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Riscos dos investimentos: liquidez, mercado e crédito

Transcrição

Dentro das avaliações econômicas que nós temos que fazer pra entender o movimento e o cenário da economia, nós temos alguns riscos que são relevantes. Vamos começar falando do risco de liquidez. Primeiro, o que é liquidez? Liquidez é você conseguir transformar o seu ativo em dinheiro, em recursos. E o ativo pode ser mais ou menos líquido. Mais líquido é você ter dinheiro na sua conta, menos líquido é você ter um imóvel, que você precisa primeiro vender, e às vezes demora meses pra você vender, pra daí ter o dinheiro. Então veja a diferença entre a liquidez dos ativos. E o risco de liquidez acontece quando? Quando o investidor não consegue transformar o seu ativo em dinheiro, ou ele tem dificuldade pra realizar isso, ou, pra fazer isso, ele precisa perder uma parte do valor do seu ativo. Vou dar um exemplo de novo com um imóvel ou um veículo agora. Imagina que você tem um veículo que custa 100 mil e você tenta vender. Não tem compradores, você baixa o preço pra 90 mil. Ninguém quer comprar, você baixa pra 70 mil, aí você consegue vender. Olha só, o valor de mercado era 100 mil, mas você só conseguiu vender por 70 mil. O que você fez pra transformar o seu ativo em dinheiro? Você teve que ter uma perda. Você saiu de 100 mil pra 70 mil, perdeu 30 mil, mas conseguiu vender. Então a dificuldade em vender um investimento naquele momento que você precisa, materializa o risco de liquidez. Esse é um dos riscos mais relevantes que nós temos quando a gente fala de investimentos. Vamos pra um exemplo. Um cliente aplica em um CDB com vencimento de dois anos. Por que ele fez essa aplicação em dois anos? Porque ele almeja, ele planejava que só ia precisar do dinheiro daqui a dois anos. Mas o que acontece? Ele pode, em função de alguma necessidade, precisar resgatar antes. E aí ele poderá receber o valor menor do que o aplicado ou não conseguir vender o título, vai depender da política do banco. Então quais as situações? Existe situação que o CDB não tem liquidez diária, e aí ele só pode resgatar no vencimento, não tem o que fazer, tem que esperar dois anos. Está no contrato que ele assinou junto com o banco. Ou então, pode ser que tenha a opção dele tentar vender no mercado secundário esse CDB. Ele vende, mas por um valor menor e acaba gerando uma perda. Então isso mostra que esse investimento tem baixa liquidez. Esse caso específico, porque é um CDB que não tem liquidez diária, diferente da poupança, porque a poupança tem liquidez diária, você resgata qualquer dia. Tesouro Selic, liquidez diária, você pode vender a qualquer momento e você vai estar sempre amparado pela taxa Selic de mercado. Então sempre muita atenção quando você está investindo em determinado ativo, o quanto ele é líquido pra você evitar o risco de liquidez. O próximo risco, extremamente relevante pra uma boa parte dos ativos financeiros, é o risco de crédito, que é a possibilidade do emissor daquele título não pagar no vencimento. Quando uma empresa lança, por exemplo, uma debêntures e define um prazo de dois anos, o investidor vai comprar essa debênture e depois de dois anos vai receber o quê? O seu capital de volta, mais os juros. Mas imagina que depois de um ano e meio, a empresa quebra, a empresa fali. Você vai ficar sem o seu dinheiro, a empresa não vai ter dinheiro pra te devolver seu capital mais os juros. Aí materializa o risco de crédito, quando a empresa não paga o principal ou juros ou os dois. E esse risco afeta os investimentos de renda fixa, principalmente. Renda fixa privada, como debêntures, CDBs e LCI. Empresas lançam debêntures no mercado de capitais pra captar recurso. Qual é o risco? A empresa falir. Bancos emitem CDBs ou LCIs, letras de crédito imobiliários, emitem esses títulos pra captar dinheiro. Qual é o risco? O banco falir. Mas um banco pode falir? Sim, pode falir. Esse é o grande problema. A gente sempre visualiza grandes bancos, mas existem bancos médios, bancos pequenos que têm o risco de crédito maior. Então esse risco é relevante por esse motivo. Exemplo: o investidor compra a debêntures de uma empresa de médio porte. Não é grande porte, é médio, então o risco de crédito existe. Pra de grande porte também existe. E a empresa promete juros de 12% ao anoSe a empresa tiver dificuldade financeira e não conseguir honrar o pagamento no vencimento, o investidor pode perder parte ou todo o valor. A empresa pode pagar parte ou pode perder todo o valor se a empresa falir, por exemplo. Como que a