Conflitos de interesse. Os conflitos de interesse podem
acontecer quando o profissional pode
se beneficiar em detrimento do cliente.
Vamos pensar num exemplo:
você tem dois produtos pra oferecer pra um cliente
que quer investir. Você tem um produto
A,
que pela sua análise, pela avaliação do perfil do cliente, ele é
mais adequado. Mas você tem um produto B,
e esse produto B te paga uma
comissão maior, você oferecendo pra esse cliente
e ele contratando, ele oferece uma comissão maior, mas ele não
é tão adequado pro seu cliente.
O que você faz? Uma situação dessa
gera um conflito de interesse. Você
tem interesse em
não beneficiar o cliente com a melhor decisão e oferecer o
produto B. Esse é um exemplo clássico,
tradicional de conflito de interesse, mas a gente vai
entender e ver outros exemplos. Então é muito
importante fazer a gestão adequada desses
conflitos dentro do seu dia a dia. É isso que
pede a ANBIMA, a CVM e o próprio Banco
Central, ele exige que as instituições
tenham políticas claras, regras claras,
inclusive mecanismos de controle e
identificação dessas práticas.
Então, se houver conflitos de interesse, eles têm que
ser identificados e tratados, pra
não gerar problemas e consequências para o cliente,
que depois pode ter uma reclamação formal e
prejudicar tanto a instituição como o profissional.
Relações pessoais. As relações
pessoais podem gerar situações de conflito de
interesse, situações de favorecimento ou
tratamento privilegiado. Imagina que você está atendendo uma
fila de clientes e, por algum motivo, tem um familiar seu.
E aí você pede pro familiar, você chama pra ele ser
atendido primeiro, em detrimento de todos os outros clientes da fila.
Isso não pode acontecer. Por isso que quando tiver alguma
relação pessoal ou familiar dentro da
empresa e, às vezes, por exemplo, marido e mulher trabalham na
mesma empresa, essas relações devem ser
declaradas dentro do banco pra área
adequada, a área de compliance, fazer uma avaliação,
identificar se realmente existe algum conflito de interesse pelo fato
dos dois trabalharem
no mesmo banco e ter uma avaliação formal do que
deve ser feito. Mas vamos ver alguns exemplos de conflito de
interesse. Um gestor de investimentos
compra ativos da empresa de um parente.
A questão é: será que esse ativo realmente é o
melhor? Imagina que ele é um gestor de um fundo.
Será que é o melhor ativo pra aquele fundo, dentre as diversas
opções de mercado? Por que ele comprou a do seu parente?
Então, realmente surgem questionamentos aqui que podem
ocasionar conflito de interesse.
Um colaborador que prioriza o atendimento de familiar em
detrimento de outros clientes, que é o exemplo que eu tinha
falado. Ou outras relações pessoais que
influenciam a decisão de crédito.
Vejam, pelo fato de ser seu parente, você
pode ser mais flexível na avaliação de crédito?
Não deveria. Sua avaliação deve ser estritamente
técnica e não levar em consideração que a pessoa é um
parente. Ou imagina uma situação, se fosse uma
pessoa que não fosse seu parente, dada aquela situação, você negaria o
crédito. E na mesma situação, porque é seu parente, você vai
aprovar.
Então, tem algum interesse aí por trás, e isso não
deve acontecer.
Então as boas práticas são: declarar
formalmente qualquer relação familiar que tenha dentro da instituição.
Como eu disse, o mais comum é trabalhar marido e
mulher na mesma instituição ou pai e
filho,
mãe e filho,
na mesma instituição. Isso acaba sendo bem comum.
Evitar participar de decisões que envolvem pessoas com
vínculo direto. Então, no exemplo que eu dei da avaliação de crédito,
pra você ser imparcial, o que você pode
fazer? Passar essa avaliação pra outro gerente, você não
avalia, o outro gerente avalia, porque é alguém da sua família.
E aí vai ter a devida
imparcialidade, vai ter a devida independência pra fazer o correto
julgamento. Garantir que a análise e aprovação das
operações sigam critérios técnicos transparentes e não
levem em consideração um parentesco, por exemplo.
Tem uma questão importantíssima que é de benefícios ou
incentivos. Aqui a questão é:
você pode aceitar
benefícios,
regalias, presentes dos clientes?
Veja só,
e já indo direto pra resposta.
As empresas, os bancos, normalmente, definem
um valor. A lógica é a seguinte:
se você recebe um presente com valor bem pequeno, por
exemplo, até R$ 100,
não tem problema, pela regra, você pode aceitar.
Mas se você recebe algo de maior
valorA norma interna diz pra
você recusar esse presente, esse
benefício.
Essa costuma ser a norma dos bancos.
