Investimento por conta e ordem, quando que acontece esse tipo de
investimento? Quando uma instituição financeira
aplica recursos em nome dos seus clientes.
Veja, é a instituição que está aplicando,
ela está representando o seu cliente.
Pensar que tem uma ordem do cliente pra isso acontecer,
mas a titularidade dos ativos é do
investidor final, sempre do cliente.
Exemplo prático: um banco aplica recurso dos seus clientes em
um fundo que é exclusivo. Cada cliente possui uma
parcela individual nesse fundo, mas o registro está no nome do
banco. Então o banco precisa fazer esse controle, que
ele investiu, está no seu nome, mas
pertence ao cliente. Esse tipo de situação é um
investimento por conta e ordem. Como fica a
participação política dessa pessoa que investiu por conta e
ordem? Pensar nas
assembleias de cotistas, por exemplo, nas decisões que
acontecem no fundo, tudo isso se mantém.
Mesmo investindo por conta e ordem, o cotista mantém seus direitos
políticos. Ele pode votar nas assembleias de cotistas,
vai continuar recebendo informações, todos os relatórios do
fundo. A instituição intermediária, o banco, tem
que garantir, então, que a vontade do investidor seja
respeitada. Se ele quiser resgatar a qualquer momento, a
instituição vai realizar o resgate, porque
o banco, a instituição, não decide em nome do cliente.
Ele só tem uma ordem pra ele representar conforme a
sua orientação. Então ele não perde a sua
participação política.
Divulgação de informações. A resolução CVM
175 traz claramente a exigência de
transparência nas informações dos fundos
de investimento. O administrador e o gestor
devem divulgar periodicamente as
informações relevantes sobre o fundo.
Isso é responsabilidade desses dois prestadores de
serviço, administrador e gestor.
Eles têm que manter também os documentos disponíveis
no site oficial da CVM. Lembra que o fundo tem o
registro na CVM e todas
informações vão estar disponíveis
para o investidor. E garantir acesso igualitário a todos os
cotistas. Qualquer cotista, independente se ele tem uma
cota ou 200 cotas, vai ter o mesmo tratamento
dentro do fundo específico.
Envio de informações para os cotistas.
As informações devem ser claras, completas, tempestivas.
O que é tempestiva? É acontecer no momento certo.
Não pode ter atraso no envio dessas informações.
Então quais são as informações que o cotista vai receber do fundo?
Os relatórios de desempenho, pra identificar se o fundo
vem apresentando a rentabilidade que ele esperava,
comunicados quando acontece mudança no regulamento, o regulamento é o
principal documento do fundo, todas informações vão estar
lá, então qualquer mudança tem que ser comunicada pro cotista.
Quando tem convocação de assembleia, assembleia é onde acontece as principais
decisões
que impactam o fundo e os cotistas, o informe de
rendimentos ou amortizações, o quanto de rendimento
aconteceu num determinado período e
envio por e-mail ou plataforma com
comprovação de entrega. Então a preferência é que essas
informações sejam enviadas de forma
eletrônica. Antigamente era muito comum envio através de
cartas.
O fundo deve divulgar, então, a rentabilidade
acumulada e mensal, sempre deixando claro qual o
período, qual a sua composição da carteira, os
principais ativos. Isso é muito importante, porque o
investidor consegue ver se o fundo está seguindo a sua
política de investimento. Olha um exemplo: é um fundo de
ações que pela política de investimento só investe em
ações de primeira linha. E daí o investidor identifica na
composição da carteira uma empresa de segunda linha.
O que quer dizer? O gestor não está seguindo a política de
investimento. É um problema.
O fundo deve divulgar a política de investimento,
normalmente, ali no regulamento, e quais são os
custos e as taxas cobradas, principalmente a taxa de
administração, que é a principal despesa
que o cotista tem num fundo de investimento.
