Dentro da infraestrutura do mercado financeiro que nós estamos
comentando, nós temos o sistema de liquidação
de títulos.
No mercado financeiro, existe muita compra e
venda de títulos, títulos públicos, títulos privados,
nós precisamos ter a segurança pra realizar esse tipo
de operação. Então o sistema de liquidação de títulos é
aquele que vai garantir que essas operações
financeiras, de compra e venda dos títulos, foram
concluídas corretamente, que foi transferido o
valor e que o ativo agora foi transferido pra
pessoa que comprou, ou da pessoa que vendeu pra
pessoa que comprou. Esse sistema vai assegurar que após
uma negociação, o comprador receba o
título e o vendedor receba o pagamento, que é o
processo que a gente chama de liquidação
financeira.
Se está sendo feita a compra de um título
e é um título financeiro,
esse registro eletrônico e essa liquidação é só
financeira, só tem a troca da propriedade do título versus o
dinheiro. Mas poderia ser a compra
de um ativo físico. Vamos imaginar, por exemplo,
que está comprando numa bolsa de valores, através de uma
bolsa, mas está comprando e prometendo a entrega
física de sacas de café, por
exemplo. Aí é uma liquidação física, tem que ter a
garantia do pagamento e a entrega física.
Mas claro que a gente está falando que grande parte das
transações são liquidações apenas financeiras.
Esses sistemas reduzem o risco de contraparte.
O que é o risco da contraparte? É o risco de uma
das partes não cumprir sua obrigação.
Então vamos lá,
se uma parte está comprando um título e
uma envia dinheiro e a outra envia
o título, imagina que uma parte envia o
dinheiro e a outra não envia o título, pronto!
Uma contraparte não
cumpriu o que deveria, que era enviar o título.
Pra evitar esse problema, passa pelo
sistema de liquidação de títulos, aí garante
que as duas partes estão fazendo e cumprindo as suas
obrigações. Esse é o principal papel
desses sistemas. E reduz também risco operacional.
Risco operacional é qualquer falha que pode
acontecer no sistema, na conferência dos
valores, nas checagens pra finalizar a
transação. Então essa estrutura ajuda a
reduzir risco operacional também.
Exemplo, o investidor compra um título público lá no Tesouro
Direto. A compra vai ser liquidada
lá no sistema SELIC.
Por quê? O sistema vai confirmar que teve a
transferência do dinheiro desse investidor que está
comprando, ele comprou por R$ 10 mil
uma quantidade de títulos, então ele transferiu dinheiro
e o título agora sai do
governo e vai pro comprador. Ele comprou o título do
governo, o dinheiro vai pro governo e o título agora está
registrado no CPF daquele comprador, daquele investidor.
Isso é uma liquidação financeira.
Então a SELIC é o principal exemplo,
Sistema Especial de Liquidação e Custódia, é o
principal sistema que faz liquidação, que a gente acabou de
dar um exemplo, e a custódia, que é a guarda, registro e guarda dos
títulos públicos. Então sempre que a gente lembrar de títulos públicos, vamos
lembrar da SELIC.
É operado pelo Banco Central e a ANBIMA
também acompanha. SELIC realiza a custódia
eletrônica. E o que que é a custódia?
É o registro digital dos títulos. Quando você compra um
título, a custódia passa a ser sua, o registro agora do
título está no seu nome, e a liquidação financeira, que é o
pagamento e a transferência dessas operações.
Quando o Tesouro Nacional emite títulos e o investidor
compra via Tesouro Direto, o registro desse título e a
liquidação acontece onde? Na SELIC.
É o que a gente falou, títulos públicos,
o registro, liquidação e custódia vai estar na SELIC, e
isso vai garantir segurança, rastreabilidade da operação, a gente sabe quem
comprou, quando, quanto pagou, todo esse registro vai
estar lá na SELIC.
Contrapartes centrais, o que é esse
conceito de contraparte? Algumas
instituições garantem a
intermediação e o cumprimento de operações
entre um comprador e um vendedor.
Aqui a gente está falando, principalmente, de bolsas.
Então as instituições que garantem essa intermediação,
normalmente, são bolsas de valores.
O que elas vão fazer? Elas vão garantir a liquidação
financeira das operações. Vejam,
agora a gente não está falando de título público, por quê?
Se fosse um título público, seria a
SELIC, que a gente acabou de falar.
Se fosse um título privado, seria a
CETIP. Mas aquiSão
ações e derivativos, por exemplo.
Então a gente vai encontrar isso, essa
garantia da liquidação dessas operações de
ações e derivativos, onde? Na B3, na câmara de ações da
B3.
Ela vai garantir a liquidação das operações financeiras.
Então se você compra e vende uma ação, tem que transferir
titularidade, onde isso é feito?
Na bolsa, na B3, ela atua como contraparte
central. Central porque ela concentra
essa
intermediação de compra e venda. Tem alguns produtos
financeiros que exigem margem de garantia.
Você adquire um produto, por exemplo,
um derivativo
no mercado futuro ou no
mercado a termo, e você tem margem de
garantia.
Quem chama essa margem, quem exige essa margem
do participante é a contraparte central, no
caso, a câmara de ações da B3.
Outros ativos pedem ajuste
diário, todo dia você precisa
colocar um pouco de dinheiro pra ajustar a margem de
garantia. Quem que pede isso? A bolsa através
da câmara de ações. Então aqui exemplo, lá na B3, a
câmara de ações e derivativos vai atuar como contraparte central.
Ela assegura que tanto a compra quanto a venda,
o comprador e o vendedor, cumpram suas obrigações.
E vejam que interessante, se tiver inadimplência de um dos lados,
a bolsa garante.
Então é muito interessante atuar dentro do
ambiente de bolsa, porque ela como é contraparte central,
ela garante
o
pagamento em caso de inadimplência.
Se você contratou um derivativo com uma outra
contraparte e isso está no ambiente de bolsa, você
tem essa garantia de que vai receber mesmo com a
inadimplência da contraparte, porque essa garantia
está
oficializada pela bolsa, porque ela é uma contraparte
central.
E depositários centrais são as entidades
responsáveis por armazenar e controlar de
forma eletrônica a propriedade de ativos financeiros.
Onde está depositado aquele ativo?
Se tiver no ambiente de bolsa, se a bolsa for o
depositário central, você tem essa garantia.
Olha lá, garante que cada investidor tenha seu título devidamente
registrado no seu nome, protegido contra fraudes ou
perdas. A B3, que é a bolsa, atua como
depositária central do quê? Ações, debêntures e
fundos de investimento. Então vejam,
a garantia é muito forte quando tem a bolsa como depositário
central, vai manter o registro dos investidores, dos
intermediários, o investidor que adquiriu a ação, a
corretora que foi intermediário, tudo isso
registrado lá no depositário central que é a
bolsa.
Então a conclusão que a gente chega aqui, sempre que a
gente está
atuando dentro dos sistemas oficiais, se você está
comprando um título público dentro do
Tesouro Direto, vai passar pela Selic, você tem toda essa
segurança. Se você está comprando uma ação, uma debênture, um fundo de
investimento, tem essa segurança da bolsa,
vai estar registrado, controlado pela bolsa, ou mesmo
no mercado de derivativos, se você está atuando dentro do ambiente
de bolsa, também tem a garantia da contraparte central.
O problema é quando você faz alguma transação fora desses
ambientes, aí você está correndo os riscos que nós
comentamos.