gente reduz esse risco? Quando o investimento é garantido pelo FGC. Nós já comentamos, é o Fundo Garantidor de Crédito, que garante operações financeiras de investimento até 250 mil. Então se o ativo tem a garantia do FGC, existe o risco de crédito, mas ele é mitigado. Por quê? Se o banco falir, no caso de um CDB, o FGC cobre esse não pagamento. Veja só. Qual outra forma de reduzir esse risco de crédito? Quando o emissor, a empresa, por exemplo, possui uma boa classificação de crédito, o rating de crédito dela é muito bom. Vamos pegar um exemplo, a Vale. Vamos supor que ela tem uma ótima classificação de crédito, um ótimo rating de crédito. Qual é a chance dela não pagar a sua debênture? É muito baixa, porque ela tem uma ótima classificação de crédito. E, em contrapartida, imagina uma empresa X que tem uma classificação de crédito que não é boa, o rating de crédito dela é baixo. Quer dizer o quê? Tem risco de crédito elevado. Você pode até ter uma rentabilidade maior, mas o risco de crédito é mais baixo. Esse é o grande problema. Lembrando: o FGC só vai garantir produtos emitidos pelos bancos. No caso de uma debênture, não tem FGC, porque quem emite é uma empresa. O FGC só serve para títulos emitidos pelos bancos. E outro risco relevante, ou muito relevante também, é o risco de mercado. Esse risco está relacionado a oscilações ou variações nos preços dos ativos ou nas taxas de juros desses ativos, porque essas oscilações vão afetar o valor do investimento. Vamos lá, vamos pensar. Um título tem o seu preço. Quem que dá o preço do título? O mercado. É a famosa lei da oferta e da demanda. Oferta, demanda. Muita demanda vai fazer o preço aumentar, pouca demanda faz o preço cair. Então essa oferta e demanda variando dia a dia, faz o preço oscilar. Vamos pegar um exemplo mais concreto. Ações. O preço das ações variam diariamente. O preço da ação do Banco Itaú está variando todo dia, tem dia que sobe, tem dia que desce. Então quando você investe em ações, você está correndo qual risco? De mercado. O risco é você investir no ativo e o preço desse ativo cair. Se esse preço cai, você está perdendo dinheiro. Então a oscilação já é o risco. E claro, se você compra um ativo numa perspectiva dele aumentar ao longo do tempo, que é isso que o investidor quer, perfeito, mas se ele cair, você vai perder dinheiro. Taxas de juros, mesma coisa. As taxas são dadas pelo mercado. A gente viu o exemplo da taxa do CDI. É o mercado, as operações entre os bancos que vão dar essa taxa, se ela vai ser maior, se ela vai ser menor. Amparada pela Selic, mas ela varia diariamente. Então pode ocorrer mudanças nas taxas de juros, nas taxas de câmbio. O câmbio também tem oscilação diária, a gente sabe que a cotação do dólar versus o real varia diariamente. A inflação está variando também. Então todos esses ativos atrelados a esses fatores de risco contribuem para o risco de mercado. Exemplo: o investidor aplica em Tesouro IPCA+, que é um título público, com vencimento em 2035. Se a taxa de juros aumentar, o preço do título cai no curto prazo, mesmo que o rendimento final esteja garantido. Vamos lá. O preço do título cai quando a taxa de juros aumenta. Por que isso acontece? Porque aquele título pagava 10% ao ano e tinha um preço. Agora, se a taxa de juros aumenta e outro título paga 12% ao ano, menos pessoas vão querer esse primeiro título. Então como tem uma demanda menor, o preço cai. Então toda vez que a taxa de juros aumenta, o preço do título cai. Sempre. No final, você tem garantido a taxa de juros que você combinou? Tem, mas até lá vai ter esse movimento. Toda vez que a taxa de juros aumentar, o preço do título cai. Isso ocorre porque o título de renda fixa sobre variação do preço do mercado, é a lei da oferta e da demanda. Se a gente falar de renda variável das ações, por exemplo, também tem risco de mercado, porque, como eu disse, os valores podem subir ou pode cair conforme o cenário econômico. E como que faz para reduzir o risco de mercado? Em ações, por exemplo, qual que é a recomendação? Diversificar. Diversificar ativos. Então não fica concentrado somente uma ação de uma empresa. Compra de outras empresas, de outros setores, porque quando você diversifica, pode ser que um dos ativos caia, mas outro aumente, aí um compensa o outro. Esse é o conceito inicial da diversificação. Então o que a gente viu aqui no exemplo? Um título público, como o IPCA+, tem risco de mercado. Ações, que a gente está falando de mercado da renda variável, têm risco de mercado. Então a gente consegue ver o quanto esse risco também é relevante.