Nessa aula, nós vamos falar sobre previdência
complementar e vamos entender os dois
principais produtos, que são PGBL e
VGBL, e qual sua importância.
A previdência complementar é considerada um
investimento. A primeira informação que a gente
precisa guardar é essa, é mais uma
modalidade de investimento que uma
pessoa tem, mas aqui com o objetivo, com a
finalidade de juntar dinheiro pra
sua aposentadoria. É o investimento de longo
prazo para o planejamento financeiro de
longo prazo, como eu disse, especialmente para
aposentadoria. Esse tipo de produto permite ao
investidor acumular recursos e
esses recursos vão rendendo, vão rentabilizando ao
longo do tempo e no final, no prazo que foi
acordado, 10, 20, 30 anos, ter o
resgate desse montante, considerando todo o
principal que você colocou, mais os juros, mais a
rentabilidade em todo esse período.
Uma das principais vantagens é o benefício
fiscal que existe, principalmente no
PGBL, que nós vamos ver em detalhe.
E pensar também que a previdência complementar
ou previdência privada, é um
complemento do sistema de previdência pública, do
INSS.
Todas as pessoas que trabalham, seja
CLT, seja autônomo, é obrigatório
a contribuição ao INSS. O INSS
é um fundo onde ele recebe esses
aportes mensais das contribuições do INSS,
e quando a pessoa se aposenta, seja por
invalidez, por idade, em alguns casos por morte, aí
fica pro beneficiário, a pessoa vai resgatar
esse valor que contribuiu. É a
aposentadoria do INSS que nós conhecemos.
Então essa é obrigatória. Já a previdência complementar ou
privada, não é obrigatória. A
pessoa vai decidir se ela quer fazer, se ela quer
contratar um plano de previdência complementar.
Então aqui, os dois principais planos de previdência que
nós temos no mercado. O primeiro é o PGBL,
que é o Plano Gerador de Benefício Livre, e
VGBL, Vida Gerador de Benefício Livre.
Qual é a ideia, então, dos dois planos?
Como eu disse,
você contrata um desses planos, a gente vai entender as
diferenças, e fazendo aportes periódicos,
você acumula um montante que vai rentabilizando ao longo do
tempo e no final, ou você resgata todo o valor,
todo o montante, ou você vai receber rendas
mensais, como se fosse um
salário, como se fosse valores de aposentadoria, que é a
aposentadoria complementar ao valor que você já vai receber do
INSS.
Esses produtos, os planos de previdência, são
regulados pela SUSEP. Então o
regulador de todas as questões relacionadas à
previdência complementar é a SUSEP.
Não é a CVM, não é o Banco Central.
Mas os fundos que compõem
são regulados pela CVM. Então o
produto PGBL é regulado pela SUSEP,
mas os fundos que vão compor, um
fundo previdenciário que compõe esse produto, por ser
um fundo, tem que seguir regras da CVM.
Isso tem que ficar claro pra não confundir.
Vamos falar então dos detalhes do
PGBL, que é o Plano Gerador de Benefício
Livre, vai gerar benefícios lá na
frente. É uma modalidade de previdência complementar,
conforme nós falamos,
e a grande vantagem do
PGBL é que ele tem um benefício fiscal.
Ele possibilita
à pessoa que contratou, o contribuinte, a
deduzir até 12% da sua renda
bruta anual
da base do Imposto de Renda. Então a gente vai fazer um
cálculo aqui na sequência pra entender como isso funciona, mas
guardar desde já: a principal vantagem do
PGBL é o benefício fiscal de até
12% da sua renda bruta.
Mas
só funciona, só pode fazer essa dedução,
quem declara seu Imposto de Renda pelo modelo completo.
Quem declara pelo modelo simplificado, não é
possível fazer nenhuma dedução, então também não consegue fazer da previdência
complementar. Então veja só,
quando chega um cliente na agência e ele vai
direcionar pra você que quer investir, que
quer contratar um plano de previdência.
A primeira pergunta que você, gerente, deve fazer, ou
atendente, que você deve fazer é: "Você
possui, na declaração do seu Imposto de Renda, o
modelo completo ou modelo simplificado?" Se ele falar modelo
completo, você pode direcionar o PGBL pra ele
usufruirDesse benefício fiscal que nós estamos
comentando. Então, qual é o público-alvo?
Pessoas físicas que fazem a declaração completa do
imposto de renda,
profissionais autônomos ou liberais que
contribuem para o INSS
e investidores que desejam otimizar o benefício fiscal
durante a fase de acumulação. Usar esse benefício fiscal,
a fase de acumulação é todo o período em
que o contribuinte está fazendo os aportes
no fundo, no PGBL. Então vamos
pegar um caso em que durante 20 anos uma
pessoa faz os aportes no PGBL e depois, quando
acabar esse período de 20 anos, ele vai começar a
usufruir das rendas mensais.
