Conceito de custo médio ponderado de capital.
Primeiro vamos entender que uma empresa
precisa de capital pra ela operar.
E esse capital vem de duas formas: ou dos
sócios, que colocam dinheiro na empresa, principalmente no
início, ou dívida com bancos, dívida com
terceiros. E aí entra capital na empresa.
Então o primeiro passo é esse entendimento: a empresa, para
operar, pode ter capital próprio ou pode ter
capital de terceiros.
Mas quanto custa esse capital?
Quanto custa esse dinheiro que é colocado na
empresa? É isso que a gente vai ver aqui.
Então o custo médio ponderado de capital
é pegar o custo do capital próprio, o
custo da dívida com bancos e terceiros,
e ponderar pra ter um percentual, pra saber qual é o custo do
capital. E a partir daí, se a gente sabe qual é o
custo de capital, qualquer projeto que essa empresa
vai fazer, tem que ser maior que esse custo.
Por quê? Se o projeto gerar um percentual de
rentabilidade menor que esse custo, não faz sentido, porque
está abaixo do custo. É isso que a gente vai ver aqui.
O custo médio ponderado de capital, em
inglês,
é o WACC, ou Weighted
Average Cost of Capital. Pra nós sabermos que é um
termo originário inglês. E ele representa o
quê? O custo médio que a empresa paga,
ou pros donos que colocaram dinheiro, ou pra
terceiros, pra financiar suas atividades usando as
diferentes fontes de recurso, como eu comentei, ou capital próprio
ou capital de terceiros. Então a gente pode falar que
o CMPC é a taxa mínima de
retorno, porque é o custo.
Eu preciso ter projetos na minha empresa que gera
rentabilidade acima dessa taxa mínima de
retorno. Vejam que conceito interessante.
Se eu
tenho projetos que geram retornos acima dessa taxa mínima,
eu vou mantendo o valor da companhia, porque quando eu tiver
projetos que gera rentabilidade abaixo do custo,
eu estou destruindo o valor na minha
companhia. Essa é a forma
de cálculo.
Eu vou explicar a fórmula, mas a melhor forma de
entender é o exemplo que está na sequência, inclusive é mais
fácil de visualizar. Mas vamos lá.
O CMPC, que é o custo médio
ponderado de capital, tem a seguinte fórmula.
Primeiro, o capital próprio
dividido pelo total de
capital, que é o V,
vezes
o custo desse capital. Qual é o retorno esperado
pelos acionistas? O acionista, quando coloca dinheiro
na empresa, espera um retorno. Esse retorno do acionista é o
custo do capital próprio.
Mais
o capital de terceiros sobre o total de
capital,
mais o custo da dívida,
que são os juros pagos aos credores, ao banco,
quanto paga de juros com as dívidas,
vezes 1 menos o IR. A gente desconta
aqui a alíquota do imposto, pra tirar o efeito do imposto
nesse cálculo.
Mas vamos agora, por exemplo, que é mais fácil, bem mais fácil de
entender.
Vamos lá. Uma empresa tem
60% de capital próprio, então de
todo o seu capital,
60% é capital próprio, logo
40% são dívidas com bancos. Então dos 100%,
60 é capital próprio, 40 são dívidas.
O capital próprio tem um custo, que é o retorno dos
acionistas, de 12%.
E a dívida com os bancos tem um custo de
8%. Pronto, com isso a gente já
consegue fazer o cálculo. Veja que a gente
não está considerando o imposto apenas pra simplificar o cálculo.
Agora vamos lá. Aqui, como que a gente calcula o
CMPC?
60% em decimal é 06
vezes 12%.
40% em decimal é 04 vezes
8%. Quando a gente resolve isso,
dá 10,4% ao
ano.
Então, o que quer dizer?
Que esse é o custo médio do capital dessa
empresa. Essa é a taxa mínima. O que a gente
espera? Que qualquer projeto que essa empresa
faça, gere uma rentabilidade acima de
10,4, porque está acima do custo mínimo aqui
esperado. Então qualquer investimento deve render acima de
10,4% pra gerar valor pra companhia.
Se gerar abaixo de 10,4, está destruindo o valor.
Então esse termo é muito usado em análises de
viabilidade de um determinado projeto.
Então esse projeto é viável? Perfeito.
Faz sentido? Faz. Mas qual que é a
expectativa esperada de rentabilidade?