Então incentivos financeiros ou não financeiros,
que são oferecidos pelos profissionais, por um
fornecedor, por um parceiro, por um cliente,
isso não deve ser aceito pelo
profissional. Porque mesmo práticas que
aparentemente são inofensivas, ele está pagando
só o almoço,
é só um presente, mas de valor alto, por
trás pode ter um interesse desse fornecedor de querer um
contrato maior com o banco e ele está usando esse
benefício, essa regalia, pra tentar
convencer a pessoa. É isso que não pode acontecer.
Alguns exemplos de conflito nesse sentido:
recomendação de produtos com maior comissão,
mas inadequados ao cliente,
recebimento de presentes,
viagens ou bônus de fornecedor e parceiros.
Como eu disse, qualquer situação dessa, pela norma, deve seguir o
valor máximo. Se o valor máximo é R$ 100,
então um presente de algo que custa R$
300, R$ 500 não deve ser aceito. Uma viagem
não deve ser aceita, algum bônus do fornecedor
direcionado pra pessoa, pro comprador que está
representando o banco, não deve ser aceito.
Houve outras questões de metas comerciais que
incentive a priorização de lucro sob adequação do
produto. Então a gente tem vários exemplos de conflitos,
que às vezes por trás nós temos alguns benefícios que são
oferecidos pro colaborador.
Então como melhor prática, a divulgação é obrigatória,
sempre pensar na transparência, divulgar que
existe o conflito de interesse, porque se você ficar
omisso e depois tiver um problema, você vai ser
questionado pela área de compliance.
Sempre, se
for oferecido pra você um presente acima do valor,
você deve recusar
e, em alguns casos, informar a área de compliance.
Você pode também informar o cliente sobre as comissões e
taxas cobradas, e aí fica claro que você não tem
interesse por trás, porque você está deixando transparente.
Notificar participações societárias.
Às vezes o banco vai fazer uma operação com uma empresa
e você é sócio daquela empresa, você tem que comunicar isso, deixar tudo
bem claro. Relatar relações comerciais que você
tem com alguma empresa que emite produtos
financeiros. Pode ser que você também
tenha alguma relação comercial com o emissor de debênture.
Você
tem interesse em recomendar esse investimento, porque
você tem alguma ligação com a empresa, então evitar essas situações.
E a segregação de funções. Algumas funções devem ser
segregadas dentro da instituição pra evitar o
conflito de interesse.
Alguns exemplos: quem elabora análise de
investimento não deve participar da venda.
Por quê? Porque quem fez a análise
pode direcionar pra um investimento e aí ele pode
direcionar a venda pra algum que ele tem interesse, que ele fez a
análise, que ele julga ser melhor.
Então tecnicamente essas áreas, quem faz a análise e quem
vende dentro do banco, deve ser
segregado, pra justamente não ter conflito de
interesse. A área comercial deve ser segregada da área
de risco e compliance, que faz as análises técnicas. Por quê?
Porque a área de risco e compliance avalia se a
área comercial está atuando dentro das regras, se segue as
políticas de compliance, se segue o suitability.
Imagina só, se eles trabalham juntos, como que vai fazer o
julgamento, se é o colega do lado? Então são áreas
segregadas. E claro, as informações
confidenciais sempre têm que ter acesso restrito.
Algumas pessoas não vão ter acesso à informação do cliente,
então estão segregados. Isso a gente chama de segregação de
função ou tem um termo em inglês pra isso que é
Chinese Wall. É um
paralelo à
Grande Muralha da China, que separa uma parte da China com outra,
Chinese Wall, então segregação de função tem essa
conotação.
É necessário realizar o monitoramento permanente
das políticas pra verificar se as políticas são
atendidas. Quem faz isso? A área de compliance ou mesmo
auditorias. Então auditorias internas e externas
fazem essa avaliação periódica. Existem indicadores de
compliance e alertas que mostram se as políticas estão sendo seguidas.
As políticas têm que ser revisadas a cada 12 meses pra sempre estar
atualizadas. E caso de denúncias de
conflito de interesse,
que chegue à área de compliance, são sempre
avaliadas.
E existe uma instância superior, que é o Comitê de Ética
e Compliance, que são normalmente diretores, um
corpo técnico que avalia, orienta e julga essas
situações de conflito. Então caso existam
situações de conflito dentro do banco, esse comitê vai avaliar e dar o devido
direcionamento. Então ele vai analisar as denúncias, as investigações
que estão sendo feitas, vai definir por aplicar sanções
disciplinares, caso tenha materializado algum problema, vai
aprovar as políticas de integridade e monitorar os
conflitos que são recorrentes. E claro, sempre propondo
melhorias pra resolver essa situação.