Esses 20 anos representam a fase de
acumulação, é o período que ele está acumulando
recursos para lá na frente ter o benefício.
Um exemplo do benefício fiscal: vamos pegar
uma pessoa, aqui no exemplo, que teve uma renda
bruta dos seus salários no ano de R$
100 mil, então é uma renda tributável.
Sobre esses R$ 100 mil, ela vai pagar imposto de renda.
E ela fez aporte durante o ano, aporte anual
no PGBL de R$ 12 mil. Doze
mil foi o aporte, é exatamente o limite de 12%.
Como ele tem R$ 100 mil de renda, ele
está na faixa do imposto de renda, na maior faixa de
27,5%.
Então vamos comparar, se ele não usar o benefício,
a base de cálculo do imposto é R$ 100 mil.
Se a base de cálculo do imposto é R$ 100 mil e a alíquota é
27,5, ele vai pagar quanto de imposto?
R$ 27.500. É só aplicar a alíquota sobre os R$ 100
mil.
E agora, vamos ver com o benefício.
A base de cálculo dele diminui,
porque desses R$ 100 mil, ele
vai abater os R$ 12 mil, que é o
aporte que ele fez no PGBL. Como ele fez aporte no
PGBL, ele abate da sua base de
cálculo do imposto, essa base diminui.
Então ela sai de R$ 100 mil para R$ 88 mil.
Está aqui. Se a base de cálculo é menor, o imposto vai ser menor.
Então aplicando os mesmos 27,5 aqui, agora
ele vai pagar imposto de R$ 24.200.
Aqui ele pagaria R$ 27.500, isso gerou uma economia
para ele
de R$ 3.200.
Então vejam, é uma economia de imposto de renda
paga
para o governo. Então ele ficou com esses R$ 3.300, ele
não pagou para o governo, ficou para ele.
É uma economia, é o benefício fiscal do
PGBL. Por isso que o exemplo é importante
para entender.
E algumas características do PGBL.
O valor aplicado no PGBL, o valor que você faz o
aporte, pode ser abatido da base de cálculo do
IR,
como a gente viu. No resgate ou no recebimento da
aposentadoria, o imposto de renda vai
incidir sobre o valor total acumulado.
O que é isso? Imagina que você acumulou ao longo dos 20
anos,
principal mais os juros, já considerando o rendimento,
R$ 500 mil. O imposto de
renda, no resgate ou no recebimento da
aposentadoria,
na renda mensal, você vai pagar imposto sobre o total, sobre
os R$ 500 mil.
E por que essa diferença? Porque no
VGBL, o imposto incide somente sobre o
rendimento, não incide sobre o principal.
Essa é uma grande diferença entre os dois.
Então lembrar disso, no PGBL, o imposto
incide sobre o valor total, principal mais rendimento.
É possível escolher, quando você contrata, o regime de
tributação progressivo ou regressivo,
que nós vamos ver na aula seguinte.
Os recursos são aplicados num fundo de previdência,
por isso que a CVM regula
as regras do fundo de previdência, mas
o produto plano de
previdência é um produto regulado pela SUSEP,
e esse fundo de previdência não tem
come-cotas, que é a antecipação do imposto de renda, e não
tem IOF, apenas o imposto de renda.
E um ponto importante é que permite
portabilidade entre instituições sem
incidência de impostos. O que é a portabilidade?
É você trocar de instituição. Você tem o
PGBL com uma determinada seguradora, por algum motivo
você não está gostando ou da política de investimento, ou de alguma
característica, ou do percentual da taxa de administração que está sendo
cobrada, você troca
de instituição. Quando você faz essa troca, você está fazendo a
portabilidade. Ponto importante: só pode fazer a
portabilidade para o mesmo produto.
Se você tem um PGBL, você troca de instituição para outro
PGBL. Se você tem um VGBL, só
troca para outro VGBL em outra instituição, mas
para isso não vai pagar imposto de
renda.Utilização:
é ideal para quem busca um planejamento de longo prazo,
com
vantagem tributária, que é o benefício fiscal que nós falamos.
Agora, VGBL, Vida Gerador de
Benefício Livre. Ele é classificado como um
seguro de vida, que tem um componente de investimento.
Então, ele protege a sua vida
através de um investimento que você faz.
Mas, todo o funcionamento é
exatamente igual ao do PGBL, também é um plano de
previdência. Então, você vai contratar,
num banco, numa seguradora.