16% de rentabilidade. Ótimo, está acima de
10,4. Vamos seguir com o
projetoÓtimo! Então, vamos
seguir agora pra outro conceito muito importante,
que é o conceito de duration.
Duration tem dois significados que a gente precisa
entender. O primeiro deles
mede quanto tempo o investidor
que adquiriu um título,
leva pra recuperar o valor aplicado.
Um exemplo: você aplica R$ 1000 em um título
público, ele deu um prazo de três anos.
Se você não receber cupons, você só vai
recuperar seus R$ 1000, mais
os juros, no final. Imagina que o prazo é de três
anos, você só vai receber
daqui a três anos, a duration é três anos.
Então toda vez que tem um título que não tem cupom, nem faz muito
sentido acompanhar a duration.
Mas se você investe num título público que paga
cupom semestral,
aí faz sentido calcular a duration, porque você recebe
os juros semestrais. Em algum momento, lá na frente,
você vai ter o retorno do seu valor investido.
Você investe R$ 1000 e vai recebendo juros
que vão se acumulando. Quando esse acumulado der, lá na
frente, depois de dois anos, mais de dois anos,
você já recebeu seus R$ 1000. Pronto, esse
momento é o duration. Então, pelo
primeiro conceito aqui, ele mede quanto tempo, em média, o
investidor leva pra recuperar o valor aplicado, nesse exemplo que eu
dei.
Mas ele também indica
o quanto o preço daquele título, o quanto você está
pagando por aquele título, é sensível à variação de taxa de
juros. Lembra que a gente comentou?
Existe uma correlação inversa entre o preço
do título e a taxa de juros. Toda vez que a taxa de juros
sobe, o preço cai, porque menos pessoas vão querer esse título.
E o contrário, se a taxa de juros cai, o preço sobe, porque ele fica mais
interessante. Então essa variação da taxa de
juros influencia o preço do título e a
duration ajuda a medir isso.
Quanto maior a duration, que é
essa visão de tempo, quanto maior
esse tempo da duration, maior é a sensibilidade
do preço, porque o tempo é maior. Nesse tempo
maior, pode ter mais variações de taxa de juros,
porque é maior o risco de mercado.
E
quanto menor a duration, se você recebe
antes o seu valor aplicado,
menor é o impacto de mudança nas taxas, porque o prazo é menor.
Então se a gente pegar um título com duration de cinco
anos e outro título com duration de dois, o de
duration com cinco anos é muito mais suscetível à
variação da taxa de juros, o risco de mercado é muito maior.
Se você pegar um título com duration de dois, o impacto
de mudança na taxa é menor, porque em dois anos você já recebe o valor
investido.
Então, fica clara essa diferença
entre duration e prazo. O prazo
é o tempo total até o vencimento.
Olha o exemplo:
tem um título que o prazo é de três anos
e a duration considera
quando e quanto o investidor vai receber ao longo do tempo.
Se a duration é dois anos e
cinco meses, é diferente do prazo, porque o prazo é de
três anos e antes disso, com dois anos e cinco
meses, você já recebeu o seu valor aplicado.
Então tem uma diferença entre prazo e duration, que vai ficar mais
claro nesse exemplo. Vamos imaginar um título que
paga cupons semestrais e ele tem uma
duration menor que a de um título que
não paga cupom.
Por que isso? Porque quando tem cupom semestral, o
investidor vai receber o seu valor investido
antes.
Veja só,
o prazo do título, nesse exemplo, tem três anos
e a duration 2,7 anos, é menor.
Por quê? Vamos visualizar aqui.
Imagina que essa NTNB começa
aqui. Você investiu R$ 1000 e o prazo
é de três anos, a data de vencimento é três anos.
Então esse três anos aqui é esse prazo.
E aí vamos calcular a duration. Você vai recebendo
juros a cada semestre. Passa seis
meses, recebe 50, passa seis meses, recebe 50,
já deu 100. Mais seis meses, 150, 200,
300. Imagina que isso daqui é longo, e vai 400,
500, 600. Em algum momento, você vai receber seu 1000
de volta e ainda tem algum prazo.
Esse momento que você recebe seu 1000 de volta, o seu valor
aplicado de volta, é o duration, 2,7
anos, por exemplo. Então veja que a duration é menor que o
prazo do título. Muito
importante esse conceito de duration.