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Uso consciente do crédito e gestão de dívidas

Transcrição

Utilização de crédito e gestão das dívidas. Vamos pensar sempre que o crédito é uma ferramenta muito útil, porque ela ajuda a antecipar a aquisição de um bem. Imagina você precisar acumular todo o recurso para adquirir um imóvel, a sua casa. Se você contrata um crédito imobiliário, você dá uma parte de dinheiro como entrada e o restante você financia em 20, 30 anos, mas já está morando na casa, você já adquiriu o bem. Então ele ajuda muito para consumo, para aquisição de bens, mas ele deve ser usado com cautela, de uma forma bem administrada. É necessário fazer a gestão das dívidas. Ter esse planejamento vai ajudar você saber o quanto você deve. Você vai conseguir comparar os custos, quais são as taxas de juros que estou pagando. Se você tem algumas operações de crédito, compare, levante no contrato a taxa de juros que você paga ou no aplicativo do banco, e avalie constantemente se tem oportunidade de você renegociar alguma dessas taxas. Então algumas boas práticas para o uso do crédito. Avalie sempre o custo efetivo total antes da contratação. O custo efetivo total é o total de juros e tarifas de despesas financeiras que você gasta num financiamento. Vou dar um exemplo. Imagina que você contrata um crédito imobiliário e a taxa é de 12% ao ano, mas tem tarifas e tem outras despesas financeiras. Na verdade, o seu gasto não vai ser de 12% ao ano, vai ser de 14% ao ano. O 14 é o custo efetivo total, é o total do custo financeiro que você vai ter. Então sempre avalie isso. Priorizar linhas de juros baixos, consignado, créditos que tenham garantia, evitar o uso recorrente do crédito rotativo do cartão de crédito e entrar no cheque especial. Por quê? Porque os juros são muito altos. Quando possível, refinanciar as dívidas caras e trocar por baratas. Se você identifica uma operação com uma taxa de juros muito alta, tenta negociar com o seu banco por uma taxa mais baixa. E usar o crédito para geração de valor, não para consumo imediato. O que é geração de valor? Imagina que você já tem a sua casa. E aí, você acumulou mais recursos, e agora você vê a oportunidade de comprar um outro imóvel para alugar. Veja que interessante, você pode pegar esse montante que você já acumulou, dar de entrada no imóvel, você vai contratar junto ao banco uma nova operação de crédito imobiliário, mas o imóvel é seu, inclusive você pode alugar esse imóvel para alguém. E aí, se o valor do aluguel for maior que a parcela que você paga, é até interessante, porque ainda vai sobrar todo mês algum recurso para você, é uma ótima estratégia. E gestão de investimentos agora. A gente falou de crédito, agora a gente vai falar da gestão de investimentos. Aqui a ideia é alocar os seus recursos ou orientar o cliente na alocação dos seus recursos com segurança, buscando a liquidez que ele precisa e sempre a melhor rentabilidade. Sempre o melhor para o cliente. Alguns princípios para essa gestão. Primeiro, diversificação. Diversificar é distribuir o total de investimentos em ativos diferentes, em classes diferentes, para não concentrar e se tiver uma perda, você perder dinheiro por causa dessa concentração. Então uma parte pode ficar em renda fixa, outra parte dos recursos em renda variável, outra parte em fundos, vejam, classes de ativos diferentes. O investimento deve ser adequado ao perfil, princípio do suitability, respeitar sempre o nível de risco do investidor. Avaliar liquidez versus rentabilidade, tem que ter um equilíbrio. Liquidez é transformar os recursos em dinheiro, mas gerar rentabilidade. Precisa ter um acompanhamento contínuo, que é a revisão periódica da carteira. Como está a composição da minha carteira? Ainda faz sentido? O momento econômico mudou, faz sentido eu trocar alguns dos ativos para algo melhor, que rentabiliza melhor? E sempre caminhar com a educação e transparência, explicar os produtos, explicar os riscos de forma clara para o cliente. O cliente deve compreender a lógica e a relação de risco versus retorno. Esse é um