Essas informações devem estar no site do administrador,
no extrato do cotista e registrada nos sistemas
da CVM. Então a gente consegue ver que realmente é
requerido uma transparência grande de
informação pra auxiliar os investidores.
Divulgação de cota e rentabilidade.
A cota do fundo deve ser divulgada
diariamente, na maioria dos casos, ou conforme o
regulamento, em casos de exceção.
O mais comum é divulgação diária. Então,
o valor da cota tem que ser calculado.
Nós já tínhamos visto, vamos reforçar, é o patrimônio líquido
do fundo dividido pelo número de cotas.
O que tem dentro do patrimônio líquido?
O valor atual diário dos
ativos. Esse valor dos
ativosVai descontar
as despesas, principalmente a taxa de administração,
e o que sobra, por isso que é líquido, divide pelo número de
cotas. Aí a gente vai ter o valor de cada cota
naquele dia.
Fundos de renda fixa e multimercado, normalmente a cota é calculada
diariamente e fundos fechados,
aí ele pode ter a cota mensal ou em outra
periodicidade, sempre declarado no
regulamento.
A rentabilidade que é divulgada deve ser
sempre líquida de taxas, então a taxa de
administração é descontada da
rentabilidade, a rentabilidade é líquida.
Imagina que você tem a rentabilidade bruta de 10%
num determinado período, desconta 2% de taxa de
administração, vai dar uma rentabilidade líquida de
8%. A líquida que é divulgada, mas sem
descontar o imposto de renda. Tem que sempre lembrar que
essa rentabilidade líquida ainda não descontou o imposto de
renda. Importante esse ponto, por isso que tem
atenção aparecendo aqui no slide.
Assembleias gerais de cotistas. As assembleias
gerais é onde acontece as principais
decisões sobre o fundo. Da mesma forma que a gente viu as
assembleias para os sócios de empresa, aqui os
cotistas são os sócios de um fundo e têm as decisões a serem
tomadas.
A assembleia geral é realizada pelo menos uma
vez por ano, geralmente até o fim de
abril, porque fecha o exercício de janeiro a dezembro e
até abril ela é realizada. O que normalmente é
decidido lá? Aprovação das demonstrações contábeis.
Relembrando, um fundo é um CNPJ, é uma entidade que tem as
suas demonstrações contábeis, tem o auditor e elas têm que ser
aprovadas pelos seus cotistas.
Na assembleia geral, é deliberado sobre a substituição de
um prestador de serviço. Vejam, extremamente relevante,
trocar o administrador, trocar um gestor, tem que ser
decidido na assembleia geral, os cotistas têm que participar dessa decisão.
Não pode uma pessoa decidir essa
situação tão relevante. Avaliar mudanças na política de
investimento. Imagina, de novo, um fundo de ações que tem a
política de investir em grandes empresas, mas o mercado não
está bom e aí surge uma oportunidade de investir em
empresas menores que podem gerar rentabilidade.
É uma alteração na política de investimentos original e isso tem que
ser reavaliado pelos cotistas.
A convocação deve ocorrer com mínimo de 10 dias de
antecedência e precisa ser enviada a todos
cotistas.
E nós temos a assembleia especial de cotistas.
Essa acontece em situações
específicas.
Na anterior, assembleia geral, é aquelas situações que sempre
podem acontecer, as situações mais relevantes, mas às vezes não
dá para esperar acontecer a assembleia geral e é necessária uma
assembleia específica. Em quais situações pode ser chamada?
Na alteração de classe ou regulamento,
mudanças de taxa de administração ou na taxa de performance,
liquidação antecipada do fundo, vejam, só situações bem
relevantes, fusão de um fundo com outro
fundo. Então são alguns exemplos de situações em
que pode ser convocada uma assembleia específica de
cotistas. E aí participam apenas os cotistas
afetados por aquela mudança. Na maioria das vezes, pode
afetar todos os cotistas, e daí a
convocação é para todos.