perfil conservador, dado esse risco que é maior. O risco é variável conforme a estratégia adotada, mas acabei de comentar que devido à alavancagem o risco é mais alto. E requer uma análise criteriosa do perfil de risco e da política do fundo, justamente pra entender onde o fundo está investindo, quanto de risco ele assume. Então eles são destinados pros investidores que buscam maior retorno, mas que aceitam maior risco, que aceitam maior volatilidade. O preço aqui das ações são voláteis, por causa do risco de mercado. O derivativo altera em função do tempo, por causa da sua volatilidade, então mais risco, mais retorno, é o trade off de risco e retorno. Mais risco, mais retorno, menos risco, menos retorno, que a gente espera na renda variável, por exemplo. Outro tipo de fundos, fundos incentivados e infraestrutura, FI Infra. Aqui os recursos são destinados pra projetos de infraestrutura, projetos de inovação, de pesquisa e desenvolvimento. Então é um pouco parecido com as debêntures incentivadas que nós vimos, e o governo também beneficia o investidor. Lembra que nas debêntures incentivadas, o investidor tem o benefício fiscal, ele não tem Imposto de Renda. Aqui é muito parecido, também existe o benefício fiscal, isenção de Imposto de Renda pras pessoas físicas. O fundo aqui vai aplicar ou em debêntures incentivadas pra caracterizar que ele está incentivando a infraestrutura, ou em ativos de energia, transporte, saneamento ou telecomunicações. Sempre algo relacionado à infraestrutura. E aqui o prazo do investimento acaba sendo mais longo, dado o tempo do projeto. O projeto às vezes demora alguns anos e o fundo também vai acompanhar esse prazo mais longo. Outro fundo, agora destinado à garantia de locação imobiliária. O objetivo desse fundo é garantir os contratos de locação de imóveis, seja comercial, residencial ou corporativo. É sim um fundo bem mais específico, não é tanto utilizado pelo mercado e ele é estruturado pra garantir o quê? O pagamento do aluguel de quem alocou aquele imóvel, pra evitar inadimplência do locatário. Então é um fundo que não tem também alocação mínima de recursos e ele realmente é bem específico. E por fim, o fundo de concentração em crédito privado. Esse sim, tem um percentual pra ser seguido, ele deve manter 50% da sua carteira em ativos de crédito privado. O que é crédito privado? São títulos emitidos por empresas ou bancos privados, crédito privado. Então, debêntures, ele vai investir no quê? Por exemplo, debêntures emitido por empresas, CDBs emitido pelos bancos, letras financeiras emitidas pelos bancos. Ele tende a oferecer um retorno superior, porque o risco de crédito é maior. Vamos entender isso? Imagina um investidor que está estudando colocar o dinheiro no Tesouro Selic, a Selic está em 15% ao ano. Ou então, ele compra uma debênture de uma empresa. A empresa está pagando 20% ao ano. Por que ela paga mais que o Tesouro Direto? Porque no Tesouro Direto, no Tesouro Selic, é o governo que é a garantia. Qual é o risco pro investidor? Muito baixo, praticamente zero. O governo vai pagar no vencimento. E a empresa? A empresa pode quebrar. A empresa não tem esse risco de crédito baixo igual o do governo. Então ela tem que ofertar uma rentabilidade maior, senão o investidor vai no Tesouro Direto, 15% garantido. Então ele só compra uma debênture porque ele vai receber uma rentabilidade maior, a empresa tem que pagar mais juros pra ele. Então o risco de crédito é maior nesses casos. Então, pra investir no crédito privado, existe uma análise cuidadosa que tem que ser feita do emissor. Quem que é o emissor? Quem que é o banco? Quem que é a empresa? Qual é a classificação desse banco? Qual é o rating de crédito? É um rating bom? Perfeito, vou investir. É um rating ruim? Então não vou investir, precisava ser feita uma análise. E pra finalizar, um resumo da aula. Tipo de fundo renda fixa, o que é o principal? Percentual mínimo exigido, 80%. Perfil de risco, de baixo a moderado, mais direcionado ali pro perfil conservador. Fundo de ações, vai investir em ações, BDRs, derivativos de ações, mínimo exigido, 67%, dois terços. Aqui o risco é alto em função do risco de mercado. Tipo de fundo cambial, vai estar ligado a títulos que buscam variação cambial. Percentual mínimo, 80%, mesmo percentual da renda fixa. Perfil de risco aqui, médio a alto. Multimercado, pode investir em vários ativos, inclusive assumir mais riscos com derivativos. Não há percentual mínimo. Fundo de investimento de infraestrutura, ativos ligados à infraestrutura e inovação, o percentual mínimo é variável, não tem um percentual definido. Fundo de garantia de locação, créditos e garantias imobiliárias, também não tem o limite de alocação. E crédito privado, são os títulos emitidos por empresas e bancos privados. Aqui sim, tem o mínimo de 50% da sua carteira, tem que ser crédito privado. E aqui existe risco de crédito, então de moderado a alto.