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Risco sistêmico e mecanismos de proteção

Transcrição

Risco sistêmico. Quando acontece o risco sistêmico? Quando uma falência de um banco é muito relevante, é uma instituição financeira com porte muito grande dentro de um determinado país, ele pode acarretar perdas em outros bancos, em empresas, porque a sua participação é muito grande dentro daquela economia. Ele acaba gerando uma reação em cadeia no sistema financeiro. Então a preocupação sempre do regulador é não ter uma concentração do mercado bancário em poucas instituições, porque, de novo, a falência de uma grande instituição pode afetar a economia como um todo. Se um grande banco não consegue pagar suas obrigações, outros bancos e empresas ligadas a ele também podem ter problemas e afeta a economia como um todo, a economia real. E o Banco Central sempre vai buscar atuar de uma forma preventiva, prevenir que isso aconteça. Como que ele faz isso? Ele faz auditorias periódicas nos bancos e verifica se o banco tem reserva de capital. O banco tem o seu capital, tem o seu patrimônio e esse patrimônio tem que ser grande o suficiente para evitar perdas. Os bancos, naturalmente, têm perdas. Acontecem fraudes, acontece perdas operacionais, perdas recorrentes de inadimplência. É normal o banco conceder crédito e uma parte das pessoas não pagarem, mas tem que ser uma parte pequena. Se a inadimplência se torna muito grande, consome muito desse capital, da reserva de capital, e o banco quando não tem capital suficiente, pode efetivamente falir. Outro ponto é a liquidez. Nós falamos sobre o conceito de liquidez, o quanto dos ativos de um banco são líquidos, e quando ele precisar de dinheiro, ele tem esse dinheiro para cobrir suas perdas e pagar suas obrigações. O banco fali quando? Quando ele não tem dinheiro para cumprir suas obrigações, aí decreta a falência. Então esses são os dois tópicos que o Bacen acompanha de uma forma muito forte: se o banco tem reservas de capital e se o banco tem liquidez para pagar suas obrigações. Isso evita crises, inclusive crise sistêmica, como a gente está falando. E dentro desse conceito, nós temos o Acordo de Basileia, e nós já tivemos três versões, Acordo de Basileia I, II e III. O Acordo de Basileia é um conjunto de normas internacionais que vão definir padrões mínimos de capital para o banco. Qual é o mínimo de capital que um banco precisa ter para cobrir perdas futuras e assim proteger o sistema financeiro global. Porque se é uma norma internacional, os bancos que seguem o Acordo de Basileia tendem a estar protegidos e protegendo o sistema financeiro, tanto do seu país como global. O primeiro Acordo de Basileia foi em 1988 e ele determinou que os bancos tivessem 8% do capital próprio guardado para problemas futuros, perdas futuras. Então como que é esse cálculo de 8%? De todo o seu ativo, de todos os ativos que o banco tem, faz uma ponderação a risco para ter uma visão de risco e desse todo, 8% ele tem que ter de capital guardado. E o regulador vai acompanhar se a todo tempo ele tem esse 8% guardado para eventuais perdas. Esse conceito foi evoluindo e em 2004, foi criado o Acordo de Basileia II. Esse acordo aprimorou esse cálculo dos riscos, que era muito simples em 88, virou um cálculo mais apurado e ele considera agora o risco de crédito, o risco de mercado e o risco operacional. Então o banco faz um cálculo para todos os seus ativos que têm risco de crédito, faz um cálculo para todos os seus ativos que têm risco de mercado e faz um cálculo para o seu risco operacional. Para esse todo, ele tem que ter um percentual de capital próprio guardado para eventuais perdas. E em uma nova evolução, em 2010, após a crise de crédito de 2008, foi emitido o Acordo de Basileia III, que trouxe regras mais rigorosas, lembrando que alguns bancos tinham falido, regras mais rigorosas para liquidez, para acompanhar a liquidez dos bancos e para identificar os bancos que estão alavancados. Nós acabamos de ver em aulas anteriores esse conceito de alavancagem. Os bancos que tinham muitas dívidas para tentar ganhar dinheiro, eles se alavancaram muito, acabaram falindo e os reguladores passam a acompanhar issoE aí passa a exigir maior percentual de capital e capital de maior qualidade pros bancos enfrentarem suas perdas. E pra gente entender como que é o Índice de Basileia, e esse é o índice que o Banco Central do Brasil e dos outros países acompanha, ele é calculado da seguinte forma: o patrimônio de referência, que é o capital do banco, dividido pelos ativos ponderados ao risco. Pega os ativos, pondera pelos riscos, e é isso que a gente vai ver quanto que está essa relação pra ver se o banco tem capital ou não. Exemplo: se um banco possui R$ 1 bilhão em capital próprio e R$ 10 bilhões em ativos ponderados a risco, a gente divide um por 10, o Índice de Basileia vai ser 10%. Então vejam, o Índice de Basileia desse banco é 10%. No Brasil, o mínimo exigido pelo Banco Central é 11%, mas esse banco tem 10%. O que quer dizer? Ele está abaixo do mínimo exigido. Se esse banco estivesse no Brasil, o Banco Central já tinha questionado ele pra colocar mais capital próprio, porque ele tem muito risco. E aí, esse banco tem que ter no mínimo 11%, ele pode ter 12, 13, 14 e 15, no mínimo 11. As normas então evitam excesso de alavancagem, porque a relação de quanto tem de ativos versus capital é alavancagem. Olha lá, pra quanto capital eu tenho de ativos? É essa relação de um sobre 10, que tem 10%. Quanto maior o índice, quer dizer que eu tenho mais capital pros meus ativos. Quanto mais capital, melhor nessa visão do regulador, que quer mais capital, banco mais protegido. E esse percentual tende a evitar crises de liquidez, fortalecendo o sistema financeiro nacional. É isso que o Bacen busca quando ele pede um Índice de Basileia acima de 11% pros bancos no Brasil, pra ter essa segurança de ter o mínimo de capitalização pra enfrentar os seus riscos mais pra frente.