Fundos de investimento imobiliário, os FIIs.
Vamos entender, e a gente começa colocando que os
FIIs são fundos de investimento direcionados
para o mercado imobiliário.
Os investidores colocam seu dinheiro no fundo
e esse fundo vai adquirir ativos que
estão ligados ao setor imobiliário, como
imóveis físicos
ou títulos de crédito que
são lastreados em operações imobiliárias, por
exemplo, LCI
ou CRI, que nós já vimos como
os títulos de renda fixa. Então
o FII permite que o investidor participe de
um mercado imobiliário sem precisar
adquirir um imóvel físico.
A gente vai entender como isso funciona, mas imagina que você
quer
ter um imóvel e receber um aluguel
diretamente.
Você pode fazer isso de duas formas:
uma, comprando efetivamente o imóvel e alugando, e aí você
recebe esse aluguel, ou através de um fundo de
investimento imobiliário.
No caso, se o ativo desse fundo está relacionado a
um
imóvel físico, você vai receber o
aluguel, que é um rendimento mensal do próprio
fundo. Veja que interessante. E além
desse rendimento periódico, como o aluguel,
as suas cotas podem se valorizar ao longo do
tempo. E aí você tem um ganho
do seu capital investido. Então tem duas
formas de você ganhar num fundo de investimento imobiliário, é
isso que a gente vai ver na sequência.
Ambiente de negociação.
Os FIIs são estruturados como um
condomínio fechado. Lembra da classe
aberta, classe fechada? Aqui é uma classe fechada.
O que isso significa? Você não pode resgatar suas
cotas diretamente junto ao fundo.
Você precisa vender essas cotas no
mercado secundário. Existe um mercado secundário para
as cotas dos FIIs e você, lá nesse
mercado, vende suas cotas. Da mesma forma que você
compra e vende uma ação.
Então geralmente é na B3 que isso acontece.
Então você quer adquirir uma cota de um FII, você vai na
B3, escolhe o fundo e adquire. Você quer
se desfazer da sua cota, quer
vender a sua cota, vai no mercado secundário, na B3, e
você faz essa venda. Muito próximo de como funciona o mercado de
ações. Então a negociação é eletrônica, como eu disse,
semelhante às ações,
através de corretoras, da mesma forma.
Então você não consegue comprar sozinho, sempre tem que ter uma corretora
intermediando a sua compra e a sua venda.
A cotação e a liquidez vão depender da oferta e da demanda, a
gente sabe disso. Então o valor da cota
do fundo específico, a cotação
da cota, vai depender da oferta e da demanda, é o
mercado. Veja, o risco de mercado que vai
dizer qual é o preço que você vai pagar, qual é o preço que você
vai vender. Inclusive questão de liquidez.
Tem fundos mais líquidos e fundos menos líquidos.
Precisa tomar cuidado com isso, porque na hora de vender, se
você tem um fundo menos líquido, é mais difícil você
vender. As cotas têm valores
variáveis, refletindo o desempenho dos
imóveis e das receitas do fundo. Então o valor da
cota vai depender do desempenho do imóvel.
Imagina um imóvel que está todo alugado, recebendo seus
aluguéis em dia, essa cota tem um valor.
Agora imagina um outro imóvel que só metade dele está alugado.
Então a receita é menor daquele fundo.
Então a cota vai estar desvalorizada em função do
primeiro exemplo.
E tem uma distribuição mínima obrigatória desses
rendimentos, que é de 95% dos
lucros auferidos. O que isso quer dizer?
Um fundo que tem imóveis
residenciais, comerciais, que aluga e recebe essa
receita,
95% dessa receita tem que ser distribuída para os
investidores, para os cotistas. E essa apuração tem que ser
feita semestral, mas o repasse do
rendimento é mensal para os investidores.
Quais são os riscos inerentes, os riscos relacionados aos
FIIs? Risco de liquidez. Olha lá, eu comentei um pouco.
É a dificuldade de você vender suas cotas lá
no mercado secundário. Se você tem um fundo com
baixa liquidez, você pode ter uma perda significativa no
valor da sua cota. Você consegue vender, mas você tem que
desvalorizar. Então,
os FIIs com baixo volume de negociação, aqueles que não são
muito negociados, tendem a ser menos líquidos.
Logo, procure
fundos de investimento mais negociados.
Esses vão ser mais líquidos, quando você for vender, a liquidez tende
a ser melhor. Risco de crédito. O risco de crédito aqui
está relacionado à inadimplência dos locatários,
aqueles que pagam aluguel para o fundoSe
eles não pagam, materializa o risco de crédito,
materializa a inadimplência, e aí não tem rendimento para
passar para os investidores. Como é que fica?
Ou se é um fundo de investimento que
investe em títulos como CRIs,
caso o emissor do CRI, no
vencimento, não pague principal mais juros,
não vai ter a valorização devida no fundo.
E aí também é um problema de risco de crédito.
Além disso, tem o risco de vacância. O que é isso?
É o risco dos imóveis que pertencem ao fundo ficarem
desocupados. Eu falei, existe a receita do aluguel que
os locatários pagam. Se grande parte do
imóvel não está alugado, está com
vacância alta, o que vai acontecer?
Não vai receber os aluguéis e não vai repassar para os investidores.
Então é o risco de vacância que causa o
não recebimento
do rendimento mensal pelo investidor.
Os FIIs são obrigados a distribuir, no mínimo,
95% dos seus lucros e fazem a
apuração através do seu balanço, das suas demonstrações financeiras.
