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Meios de pagamento e infraestrutura digital

Transcrição

Meios de pagamento. Meios de pagamento é o conjunto de sistemas e regras que permite realizar transferência de valores entre quem está pagando e quem está recebendo. Esse conjunto é o meio onde acontece o pagamento. Com o avanço da tecnologia e das fintechs, é cada vez maior as possibilidades de pagamento, a quantidade de empresas de meios de pagamento que surgiram também é grande, porque antes tinha uma dependência muito grande dos bancos, tinha que fazer o pagamento no banco, numa agência, num caixa eletrônico, e agora temos outras possibilidades, mais rápidas, mais seguras e mais digitais. Então a gente tem o pagamento tradicional, via dinheiro físico ou cheque, que praticamente está inexistente, e os eletrônicos, pagamento via cartão, débito e crédito, Pix, carteiras digitais ou mesmo boletos. Principais categorias dos meios de pagamento. Físico: cédulas e moedas. Eletrônicos: cartões de crédito e débito. Digitais: transferência via Pix, carteiras digitais, pagamento via QR Code ou NFC, que é o pagamento por aproximação do celular, por exemplo, ou mesmo do cartão, sem ter que inserir o cartão. E pagamento on-line, são gateways de pagamento ou fintechs de processamento em que você digita as informações e faz o pagamento. Elementos envolvidos num pagamento. Nós temos o pagador, que é o cliente, quem realiza o pagamento; recebedor, normalmente o estabelecimento, quando o cliente faz uma compra; uma instituição financeira, que é a intermediária da operação; e a infraestrutura de pagamento, que é um sistema por onde vai passar o pagamento. Existe um arranjo, a gente vai ver, o arranjo é a regra definida para realizar o pagamento, sai de quem, vai para quem, quem ganha, recebe quanto, em que momento, e processadores para viabilizar essa transação de pagamento. Um arranjo de pagamento é o conjunto de regras, procedimentos e também as instituições que atuam, que vão definir como a transação financeira de pagamento vai ser processada. E esse arranjo, essa definição, é regulamentada pelo Bacen. Quem quer definir um arranjo precisa passar pelo Bacen. Alguns exemplos de arranjo de pagamento. Para cartões de crédito, a gente tem os arranjos da Visa, Master, Elo, American Express. Então o funcionamento de um pagamento via cartão de crédito é através desses arranjos. Cartões de débito, Banco24Horas, Maestro. Transferências instantâneas, o mais importante, o Pix. Quem definiu esse arranjo foi o próprio Bacen, BCB, Banco Central do Brasil. O Bacen definiu como seriam as regras do Pix, em que momento, até que horas. Quando lançou o Pix, à noite tinha muitos assaltos e daí instituiu um horário com limites, tudo isso definido pelo Bacen. Cada um define o seu arranjo. Boletos bancários é o arranjo para fazer a cobrança bancária via boleto, também é um outro arranjo, um outro conjunto de regras. Elementos do arranjo. Então tem quem institui o arranjo, quem define as regras, a Visa, a Master, o Bacen, no caso do Pix. Quem participa desse arranjo, bancos, fintechs, adquirentes, subadquirentes, que a gente vai entender, os emissores de cartão, as regras e os padrões técnicos que devem seguir, qual que são as regras de segurança, quando que vai ser feita a liquidação da transação, interoperabilidade, como que vai operacionalizar tudo isso, e mecanismo de compensação, que é a liquidação financeira. Um vai pagar, como que vai ser transferido esse dinheiro para o estabelecimento e para o instituidor do arranjo? Que percentual fica com quem? Exemplo prático. No arranjo Visa, de cartão de crédito, o instituidor é a própria Visa, ela que definiu as regras, os participantes são os bancos que emitem o cartão Visa, tem os adquirentes, que fazem a conexão com os estabelecimentos, os subadquirentes e o cliente final que vai usar o cartão para efetuar o pagamento. Então nesse arranjo tem todos esses participantes. Adquirente. O adquirente é uma empresa que é responsável por credenciar o estabelecimento comercial, aquele estabelecimento que vai aceitar o pagamento, via cartão, via outro meio eletrônico. Então adquirente é a empresa que credencia o estabelecimento, a loja que vai receber o pagamento via cartão. Ela realiza o processamento do pagamento e a liquidação dessa transação entre o comerciante, o lojista, aqui o estabelecimento, e o emissor do cartão, que é o bancoFunções principais do adquirente: ele intermedia a comunicação entre o banco emissor e o estabelecimento, ele faz essa intermediação. É ele que autoriza a compra, é ele que vai checar para ver se tem limite ou não, efetua a liquidação financeira da transação, garante a segurança e a conformidade regulatória, tudo isso função do adquirente. Alguns exemplos de adquirentes no Brasil: Cielo, Rede, que é do Itaú Unibanco, Getnet, do Santander e a Stone. São exemplos de adquirentes. Para a gente entender um fluxo simplificado de uma operação de pagamento: o cliente realiza a compra com cartão, no estabelecimento, o adquirente autoriza a transação junto ao emissor, que é o banco, o comerciante recebe o valor, menos a taxa de processamento que vai ficar com o adquirente. Qual é a remuneração do adquirente? Recebe uma tarifa chamada MDR ou Merchant Discount Rate, que é um percentual sobre o valor da transação. Então o adquirente, claro, tem seus custos, recebe a sua comissão. E temos o subadquirente. Ele é o intermediário entre o comerciante e o adquirente. É mais uma entidade aparecendo aqui. Principalmente para pequenos negócios e e-commerces, eles entram para auxiliar nesse processo. Então plataformas digitais que têm vários estabelecimentos, como e-commerce, por exemplo, é comum encontrar ali um subadquirente. Ele é um facilitador de pagamentos, vai processar as transações no nome de diversos lojistas, sem ter que ter um contrato desses lojistas com o adquirente, porque cada estabelecimento tem um contrato com o adquirente. Aqui não. Como são pequenos lojistas, ele só usa o serviço do subadquirente, não precisa ter contrato com o adquirente. Exemplos de subadquirentes: PagSeguro, Mercado Pago, PayPal, iFood Pay. Como funciona o fluxo? O cliente paga via cartão de crédito, Pix ou boleto na plataforma, o subadquirente vai processar esse pagamento junto ao adquirente. O valor é repassado ao lojista, lógico, o lojista sempre vai receber, mas desconta as taxas conforme os prazos acordados. Vantagens: acesso fácil às soluções de pagamento digital, usando aqui o serviço do subadquirente, menos burocracia e custo de adesão, quando tem somente o estabelecimento com o adquirente, tem um custo de adesão. Precisa ter um suporte tecnológico integrado, uma API, um checkout, geração de relatórios. Então realmente é mais burocrático quando não tem o subadquirente. E algumas desvantagens: às vezes a taxa pode ser um pouco mais alta, porque tem mais uma entidade aqui, ela precisa receber também, ela faz a intermediação. E tem uma dependência tecnológica da plataforma. Qualquer problema na plataforma relacionado à tecnologia pode impactar o negócio. Então precisa avaliar se realmente aquele subadquirente está numa plataforma confiável.