0%

Open Finance e compartilhamento de dados

Transcrição

Open Finance. Temos um contexto de avanço da digitalização do sistema financeiro e agora com a abertura de dados em que o cliente gera um consentimento, a partir, por exemplo, da LGPD. Ele dá um consentimento que a instituição financeira pode utilizar os seus dados para fins internos. Lógico que não pode divulgar os dados para fora do banco. E isso vem transformando a forma com que os bancos, corretoras e seguradoras interagem com o público. A gente chama essa integração de Open Finance, esse novo ecossistema financeiro, com dados abertos dos clientes e integração tecnológica. E esse consentimento do cliente faz com que a informação dele possa ser acessada por outros bancos. E isso faz com que o mercado tenha mais conhecimento daquele cliente. Vamos ver como isso impacta o mercado e o próprio cliente. Então o Open Finance é uma evolução, o primeiro termo dessa abertura de dados, de informação dentro do mercado financeiro, foi chamada de Open Banking e agora de Open Finance. E a ideia é que seja mais abrangente, não é só uma abertura de dados para os bancos diversos, mas para as outras entidades também. E aí envolve, além dos bancos, fintechs, corretoras, seguradoras, empresas de câmbio, todas essas compartilhando as informações financeiras dos seus clientes, por isso que é mais abrangente. Então o cliente autoriza o compartilhamento das suas informações financeiras entre as instituições, mas claro, de uma forma segura, padronizada e supervisionada pelo Bacen. O Bacen acompanha tudo isso justamente para verificar se está sendo feito dentro do padrão, dentro da segurança necessária. A ideia principal é colocar o cliente no centro do sistema financeiro e o cliente ter controle sobre os seus dados, até porque ele que dá o consentimento. Se ele não quiser dar o consentimento, o mercado não vai ter os dados dele. E por que é interessante? Porque possibilita ao cliente ter a escolha de onde operar. Um exemplo, o cliente tem uma conta num banco específico e ele quer contratar um investimento, só que esse investimento não tem nesse banco, tem só em outro banco. Se ele tem o consentimento dos dados, ele pode acessar esses outros investimentos em outros bancos. Então ajuda o cliente na sua tomada de decisão e ele vai ter liberdade de escolha. Qual produto ele quer desse banco, qual serviço, se ele quer desse banco, se ele quer de outro banco. Então essa é a ideia principal do Open Finance. Dentro desse contexto, tem o Credit Score, que é o score de crédito, é a pontuação de crédito que todos os clientes têm. Com o compartilhamento de dados do cliente entre as instituições, uma análise financeira do cliente se torna mais completa para qualquer banco. É muito melhor, porque antes o banco fazia o cálculo da pontuação de crédito do cliente só com as informações do cliente dentro do banco e alguma informação do Bacen que ele acessava. Agora ele vai ter histórico do cliente em todas as instituições, então é muito mais assertivo para definir a pontuação de crédito do cliente. Então isso gera benefícios, ter uma análise de crédito mais justa, mais precisa, vai acompanhar em tempo real os pagamentos do cliente, os investimentos, a poupança, porque agora também é Open Finance, não é só a questão de ver as operações bancárias. Vai ampliar o acesso ao crédito desse cliente, principalmente quem não tem um longo histórico bancário. Imagina um cliente que tinha histórico muito grande no banco A, só que agora ele foi para o banco B, o banco B não tem histórico, não vai liberar crédito para ele, mas se ele recebe via Open Finance o histórico de dados do cliente no banco A, agora ele tem o histórico todo e pode liberar crédito, porque ele viu que o cliente é bom. Isso gera também redução nas taxas de juros, porque tem mais informação do cliente, é mais fácil ver o cliente que é bom, que é um bom pagador, o banco pode reduzir juros. A avaliação de risco é melhor do cliente, então são vários benefícios. Mas é claro, tem o lado oposto. O cliente que tinha grandes dívidas no outro banco, agora esse banco vai ficar sabendo e não vai liberar crédito para ele. E também, o mercado não quer isso, porque se o cliente ficou devendo lá, o banco de cá também não quer operar com ele. Vantagens sobre a ótica de adimplência financeira, adimplência é o contrário de inadimplência. Inadimplência é não pagar, adimplência é pagar sempre suas contas dentro das datas. O Open Finance vai incentivar hábitos financeiros saudáveis, porque o cliente vai precisar ser saudável, o cliente vai ter um comportamento positivo, o cliente vai ter que pagar suas contasNas devidas datas, porque senão ele vai ser penalizado, como ele já é dentro do banco, mas agora ele vai ser pro mercado todo. Então vantagens: se você tem pontualidade nos pagamentos, vai ter recompensa, vai ter mais acesso a crédito, vai ter transparência maior nessa relação entre cliente e instituição, a instituição conhece mais o cliente. Tende a ter uma redução