Classificação de investidores e adequação de estratégias
Transcrição
Classificação dos investidores.
Vamos lembrar do processo de suitability, que é o
processo de adequação dos produtos que são
ofertados versus o perfil do
cliente. A ideia principal é que,
primeiro, tenha um entendimento de qual é o
perfil do cliente e depois, tendo essas informações,
o gerente possa orientar
devidamente esse cliente para ter o produto mais
adequado à sua finalidade.
Assim, a gente vai sempre ter uma boa
classificação dos clientes, dos investidores
e saberemos o que ofertar. Então o objetivo é
sempre garantir que o investidor entenda
o seu perfil, compreenda os riscos envolvidos
naquelas operações e que ele faça as
melhores decisões para sua realidade
financeira. Esse é o objetivo principal.
O perfil do investidor é sempre determinado
pelo questionário de suitability
ou pela
API, que é a análise do perfil do investidor.
Lá vão ter as informações que nós vamos
colher do cliente. Como? Quais são os
objetivos de investimento de curto, médio e longo prazo?
Qual é a situação financeira
desse cliente? A sua renda, o seu patrimônio, qual
experiência ele tem no mercado financeiro, em
finanças? Tem clientes que não
conhecem e aí precisa de mais informações, mais
explicações e tem cliente, por exemplo, que se formou em
Economia e tem muito conhecimento, é muito mais fácil do
gerente explicar os produtos de investimento para
esse cliente. Qual a tolerância ao
risco e perdas, mesmo que
temporárias? E qual o conhecimento sobre os produtos
financeiros? Está relacionado aqui com a experiência.
Importante, o perfil do
investidor deve ser periodicamente
reavaliado. Por quê? Porque o
patrimônio, a renda ou mesmo os
objetivos do cliente mudam com o passar do
tempo. Ele vai tendo conquistas financeiras, vai subindo
de cargo, aumenta o salário, algum momento tem uma transição,
ele pode agora se tornar um aposentado, os objetivos
podem mudar. Então tudo isso faz
e gera essa necessidade de revisão do perfil do investidor.
A adequação dos produtos, então, é o processo de
suitability, que é uma exigência da CVM, do
Bacen e da Anbima no seu código de distribuição.
O objetivo é sempre proteger o investidor,
para que as suas
aplicações sempre sejam
compatíveis com a sua realidade financeira.
Etapas do processo de adequação, processo de
suitability. Identificação do cliente, por meio do
questionário do investidor, mapear os
objetivos financeiros de curto, médio e longo prazo,
fazer a seleção de produtos
compatíveis com o seu perfil e prazo.
Veja aqui que a gente avalia a compatibilidade.
Esclarecer o cliente sobre os riscos desse produto e
quais são os riscos envolvidos. Por exemplo, se é um fundo de
investimento, qual que é a taxa de administração, se é
um CDB, qual o imposto de renda que ele vai pagar no resgate.
E fazer as revisões periódicas das alocações de
recurso na carteira desse cliente.
E o papel do profissional financeiro é ser um
consultor e buscar ser
imparcial, não deixar acontecer conflito de interesse com as
suas metas versus o melhor produto que ele deve
ofertar para o cliente. Ele tem que garantir que o cliente,
então, entendeu o produto, entendeu o prazo, o risco,
antes de fazer o seu investimento.
Aí o relacionamento tende a ser cada vez
mais construtivo.
Exemplo prático, perfil conservador, se o objetivo dele é
uma reserva de emergência, os produtos recomendados Tesouro
Selic, CDB e evitar
ações, evitar criptomoedas, produtos de renda variável para
esse perfil. Perfil moderado,
se o objetivo dele é aposentadoria,
ele pode investir em Tesouro IPCA, fundos multimercado, aqui numa visão
de longo prazo. O que ele tem que evitar?
Derivativos alavancados, que investiu
em derivativos, por exemplo, e podem ter perdas relevantes, inclusive no
curto prazo. Perfil arrojado, se o objetivo é
crescimento patrimonial, investir em ações,
fundos de investimento, fundos ETF, para ganhar e rentabilizar no longo
prazo, mesmo que tenha algumas oscilações. O que tem que evitar?
Poupança, porque a rentabilidade é muito baixa, não é isso que ele quer.
Vai ser muito difícil crescer o patrimônio.
Ativos de baixa rentabilidade, como renda fixa, não é isso que ele
quer.
E aí sempre realizar uma avaliação de risco e
retorno, como nós vimos. Se deseja maior
retorno, vai assumir mais risco. Se não quer assumir muito risco,
sabe que vai ter um retorno mais baixo.
Quanto maior o risco, maior o potencial de rentabilidade,
mas também é maior a possibilidade de perda.
