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Fundos de fundos e investimento em cotas

Transcrição

Investimento em cotas de outros fundos. Nós comentamos, mas vamos reforçar: um fundo de investimento pode adquirir cotas de outros fundos. Precisa respeitar alguns limites, algumas condições, mas ele pode. E essa prática é conhecida como investimento em fundo subordinado, subordinado a ele, ou fundo de fundos. Existe até um termo em inglês, fund of funds. Então quando você ouvir falar "fundo de fundos", é um fundo que investe na cota de outro fundo. Qual é o objetivo? Por que alguns fundos fazem isso? Ele quer diversificar sua carteira e, em vez de adquirir diversos ativos, ele adquire a cota de um fundo que esse fundo já adquiriu vários ativos. Facilita, inclusive, a gestão do fundo. Ele quer reduzir custos operacionais, de novo, em vez de comprar vários ativos, o fundo compra só uma cota, então tem menos custos, porque é muito mais simples comprar só uma cota e menos custoso. E permite acesso à estratégia de investimentos especializada. Pensa num fundo que já tem uma estratégia definida, o fundo já opera muito bem, já tem um ótimo desempenho. Por que o outro fundo vai replicar tudo isso? É só ele comprar a cota desse fundo. Então são algumas situações que caracterizam a possibilidade de um fundo investir em cotas de outros fundos. Uma outra questão, quando a gente fala de fundos de investimento, é exposição ao risco de capital. Essa exposição vai acontecer quando o fundo, quando o capital daquele fundo, está sujeito a grandes variações no valor de mercado do seu ativo. Um fundo tem os seus investimentos em alguns ativos, esses ativos, em função do próprio ativo, ele pode se desvalorizar muito e gerar perdas relevantes pro cotista. Quando isso acontece, a CVM exige do administrador e do gestor, que são os prestadores de serviços essenciais, um cuidado maior na gestão. E o que eles precisam fazer, então, pra acompanhar essa possibilidade de perda maior? Eles devem mensurar diariamente o valor em risco, ou o VAR, da sua carteira. O que é valor em risco? É uma metodologia estatística que mostra qual a possibilidade de perda num determinado dia. Então todos os dias eles devem mensurar o VAR pra ver se a perda aumentou ou diminuiu, perda potencial. Eles também têm que informar de forma clara qual o nível de risco assumido pela carteira. Por quê? Porque os investidores, os cotistas, têm que saber, de forma clara, qual risco está correndo. Eles devem realizar também teste de estresse periódico pra avaliar o impacto. Teste de estresse é uma simulação da carteira em um ambiente de estresse. Por exemplo, se a taxa Selic cair muito, se o dólar desvalorizar muito, se a inflação subir muito, nesse cenário de estresse, quais seriam as perdas da carteira? Então a CVM também pede essa avaliação. E que o fundo evite níveis de alavancagem. A gente já viu que alavancagem é assumir muito risco, principalmente com derivativos, pra não colocar em risco ainda maior o patrimônio do fundo. Então é uma situação bem interessante de se entender essa disposição ao risco, dado as possibilidades maiores de perdas que podem acontecer. E as classes restritas, o que são classes restritas de um fundo? Elas são voltadas pra um grupo limitado de investidores. Alguns investidores são direcionados pras classes restritas. Normalmente, investidores institucionais, são instituições financeiras ou investidores qualificados, que têm recursos disponíveis para participar, para entrar nessas classes restritas, são restritas pra esse tipo de investidor. Então o público-alvo dessa classe restrita é esse que eu comentei, tudo isso vai estar definido no regulamento, e como são investidores que já conhecem bem o mercado, aqui a gente não está falando de investidor de varejo, do público geral, dispensa certas exigências. Por quê? Porque eles já conhecem, eles já sabem, são responsáveis pelos riscos que vão assumir. Inclusive, esse tipo de classe restrita tem permissão pela CVM pra adotar estratégias mais complexas de investimento, como alavancagem. Então essas classes tendem a se alavancar com derivativos, assumir mais risco, aumentar a possibilidade de perda, inclusive investir em derivativos exóticos, que são derivativos que por natureza têm um risco muito maior que um derivativo comum. Então claramente essa classe não é direcionada pro público de varejo, é direcionada pra quem entende de mercado financeiro e sabe que está correndo um risco maior do que um fundo de investimento tradicional que a gente observa ali no mercado de varejo.