de inadimplência sistêmica em todo o sistema, porque as decisões vão ser baseadas em dados reais. É muito mais difícil agora um cliente enganar um banco. "Ah, eu fiquei inadimplente no outro banco, agora eu vou trocar de banco pra conseguir mais crédito". Não vai conseguir mais, porque o mercado todo vai saber disso. Consequências no mercado financeiro. Então tem uma democratização do acesso financeiro, o cliente vai poder comparar e contratar produtos de diferentes instituições com facilidade. No seu próprio app, ele vai acionar e vai ver produtos de outro banco, e pode contratar. Inovação e competitividade, fintechs e bancos vão começar a competir, vão oferecer serviços personalizados. Maior competição é melhor pro cliente, o ruim é ter poucos players no mercado, poucos bancos e o cliente tem que escolher um desses. Então se ele tem opções, se tem concorrência, sempre é melhor pro cliente. Tende a ter uma redução de custos e de taxas, porque se o cliente tem mais opções, se tem concorrência, os bancos vão ter que diminuir o custo do serviço financeiro. E é bom pro cliente. Maior segurança e proteção de dados, porque o compartilhamento é sempre feito com o consentimento do cliente e regras rígidas de LGPD, então a segurança sempre vai ter. Atrelado ao conceito de Open Finance, nós temos o Open Investment. É uma extensão desse conceito, mas pro mercado de investimentos. E aí é compartilhar os dados, agora sobre as aplicações, os fundos, carteiras, perfil de risco, entre as instituições financeiras autorizadas. Qual é a vantagem? A portabilidade de produtos de um banco pro outro, consolidação de carteiras em uma única plataforma. Você pode fazer portabilidade e trazer seus investimentos pra uma única plataforma, e de lá você escolhe produtos de vários bancos. Veja que interessante. A assessoria personalizada com base em dados integrados. Antes, a assessoria que alguém te dava era baseada em somente os dados que aquele banco, aquela corretora tinha. Agora vai ter dado integrado, de várias fontes pra ajudar. O assessoramento deve ser maior e melhor, mais profundo. Uma maior concorrência entre corretoras e bancos. A gente acabou de falar, mais concorrência beneficia o investidor porque os custos tendem a diminuir. Maior transparência sobre os custos, rentabilidade e riscos. Você vai poder ver a rentabilidade dos produtos, qual custo é menor, os riscos e tomar a melhor decisão. Tem desvantagem? Sim, quais são os pontos de atenção? Pode ter vazamento de dados se houver falha na segurança. Dados das informações financeiras do cliente, possibilidade de uso indevido de informações sem consentimento. Então, toda essa lógica funciona se tem o consentimento do cliente, se não tiver, se tiver uma falha aqui, se o banco acha que tem o conhecimento e usa a informação, mas o cliente não deu, vai ter problema. E o desafio da educação financeira pro público. O público precisa entender esse modelo, porque um investidor, um cliente pode pensar que o Open Finance é ruim, que outros bancos vão ficar sabendo das transações dele e cadê a privacidade? Mas é o contrário, precisa explicar os benefícios que isso traz, mas isso é uma educação financeira que precisa ter. E o conceito de Open Insurance, e aqui a gente está falando de seguros. Seguros e também previdência. Possibilita compartilhar as informações sobre as apólices de seguro, as coberturas, os sinistros realizados, todo o histórico do cliente entre as seguradoras. Qual é o objetivo? Promover transparência na contratação de seguros. A seguradora vai ver os outros seguros que aquele cliente tem, o histórico de sinistro, porque se o cliente tem pouco sinistro, a seguradora pode cobrar até taxas menores da sua apólice. Pro cliente, facilitar a comparação de produtos entre as seguradoras e ele escolher a melhor pra ele, de menor custo. Estimular inovação em seguros digitais, personalizados, integrar seguros, previdência e capitalização num só ambiente. A mesma ideia, você acessa uma plataforma e tem as opções de seguro, capitalização, previdência de várias instituições e você cliente toma a decisão. Vantagens do Open Insurance, os clientes podem comparar coberturas e preços de forma simples, as ofertas devem ser padronizadas conforme o perfil histórico, porque as seguradoras vão ter mais informação, conseguem personalizar, maior inclusão no mercado de seguros, inovação e integração com Open Finance e Open Investment. Isso sim, também visualizo que cada vez mais essa visão holística de todo cliente, esse Open Finance, então trazendo investimentos, trazendo crédito, trazendo seguros. Mas, também tem as desvantagens. Complexidade técnica na implantação e segurança de dados, necessidade da educação do consumidor, a mesma educação financeira que nós falamos do Open Investment, controlar bem o consentimento, explicar pro cliente a questão da privacidade e a possibilidade de risco de vazamento de informação se não tiver segurança adequada, a proteção adequada para os dados e todo o histórico do cliente.