É isso que precisa ficar claro
sempre para os
clientesTipos
de risco financeiro que possam surgir
e devem ser explicados para o cliente.
Risco de mercado são as oscilações de preço ou das taxas de
juros. A gente vai ver onde risco de mercado?
Em ações, porque o preço varia em função do mercado, pode
valorizar ou desvalorizar, fundos de renda variável,
por trás do fundo de renda variável estão as ações, então é a mesma
lógica.
Risco de crédito, é a inadimplência do emissor do título.
Debêntures são emitidas por empresas, elas podem quebrar.
CDBs emitido por bancos, eles podem quebrar, principalmente bancos
pequenos, onde a sua capitalização é menor, o risco é maior.
Risco de liquidez, que é a dificuldade de resgatar o investimento
rapidamente quando você quer. Imóveis,
fundos fechados, vejam, você primeiro
precisa vender o imóvel, depois receber para ter o
dinheiro ali na sua conta, isso daí pode demorar muito.
Fundo fechado, como a gente viu, o fundo é fechado, você não
consegue resgatar, você só consegue resgatar na janela que o fundo define
ou no vencimento do fundo.
Risco cambial é o risco da variação de moedas estrangeiras.
Investimentos no exterior,
automaticamente, vai gerar o risco cambial, porque você
já está exposto em outra moeda. Risco legal
regulatório são mudanças em normas ou impostos.
Então fundos internacionais podem ter mudanças na sua
regulamentação e precisa de muita atenção.
Ou mesmo fundos imobiliários, aqui no Brasil, ele é muito
regulado, então precisa avaliar bem os riscos regulatórios
envolvidos.
E diversificação da carteira.
Diversificação é a principal estratégia para reduzir
esses riscos. Acabamos de ver uma série de
riscos que pode ter na nossa carteira, no
nosso investimento. Então a ideia da diversificação é
distribuir os recursos em diferentes
ativos, mas também em diferentes
prazos. Eu vou ter investimento para um ano, investimento para três anos,
investimento para 20 anos. Veja, não são todos com o
mesmo prazo.
Emissores diferentes. Eu tenho um CDB de um banco grande,
tenho CDB do banco médio, eu tenho debêntures, eu tenho fundos.
Veja, se um emissor falir, eu tenho outros.
Então eu não vou perder dinheiro com todos os emissores.
E aí evita a concentração, concentração é o contrário da
diversificação. O que não é ideal?
Concentrar em um único investimento.
Todo o meu dinheiro está na ação da Petrobras.
Se tem um problema operacional de desempenho da
Petrobras, as ações vão desvalorizar.
E aí você vai perder muito, porque você está concentrado em apenas
um emissor.
Benefícios da diversificação. Reduz o impacto de perdas
individuais, que eu acabei de falar.
Se você tem vários emissores e um
gera uma perda significativa, é uma parte da sua carteira, não o
todo. Melhora a consistência dos retornos ao longo do tempo.
Então,
no tempo, se você tem uma perda, a ideia é que
a diversificação mostra que se você tem a perda com o emissor, os outros você
pode ter ganho e aí compensa, mas que no longo prazo,
os estudos mostram que gera mais benefícios
do que perdas.
E permite capturar oportunidade de diferente mercado, por quê?
Se você coloca todo o seu dinheiro em um lugar só, você não deixa
dinheiro disponível para ter liquidez, se surge uma
oportunidade, você tem que se desfazer de todo o seu
investimento para migrar para essa oportunidade.
Se você diversifica, deixa uma parte do dinheiro em CDB de liquidez
diária, apareceu uma oportunidade muito interessante, você resgata o
CDB e migra para essa oportunidade.
Tipos de diversificação. Então a palavra-chave,
não coloque todos os ovos na mesma cesta, lembrar sempre disso.
E aí os tipos
de diversificação, você pode diversificar por classe
de ativo. Então renda fixa é uma
classe, renda variável, multimercado, são classes.
Exemplo,
Tesouro é renda fixa, ações, renda variável,
fundo de investimento imobiliário, renda variável. Está vendo?
São classes diferentes e aqui são ativos
diferentes. Mas você pode diversificar por setor
econômico. Você investe em setores diferentes.
"Eu vou investir em ações, mas quero diversificar os setores". Perfeito.
Compra ações do setor de energia, do setor de banco, do setor de
tecnologia. Você diversificou. Ou por geografia.
Você está aplicando em mercados distintos.
Uma parte do meu dinheiro está no Brasil, outra parte nos Estados Unidos e na
Europa, diversificou. Ou por prazo.
Equilibra curto, médio e longo prazo.
CDB com seis meses, Tesouro com cinco anos,
que é de médio e longo prazo. Veja que interessante, a diversificação a
gente falou por emissor, mas pode ser por classe de ativo,
setor, geografia e prazo.