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Taxas prefixadas, pós-fixadas e híbridas

Transcrição

Vamos reforçar agora a diferença entre taxa prefixada e taxa pós-fixada. Quando a gente fala em renda fixa, a gente vai se deparar com uma das duas. A gente pode até colocar uma terceira, que seria o híbrido. O híbrido é aquele título que tem um componente pós-fixado e um componente prefixado. Um exemplo é o Tesouro IPCA+, porque ele tem a variação do IPCA, que é pós, mais uma taxa de juros fixa, que é pré. Então, conceito de taxa prefixada: é a taxa que você conhece no momento da aplicação. O investidor sabe exatamente e consegue calcular quanto vai receber lá no vencimento. Olha um exemplo muito simples: um CDB prefixado que paga 10% ao ano. Veja, você sabe exatamente que vai ganhar 10% ao ano. Por quê? Porque é uma taxa prefixada, você já sabe, já foi combinada, é isso que vai estar no contrato. Vai garantir esse rendimento de 10%. E veja, independentemente da inflação, se a inflação for de 4% para 10%, não importa, você vai receber 10%. Se tiver mudança na taxa Selic, se a Selic subir muito, não importa, você vai receber 10% ao ano. Se a Selic cair muito, você vai receber 10% ao ano. A gente diz que você trava o rendimento, pode acontecer qualquer coisa que vai receber 10% ao ano. A gente pode pensar inicialmente que travar a taxa em 10% ao ano pode ser sempre muito positivo, porque você garante o rendimento, mas não é. Imagina um cenário que você travou 10% e aí a Selic aumenta para 15%. Se você tivesse um título pós-fixado, você ganharia 15 agora, ao invés de 10, você está ganhando 10. Então tem que tomar cuidado com o movimento da taxa Selic, que você garante o 10, mas precisa avaliar o momento econômico. Por outro lado, as taxas pós-fixadas variam conforme um indexador. Normalmente, o CDI, que é o Certificado de Depósito Interbancário. Relembrando, os bancos fazem empréstimo entre eles e eles combinam a taxa de mercado, isso gera a taxa DI no título CDI, ou atrelado diretamente à Selic ou ao IPCA, que é o Índice de Inflação oficial do governo. Esses são os indexadores mais comuns quando a gente fala de taxa pós-fixada. Você sabe qual é a sua rentabilidade? Você sabe que é um percentual de um indexador, por isso é renda fixa. Então uma taxa prefixada é renda fixa, uma taxa pós-fixada é renda fixa. Mas o rendimento exato, você só vai conhecer no resgate. Lá no resgate, você vai saber qual é o seu rendimento exato. Vamos pegar um exemplo, um CDB que rende 100% do CDI. Ele vai acompanhar a variação da taxa DI do CDI. Se o CDI subir, o retorno aumenta, você vai receber mais. Se o CDI cair, você vai receber menos, porque ele vai acompanhando a variação do CDI. Só um cuidado muito importante: taxa pós-fixada não é renda variável, renda variável são ações. O preço das ações varia no mercado, por isso que é renda variável, aqui é renda fixa. Aqui você sabe qual é o seu indexador, você sabe quanto vai ganhar, 100% do CDI, você só não sabe ainda quanto que é o CDI. Então, essa parte aqui é muito importante. Os títulos prefixados são indicados para cenários de queda de juros. O que isso quer dizer? Se hoje você vai adquirir um título e a Selic está em 10%, você tem que fazer a seguinte pergunta: qual é o cenário daqui para frente? Se é um cenário que o governo, os economistas estimam que a taxa Selic vai cair, vai ter uma queda nos juros, faz sentido você ter um título prefixado e trava a taxa. Hoje é 10% ao ano, você trava, você compra um título prefixado, você está ganhando 10% ao ano. Se a taxa de juros cair para 8% ao ano, você que está ganhando, porque você está ganhando 10 garantido. Agora, se no momento que você vai adquirir o título, é um cenário de alta nos juros, a expectativa de hoje para frente é de altaVocê precisa comprar um título pós-fixado. Por quê? Porque a Selic hoje está 10, e se ela subir pra 13, você vai ter essa alta, o CDI vai aumentar e você vai ganhar essa alta. Isso daqui é muito importante pra você orientar os seus clientes. Vou falar novamente. Cliente quer comprar um título de renda fixa. Hoje, qual é a expectativa dos juros da Selic? Se for uma expectativa de queda de hoje pra frente, indica um título pré-fixado. Se a expectativa de hoje pra frente é de alta na Selic, indica um título pós-fixado. Perfeito? Vamos entender isso com uma visão gráfica. Olha só, vamos colocar esse cenário aqui. Aqui é uma