trade-off, que quem estuda finanças aprende desde o início, e ele quer dizer o quê? Que eles caminham juntos, risco e retorno. EntãoSe você quer um retorno maior, você precisa assumir mais riscos. Maior retorno, maior risco. E o contrário, se você quer menos risco, se você quer mais segurança, se você não quer assumir muito risco, o seu retorno vai ser menor. Essa é a lógica do mercado, isso que a gente encontra nos produtos. Vamos lá, eu quero assumir risco, vou colocar o meu dinheiro em ações e aí no tempo eu sei que vai ter oscilação de mercado, mas tende a gerar um resultado positivo. Por outro lado, se você é conservador, coloca seu dinheiro na renda fixa. Você garante uma rentabilidade mínima, mas vai render, você não vai perder. Então, é função do assessor, de quem está atendendo o cliente, explicar essa lógica, essa relação entre risco e retorno, inclusive para ajudar o cliente na decisão que ele vai tomar. E às vezes, o próprio mercado passa por períodos de volatilidade em que o cliente precisa entender essas questões. Às vezes ele aparece: "Olha, coloquei meu dinheiro no fundo e estou perdendo, ele desvalorizou, o que aconteceu?" Ele faz essa pergunta porque ninguém explicou para ele o risco envolvido na operação. Gestão de risco e seguros. As empresas, os bancos, buscam fazer a gestão dos seus riscos de uma forma bem planejada e organizada. E a questão aqui é: por que as pessoas também não fazem? Claro que não é possível generalizar, mas muitas pessoas não sabem os riscos que estão correndo ou, em alguns casos, sabe o risco que corre, mas não busca uma proteção com seguros, por exemplo. Então o primeiro passo para fazer uma gestão de riscos pessoais é identificar quais os riscos. Você pode perder seu emprego, pode perder sua renda principal, você pode perder a renda de aluguel que você tem com aquele imóvel. Como está a sua saúde para questão de uma doença que possa surgir? Então tudo isso deve ser bem avaliado. E aí o principal instrumento que existe para trazer essa proteção é o seguro, porque você transfere o risco que você tem para uma seguradora. Olha o exemplo de um seguro residencial. Você tem o seguro de roubo da sua casa, de um incêndio, por exemplo. Se você tem o seguro, se esse incidente acontecer, você vai ser ressarcido pela seguradora, então você transferiu o risco. Só precisa pagar o prêmio para a seguradora. Então a orientação prática, o seguro deve ser visto como um instrumento para você preservar o seu patrimônio e não somente como uma despesa. Muita gente pensa: "Não vou contratar o seguro porque é uma despesa a mais", mas não está levando em consideração que essa despesa está protegendo para uma perda muito maior que possa ter. Então no planejamento financeiro, na visão holística que temos que ter do nosso cliente, sempre avaliar também os riscos e as opções de seguro que possa existir. Então alguns riscos pessoais que o cliente pode ter. Primeiro, morte ou invalidez, que o problema principal é a perda da capacidade de trabalho. Qual é a estratégia de proteção que ele pode usar? Seguro de vida ou uma previdência complementar. Então ele mitiga, ele se protege contra esses riscos. Outro risco, doença ou acidente. E aí ele vai ter despesas médicas imprevistas. O que ele pode fazer? Um seguro saúde ou ter um plano hospitalar, caso tenha essa doença mais grave, que requer um custo maior, ele está coberto. Desemprego, perda da renda, mesmo que de uma forma temporária. Como a gente viu, qual é a estratégia de proteção? Reserva de emergência. Até ele conseguir um novo emprego, ele tem a sua reserva ali definida. E perda patrimonial, roubo, incêndio, dano a algum dos bens, seguro. Seguro residencial, seguro do automóvel. E por fim, sabemos que temos riscos de mercado, principalmente quando a gente fala de investimentos. E aí são as oscilações que o preço dos ativos podem ter no mercado. Exemplo, ações. A ação pode se desvalorizar no mercado. E a estratégia de proteção é diversificação, como a gente viu, ou direcionar para fundos mais conservadores, que daí você diminui ou evita esse risco de mercado.