Esse pagamento
de rendimentos para os investidores é mensal, então quem investe em
FIIs todo mês recebe
esse aluguel, esse rendimento.
Mas ele não é garantido, porque sempre vai
depender da performance dos ativos.
Acabei de falar, se tem uma vacância grande, o que vai acontecer?
Não vai receber
o rendimento mensal.
Os dividendos, que é esse rendimento
recebido mensal pelas pessoas físicas,
são isentos de imposto de renda. Veja que notícia muito
boa! Então o recebimento mensal, que a gente pode chamar de
dividendos, não tem imposto de renda.
Por que não tem imposto de renda? Porque é um fundo de investimento para o setor
imobiliário, o governo quer potencializar o mercado imobiliário e
ele dá esse benefício para quem investe nesse setor.
Tem algumas condições. O fundo precisa ter no mínimo 50
cotistas, as cotas têm que ser negociadas em bolsa ou num
balcão organizado, que não é uma bolsa,
e o investidor não pode possuir mais de 10% das cotas do fundo.
Seguindo essas três condições, os
dividendos vão ser isentos para as pessoas físicas, o que é
muito interessante.
Quais as taxas cobradas pelo fundo de investimento?
Um fundo como qualquer outro,
tem os seus custos operacionais e esse custo é
cobrado dos cotistas. A principal taxa é a taxa de
administração, que vai remunerar o administrador e vai cobrir os
custos de gestão do gestor, que o gestor
aqui vai comprar os ativos, toda a questão de escrituração
desses imóveis, a custódia dos
títulos. Então tudo isso vai estar incorporado na taxa de
administração. Então a taxa mais comum cobrada é a própria taxa de
administração, a mesma que a gente já conhece dos outros fundos.
Mas o fundo pode cobrar, além da taxa de administração,
outras taxas. Por exemplo, taxa de gestão para
remunerar o gestor se ele tiver uma
performance melhor que um benchmark, uma gestão ativa.
Taxa de performance, quando existir um
ganho que supera o indicador de referência, um benchmark, tudo isso vai estar
descrito no regulamento. Pode ter uma taxa de
subscrição, quando o investidor adquire novas cotas em
emissões adicionais, um caso também mais
específico. E pode cobrar taxa de custódia, se não tiver contemplado
na taxa de administração, para o controle e guarda das cotas.
E os FIIs se dividem em três categorias
principais, conforme o ativo que vai predominar
naquela carteira.
Então aqui o tipo do FII, fundos de tijolos.
Principais ativos que esse fundo compra, imóveis
físicos, por isso que a gente fala tijolos, shopping center,
galpões, escritórios, que são
alugados. E qual é a fonte do
rendimento? O aluguel desses imóveis.
Então como que funciona? O fundo recebe
recursos dos seus investidores, dos seus
cotistas, compra imóveis
físicos, aluga esses imóveis e recebe
o aluguel dos imóveis.
Desse rendimento que ele recebeu,
95% tem que
ser repassado para os
investidores, salvo aquelas três condições que nós vimos.
Qual é o principal risco? O risco de vacância.
Por quê? Porque se esses imóveis não estão
alugados na sua totalidade, vai diminuir os
rendimentos.
Ou se tiver inadimplência, se o locatário não pagar o
aluguel na data, também não vai ter rendimento ou vai ter o rendimento menor.
Qual é o perfil de investidor para esse tipo de fundo?
O investidor de longo prazo, porque aqui ele investe em
imóvel e
tende a esperar longo prazo, mas o rendimento que ele
recebe é mensal. Tem também os fundos de
papel.Porque eles não investem em tijolos,
investem em títulos de crédito imobiliário.
O fundo recebe dinheiro dos seus acionistas
e compra títulos.
CRI, LCI, letras hipotecárias, que é
LH.
Qual é a fonte de rendimento? A valorização
desses títulos no mercado, a variação de juros,
correção monetária, isso valoriza os títulos e
gera rendimento para o fundo.
Qual é o risco principal aqui? Ou o risco de crédito
do emissor de título, ou o risco de mercado,
porque esse título está sendo negociado no mercado, ele pode valorizar ou
desvalorizar. Perfil do investidor, de moderado a
arrojado. Veja,
não é direcionado para investidor conservador.
E tem também os fundos híbridos. Aqui é uma
combinação de tijolos e papéis, então é misto.
O rendimento, uma parte vem dos aluguéis dos
imóveis e outra parte vem da valorização
dos juros
pagos pelos títulos de crédito imobiliário.
O risco é diversificado, porque vai ter risco de vacância, de
inadimplência, de crédito e de mercado.
E o perfil é aquele perfil mais equilibrado, que
busca diversificar as suas fontes de rendimento e
os seus riscos.
E sobre a tributação dos FIIs, quais são as
regras? Nós falamos que quem investe no
FII tem duas formas de rendimento e esse rendimento vai
ser tributado. Ou os dividendos, que é o rendimento que ele
recebe todo mês. Para esse rendimento,
as pessoas físicas são isentas, como a gente tinha falado.
Então rendimento mensal, pessoa física é isento.
E o ganho de capital na compra e venda das cotas?
Comprei a cota por 100, vendi por 150, esses
50 é lucro, é rendimento, vai incidir a alíquota de
20% de imposto de renda. Não tem
come-cotas e quem recolhe, igual nas ações,
é o investidor via DARF até o último dia do mês
seguinte à data da venda. Então é assim que
funciona a tributação dos FIIs.