curva real, histórica, da taxa Selic, de janeiro de 2017 até maio de 22. É um extrato pra gente entender o que eu estou falando. Imagina aqui, em maio de 2019, foi antes da pandemia, essa queda aqui, principalmente aqui, essa parte é a pandemia onde a taxa Selic estava em 2% ao ano, veja só, porque ninguém fazia nada, ninguém comprava nada, a Selic caiu muito. Mas vamos lá, maio de 2019, a taxa Selic estava 6,5. Aqui, imagina que já existia um cenário de queda na taxa de juros. Aqui, faz sentido comprar, adquirir qual título? Pré-fixado, porque você compra um título pré-fixado que te paga 6,5% ao ano. E aí, comprou, caiu a taxa de juros, pra você foi ótimo, você continua ganhando 6,5 pelo prazo que você contratou. Agora o outro exemplo. Imagina que você está aqui em maio de 21, a Selic estava em 3,5% e a expectativa era de aumentar a taxa Selic. O que você tem que comprar? Um pós-fixado, porque quando você compra um pós-fixado, a taxa Selic aumenta, o CDI aumenta e você ganha toda essa variação positiva de taxa de juros. Ok? Então é justamente pra ilustrar o que a gente acabou de falar sobre a decisão de comprar um título pré e pós, dependendo do momento da economia. Outro conceito, a taxa de desconto comercial, a gente chama de desconto por fora e ela é usada pra antecipar recebíveis, como duplicatas e notas promissórias. Quando que a gente usa? Imagina que uma empresa fez uma venda a prazo e ela fez um boleto e fez uma duplicata, que a gente chama, é um documento onde o cliente assina e diz que daqui 30 dias ele vai pagar. Ou melhor, eu vou pegar o mesmo exemplo aqui, em três meses. Em três meses, ele vai pagar pra empresa. Olha lá, duplicata no valor de 10 mil, foi a compra do cliente, vence em três meses. E a empresa então entrega o produto pro cliente, mas tem que esperar três meses pra receber. E às vezes ela precisa receber antes. Não dá pra ela esperar três meses, ela precisa pagar o funcionário, precisa pagar o fornecedor. O que ela faz? Ela antecipa esse recebível, ela faz um desconto num banco. Então ela pega essa duplicata de 10 mil, vai no banco. O banco fala o quê? "Olha, eu posso descontar, eu posso te dar dinheiro, desconto essa duplicata pra você, mas eu cobro 3% ao mês, você quer?" A empresa fala: "Perfeito, quero sim". Então vai calcular o desconto comercial. Como que a gente faz? 10 mil vezes 3% ao mês, trazendo 3% decimal é 0,03 vezes três meses, porque é 3% ao mês, mas são três meses. Multiplica tudo isso, dá 900. 900 são os juros cobrados por esse desconto. E aí quanto que a empresa vai receber? Se ela tinha 10 mil, só que vai pagar 900 de juros, ela recebe quanto? 9.100, porque 900 ficou pro banco, o banco cobrou. O banco antecipa pra ela 9.100, dá dinheiro pra ela, fica com a duplicata e ganhou 900 de juros. Daqui três meses, quando o cliente pagar a duplicata, esse dinheiro vai pro banco e finaliza a operação. Então esse é o desconto comercial. E um outro conceito é o prazo de retorno ou payback, em inglês. Ele indica o quê? Indica quanto tempo o investimento leva pra recuperar o saldo aplicado. Você faz um investimento e a pergunta é: qual o payback desse investimento? Daqui quanto tempo você tem o retorno de volta? E quanto menor o prazo, menor o risco de você ter uma perda. Por quê? Se o seu retorno demora muito pra acontecer, algum evento pode acontecer nesse tempo e você gerar uma perda. Então quanto menor esse retorno, é melhor. Vamos ver um exemplo. Um projeto exige investimentos de R$ 1.000 e ele gera R$ 500 por ano. Você investe 1.000 e cada ano recebe 500. Qual é o payback? Payback é de dois anos. Em um ano você recebe 500, no outro ano você recebe 500, 1.000. Pronto, se você investiu 1.000 e em dois anos você recebe 1.000, pronto, o payback é de dois anos. Agora imagina um outro projeto que o payback é de três meses. Muito melhor. Em três meses você já tem o retorno do que você investiu. E se tem um payback de 10 anos, não é bom? É muito tempo pra você ter o seu retorno. E um último exemplo aqui pra gente fechar esse conceito de payback. Imagina que você vai adquirir uma franquia. Você investe R$ 300 mil pra adquirir uma franquia e o retorno, o payback vai acontecer em um ano. Então quer dizer o quê? Em um ano você vai receber valores que vai dar 300 mil, então em um ano você tem de volta o valor investido, daí pra frente você tem lucro. Então um conceito também muito utilizado em análises financeiras.