Eventos corporativos. As empresas são
dinâmicas e possuem diversas atividades,
decisões que são realizadas no dia a dia.
E a gente sabe que numa empresa, principalmente aquela de
capital aberto, ela possui diversos
acionistas. E pra que as decisões sejam
tomadas da melhor forma, existe
algumas assembleias que são realizadas
pra tomada de decisão.
E decorrente disso, surgem os
eventos corporativos, os
acontecimentos que as empresas
precisam realizar. Então eventos
corporativos são decisões que podem
afetar diretamente a empresa, a
sua estrutura, o seu capital ou
mesmo o direito que esses acionistas têm dentro da
empresa.
Por quê? Porque eles podem alterar o valor das ações.
Veja um exemplo.
Se a empresa toma uma decisão estratégica
de lançar um produto inadequado, esse produto
não faz sucesso, o mercado observa isso, o
valor das ações pode
reduzir, pode ter uma queda, uma desvalorização, porque o
mercado viu que esse produto não foi bom, não foi bem aceito.
Então veja, foi uma decisão estratégica relevante que
afetou o valor da ação. E aí pode afetar o
patrimônio dos investidores, se gera
prejuízo com alguma dessas decisões, vai
diminuir o patrimônio desses investidores,
e também o comportamento da empresa no próprio
mercado, como o exemplo que nós comentamos.
Alguns exemplos de eventos corporativos:
a decisão sobre o pagamento de dividendos.
Caso a empresa tenha gerado lucro num determinado
período, ela pode decidir se vai pagar dividendos.
Mas veja, não é uma decisão simples.
A empresa precisa decidir, os seus acionistas
principais precisam decidir se esses recursos vão
ser investidos na empresa pro seu próprio crescimento, pra gerar
mais resultado ou se vai distribuir em forma de
dividendos pros seus acionistas.
É uma decisão que precisa ser muito bem analisada e
avaliada antes de ser feito.
Fusão, incorporação ou cisão.
Se fundir com outra empresa, por exemplo, é uma
decisão extremamente relevante.
Quem precisa tomar essa decisão? São os principais sócios, os
acionistas, os controladores. Então são exemplos de
eventos corporativos. Como que vai se comportar
o valor das ações após a fusão? O
mercado vai entender que a fusão foi boa, os papéis vão
valorizar ou foi ruim, a estratégia não foi adequada
e aí tem a desvalorização das ações.
Então veja que os impactos são extremamente
relevantes.
Então pra essa tomada de decisão, existem dois
tipos de assembleia. A assembleia geral
ordinária, AGO.
Essa assembleia é realizada uma vez
por ano e ela é
obrigatória. Segundo as regras da
CVM, para o bom funcionamento do mercado acionário,
as empresas que têm ação na bolsa precisam
realizar uma vez por ano a AGO, a
assembleia geral ordinária, até o quarto
mês
após o término do exercício social.
Normalmente, no Brasil, o exercício social das
empresas vai de janeiro a dezembro.
Então, quarto mês, até abril, a empresa
precisa realizar formalmente a AGO.
Na AGO, toda análise de desempenho financeiro
da empresa no último ano é avaliado
e são realizadas as decisões, as
deliberações de todos os temas relevantes
e recorrentes da empresa. Por que recorrente?
Aqueles temas que normalmente aparecem pra
tomada de decisão. Todo ano é recorrente, todo ano
os controladores precisam decidir.
Principais funções da AGO:
aprovar as demonstrações financeiras, o balanço patrimonial, o
resultado. Então veja, é recorrente, porque todo
ano a empresa vai preparar e divulgar suas demonstrações
financeiras. Decidir sobre a destinação do lucro e
pagamento ou não de dividendos. Então todo ano, se a
empresa gerou lucro, vai ter essa avaliação.
O que vamos fazer com o lucro? Vamos reinvestir ou vamos distribuir
em forma de dividendos para os acionistas?
Eleger ou reeleger membros do conselho de administração e do
conselho fiscal.
As empresas precisam reavaliar anualmente quem são os membros do
seu conselho de administração, o board, o principal
decisor da empresa é o conselho de
administração. E essa eleição ou
reeleição acontece normalmente uma vez por ano e é
ratificada pela AGO.
E temos também a assembleia geral
extraordinária. Extraordinária por quê?
Ela não tem uma periodicidade definida, ela vai acontecer em
função da necessidade. Se surge um
evento corporativo que é necessário tomar uma decisão
relevante, aí é chamada uma AGE.AGE,
para deliberar sobre assuntos relevantes
que não podem esperar e que por algum motivo, pela data, por
exemplo, não passou na AGO.
Principais características: ela pode acontecer a qualquer momento
durante o ano, sempre que tiver um assunto relevante, um evento
corporativo relevante,
exige convocação formal dos acionistas, então o
acionista vai receber essa convocação.
Cada ação ordinária dá direito a voto, como nós
comentamos, os investidores que têm ON, que têm ação
ordinária nominativa, nas assembleias vão ter o
seu direito ao voto proporcional à sua participação.
E as decisões que acontecem na AGE, e o mesmo na
AGO, devem ser comunicadas à CVM e
à B3.
E quais são os temas mais comuns que aparecem
numa AGE?
Decisões de fusão, incorporação ou cisão de uma
empresa. Então ao longo do ano, surgiu a
possibilidade de incorporar uma outra
empresa ou um concorrente, por exemplo,
é chamada uma AGE, uma convocação
formal pra decidir se essa incorporação faz sentido ou não.
Qualquer alteração no estatuto social da companhia,
a decisão de emitir novas ações, nós vimos
agora,
se é uma empresa que já tem ação no mercado, seria um follow-on
primário, a emissão de novas ações, ou a emissão de
debêntures conversíveis, debêntures que
são títulos emitidos pela empresa também pra captar
recurso. Ou a mudança na administração, desde
que seja relevante, ou também no controle acionário, quem
controla, quem são os acionistas que controlam a companhia.
Vejam que são exemplos de temas realmente relevantes, que podem
impactar a companhia. Qualquer uma dessas situação,
precisa ser convocada uma AGE.
Agora, um resumo, um comparativo entre as duas,
falando de periodicidade. A AGE, como é
extraordinária, é quando necessário, quando surge o evento
corporativo, a AGO já tem uma
pré-definição, ela tem que acontecer uma vez por ano.
Assuntos tratados na AGE,
alterações estruturais, estratégicas dentro da
companhia, e a AGO são assuntos recorrentes,
financeiros. Já sabe que esses assuntos, principalmente
financeiros, aprovação das demonstrações contábeis,
sempre vai acontecer, e vai acontecer na
AGO. Exemplo, um caso de fusão de empresa vai ser
durante uma AGE, aprovação do balanço,
distribuição de dividendos, sempre na AGO.
Obrigatoriedade, a AGE não é obrigatória,
mas a AGO é obrigatória por
lei. E a CVM acompanha de perto essa
questão.