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Amortização do principal e composição das parcelas

Transcrição

Amortização. Amortização é o pagamento realizado gradativamente do valor do principal. Vamos imaginar uma dívida, um empréstimo, e você precisa amortizar essa dívida. A cada mês, você faz um pagamento que vai diminuindo essa dívida, você vai amortizando a dívida ao longo do tempo. Cada parcela que você paga vai ter uma parte pra amortizar o valor do principal, então justamente a amortização, e ainda tem um componente de juros sobre o saldo devedor. Vamos ver um exemplo. Imagina que é um empréstimo de R$ 1000. Na primeira parcela, são calculados juros de 2%, dá 20, e tem a amortização de 250. Esse 250 amortiza os 1000 iniciais que você recebeu desse crédito. A prestação que você vai pagar é 250 mais 20 de juros, então você paga 270. Pro saldo final, vai faltar quanto? 750. Então veja, você paga a prestação de 270, amortiza 250 do principal, falta 250, mas aqui também tem 20 de juros. Segunda parcela, você vai pagar a prestação de 265, amortiza mais 250 do inicial, agora você só deve 500, só que teve os juros de 15, você vai pagar então 265, que é 250 mais 15. Terceira parcela, vai ser 260, porque você vai amortizar 250 e 10 de juros calculado. E aí só falta 250. A última parcela, você vai pagar a prestação de 255, amortiza os últimos 250, cinco de juros, então tá aqui 255, pronto, zerou sua dívida. Veja então que amortização são os valores graduais que você paga pra amortizar, pra liquidar o valor inicial da dívida. Esse é o conceito. Agora, diferença de prazo médio e vencimento. Prazo médio é o tempo médio em que o investidor recebe os fluxos de pagamento de um título. E vencimento é a data final que o valor principal é quitado. Vamos pegar um exemplo. Imagina um título público que você adquiriu e o prazo é prazo de três anos. Prazo, vencimento, três anos. Então tá aqui, vencimento, três anos. Só que esse título paga juros semestrais, paga cupons. E aí fazendo o cálculo, você percebe que foi recebendo cupons, cupons, cupons, cupons, cupons, e antes do vencimento, você já recebeu todo o valor investido. Imagina que você investiu R$ 1000, você só depois de três anos ia receber R$ 1000 mais os juros, mas você veio recebendo cupons, cupons, cupons, cupons, cupons, e antes do vencimento, você recebeu os R$ 1000. Ainda tem um prazo, com dois anos e cinco meses, você recebeu todo o capital que você investiu. Os próximos meses são o seu lucro. Então, esse dois anos e quatro meses é o prazo médio. O vencimento são três anos. O prazo médio é quando o investidor recebe os seus fluxos de caixa, dois anos e quatro meses. Vejam, eles são diferentes. Mas se é um título que não paga cupom, quando você vai receber o seu retorno? Só no vencimento, só em três anos. Então, a diferença entre o prazo médio e o vencimento só vai acontecer quando tem pagamento de cupons. E aí quanto maior o prazo médio, maior o risco de oscilação no preço do título, porque se é um título pré-fixado ou um título que tem algum componente de taxa pré, como IPCA+, tem o risco de mercado. Maior o prazo médio, maior a oscilação. Se você recebe antes o seu retorno, menor é o risco de mercado. Se você recebe lá na frente o seu retorno, maior o risco de mercado. Exemplo, um título que paga cupons semestrais tem prazo médio menor, dois anos e quatro meses, que um título que paga no vencimento, três anos. O investidor recupera parte do dinheiro antes. Então sempre que tiver um título que paga cupons semestrais, o prazo médio é menor do que aquele título que paga só no vencimento.Taxa interna de retorno, TIR, é a taxa que vai igualar o valor presente das entradas e as saídas de caixa de um investimento. É a rentabilidade percentual de um investimento, considerando todos os fluxos, os fluxos de pagamento e os fluxos de recebimento. Se a gente está falando de um investimento em um título, a gente só vai ter o fluxo de recebimento. Mas eu posso ter um projeto que eu tenho pagamento e recebimento e quero calcular a TIR. Se a TIR for maior que a taxa mínima