Sempre, quem lança o produto é uma
seguradora ou é uma entidade de previdência complementar,
sempre, tanto pro PGBL como pro VGBL,
e você vai fazer os aportes mensais, da mesma forma, por um
prazo, pode ser um prazo de 20 anos.
Após finalizar esse prazo, você vai receber as rendas mensais ou
resgatar o valor total. Exatamente igual ao
VGBL. Mas, ponto de
diferença:
no VGBL, não é permitido
deduzir os aportes
na base do Imposto de Renda. Aqueles 12% de
benefício, não existe.
Mas, em compensação, quando você for pagar
lá no resgate, depois de 20 anos, no exemplo, quando
você for resgatar o seu valor ou começar a receber as
rendas mensais, o Imposto de Renda incide somente
sobre os rendimentos. Então, é uma grande diferença.
No PGBL, o Imposto de Renda
vai incidir
sobre principal mais juros, e no VGBL, ele incide
somente sobre os rendimentos, somente sobre os juros que você ganhou no
período. Público-alvo, pessoas que declaram
Imposto de Renda no modelo simplificado. Lembra que nós falamos?
Se a pessoa declara o modelo completo,
direciona pra ele um PGBL.
Se a pessoa declara o IR no modelo simplificado, direciona um
VGBL. Por quê? Porque não tem o benefício.
Quem é isento de Imposto de Renda ou não contribui para o
INSS de alguma forma, também a orientação é
partir pra um VGBL.
Ou então, imagina uma situação em que o investidor
já tem um PGBL.
Então, ele já tem o benefício máximo dos 12%.
Se ele tiver um outro PGBL, ele não vai ter
benefício, porque ele já está no máximo dos 12%.
Então o que ele tem que fazer? Se ele quer um outro plano de previdência
complementar, ele vai pra um VGBL,
porque se ele tiver outro PGBL, ele não tem o
benefício, só tem no primeiro.
E pessoas interessadas em planejamento sucessório.
Uma outra vantagem dos planos de previdência, é que eles não
vão fazer parte do inventário. Quando a pessoa que tem o
produto
vem a falecer,
esse tipo de investimento
ou seguro, conforme nós falamos, não entra no inventário.
Então é muito mais fácil, no planejamento sucessório,
de quem está ali recebendo os
recursos, os ativos do falecido, não precisa
passar por todo o trâmite do inventário.
É muito mais fácil de receber os valores.
Características, o imposto incide apenas sobre o
rendimento, como a gente falou, e não sobre o total investido, que é o
PGBL.
Também é isento de come-cotas IOF.
Os recursos podem ser resgatados lá no final ou
convertidos em renda mensal, igual o PGBL.
Permite a portabilidade entre planos e seguradoras,
ok, mas, como eu falei, se tem um
VGBL e vai fazer portabilidade, só pode fazer pra
outro VGBL de outra instituição.
Os beneficiários recebem o valor diretamente, no
caso de falecimento,
do principal contribuinte, fora do inventário, e isso acelera a
sucessão patrimonial. E ele é mais indicado pra
quem não utiliza o benefício fiscal,
como a gente falou, mas quer investir no longo
prazo e ter uma proteção, um seguro,
pra sua família. Então, as principais características do
VGBL.
E aqui, pra gente guardar, as principais diferenças
entre PGBL e VGBL.
Os dois são produtos de previdência
complementar. O VGBL é classificado como seguro de
vida,
mas todo o formato é muito parecido, muito
similar. Base de tributação, aqui uma
grande diferença, que nós falamos.
No PGBL, o Imposto de Renda incide sobre o
valor total. Todo o capital que foi aplicado,
mais o rendimento. No VGBL, o
Imposto de Renda é apenas sobre o rendimento.
Sobre a dedutibilidade do Imposto de Renda.
No PGBL, sim, é possível fazer até o limite de
12% da renda bruta, que é o exemplo que nós fizemos.
No VGBL, não existe essa dedução. O
PGBL é indicado pra quem declara o Imposto de Renda completo
e o VGBL pra quem declara o modelo
simplificado ou pras pessoas que são isentas de Imposto de Renda,
porque também não vai usar a dedução.
Objetivo principal, planejamento de aposentadoria com
benefício fiscal e acumular um patrimônio visando a
sucessão patrimonial.
Tributação na saída.
Os dois têm o mesmo regime, você vai escolher entre o
regime regressivo ou progressivo.
No VGBL, é a mesma coisa. E pras questões de sucessão,
ambos não entram no inventário,
então facilita muito a sucessão patrimonial.