exigida, que a gente pode chamar de custo de oportunidade, o investimento é atrativo. Então numa análise financeira, eu vou calcular a TIR, que é a taxa interna de retorno, e comparo com a taxa mínima exigida. Se for maior, o investimento é atrativo, eu vou fazer. Então, por exemplo, o investidor diz: "Olha, eu tenho várias opções aqui para investir, mas a minha taxa mínima é 15% ao ano". E aí eu vou calcular a TIR de outros investimentos para ver se eu tenho uma taxa de retorno maior que 15%. Se for maior que 15%, o investimento é atrativo. Exemplo, título A, ele tem um preço de compra de R$ 900 e o valor que você vai receber em um ano é R$ 1000. Veja, você paga hoje R$ 900 para ter o título A e lá na frente ele vai te pagar R$ 1000. Qual é o cálculo da TIR? A gente divide 1000 por 900, menos 1. Quando eu divido um pelo outro, dá 1,1111 menos 1, 0,1111 vezes 100% dá 11,11% ao ano. Então a taxa interna de retorno do título A é 11,11% ao ano. E a gente tem o título B, preço de compra R$ 800 e você recebe em um ano R$ 920. Cálculo da TIR, divide 920 por 800, menos 1, dá 1,15 menos 1, 0,15 vezes 100%, 15% ao ano. Pronto. O título A vai gerar uma rentabilidade de 11% ao ano. O título B, uma rentabilidade de 15% ao ano. Qual é melhor? O título B versus o título A. Mas imagina que você tem uma taxa, vou voltar aqui no conceito, uma taxa mínima exigida de 16% ao ano. A conclusão é: nenhum dos dois títulos é atrativo para mim, porque eu já tenho outros investimentos que eu ganho 16%. Nenhum desses está dando, não vou investir. Então você viu que depende da referência que nós temos. Então para a gente reforçar o conceito de custo de oportunidade. É o retorno que o investidor deixa de ganhar quando ele escolhe uma alternativa ao invés de outra. Eu tenho duas alternativas, escolhi uma, não escolhi a outra. A diferença entre elas é o custo de oportunidade. Ela é uma referência para decidir se o investimento vale a pena. Olha o exemplo, se um CDB rende 11% e um Tesouro Selic rende 10%, o custo de oportunidade de investir no Tesouro Selic é de 1%. Eu estou perdendo 1% se eu escolher Tesouro Selic, porque eu poderia ter ganhado 11% no outro. Então é o meu custo de oportunidade. Eu tenho oportunidade, mas tem um custo. E o custo de oportunidade é muito utilizado em análise de projetos, porque eu uso o custo de oportunidade como a taxa mínima de atratividade. Então é dizer: "Eu já tenho investimento que paga 11%. Agora eu tenho que ter um projeto que me dá mais que 11%, porque 11% eu já tenho". Perfeito? É a taxa mínima de atratividade que eu uso como parâmetro. E um último conceito, que é a taxa livre de risco. A taxa livre de risco é: se eu investi o meu dinheiro em um investimento seguro, que tem risco de crédito praticamente nulo, porque se lembra que existe o risco de crédito, se eu colocar meu dinheiro na debênture e a empresa falir, eu perco o meu dinheiro, não tem nem FGC, mas qual é o investimento seguro, com risco de crédito praticamente nulo? Quando eu invisto em títulos públicos federais. Esse tipo de títulos, a gente considera que é um investimento seguro, porque tem a garantia do governo. A chance do governo quebrar é praticamente nula, conceitualmente, dentro de um país. Então, a taxa livre de risco vai ser a base de comparação para eu avaliar outros investimentos. Por quê? Se eu investir em um título do Tesouro e ele me paga 15% ao ano e é seguro, por que eu vou investir em outro título que paga 15% de uma empresa X? A empresa X é menos segura do que o governo. Então para ganhar a mesma rentabilidade, é melhor eu ficar no título do governo, na taxa livre de risco. E às vezes, o cálculo que eu posso fazer é o seguinte: qual é a minha taxa livre de risco? 15%. Quanto que essa debênture da empresa X está pagando? 20%. Perfeito. Então ela está 5 pontos percentuais acima da taxa livre de risco. Perfeito. Então se eu quero ganhar mais, eu vou na empresa. Eu vou assumir mais risco. Se eu não quiser risco, eu fico no Tesouro ganhando 15%. Então esse é o conceito principal que a gente tem que ter quando a gente fala de taxa livre de risco.