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Orçamento pessoal e fluxo de caixa

Transcrição

Orçamento e fluxo de caixa são instrumentos utilizados pra fazer a gestão, pra fazer o acompanhamento das receitas versus as despesas mensais. E isso ajuda a verificar como está o equilíbrio financeiro e qual vão ser as decisões tomadas a partir dessa visão. O ponto é que poucas pessoas fazem o acompanhamento conforme deveria através do orçamento ou fluxo de caixa pessoal. O fluxo de caixa é o registro das entradas, que são as receitas, entradas de dinheiro, entradas de recurso, e também das saídas, que são as despesas, que normalmente as pessoas têm. Geralmente, o fluxo de caixa é feito numa visão mensal. Então, apura as receitas do mês, as despesas do mesmo mês e apura se gerou sobra ou faltou dinheiro. Então o objetivo é ter visibilidade de como você usa o dinheiro, tanto numa visão pessoal como numa visão familiar. E aí previne algum endividamento que possa surgir, a necessidade de você se endividar ou identifica e mostra pra você sobra de dinheiro que você pode direcionar pra um investimento. Vamos ver um exemplo? Aqui um exemplo pra gente já ilustrar e ter um fluxo de caixa. Por exemplo, aqui essa pessoa tem um salário de R$ 5 mil, também faz alguns trabalhos como freelancer, então tem uma renda extra de R$ 800 e tem alguns rendimentos de investimentos que realiza. Então nesse mês, o total de entradas ou receitas foi de R$ 6 mil, mas também tem as despesas. Então ele tem o gasto com moradia, aluguel e as contas, R$ 2.030, alimentação R$ 900, transporte R$ 400, saúde, lazer e outros, gera um total de R$ 5 mil. Então todas as saídas, todas as despesas que ele computou no mês, totalizou R$ 5 mil. E aí R$ 6 mil menos R$ 5 mil gera uma sobra de recursos de R$ 1.000. Então veja, essa pessoa está numa posição muito boa, por quê? Ela consegue pagar todos os seus gastos, todas as suas despesas e ainda sobrar R$ 1.000. E aí ela vai decidir o que vai fazer com esses R$ 1.000, se ela vai investir em algum produto de investimento, por exemplo. Então por trás disso, nós temos a educação financeira, que é esse processo de criar hábitos e atividades conscientes em relação ao dinheiro. E tem alguns princípios que norteiam a educação financeira. O primeiro deles é planejar, quando você define metas pro seu uso de dinheiro no curto, médio e longo prazo. Por exemplo, no médio prazo eu vou adquirir um veículo, no longo prazo eu vou conseguir comprar minha casa própria. Controlar. Controlar é o que a gente acabou de ver. Eu preciso de ferramentas, eu preciso ter um orçamento, eu preciso ter um fluxo de caixa pra acompanhar mensalmente minhas receitas e minhas despesas. E viu que é relativamente simples, uma planilha Excel onde você pode listar os seus gastos. Poupar, que é reservar uma parte da renda mensal. O exemplo que a gente viu, ele pode poupar R$ 1.000. Investir, que é aplicar efetivamente os recursos conforme o seu perfil. E aí conhecendo o seu perfil, você vai investir no produto mais adequado. Proteger, ter reservas financeiras, estudar, ter produtos de seguros como proteção. E rever. Rever é monitorar, é periodicamente fazer esse acompanhamento. Não adianta você fazer a sua visão de fluxo de caixa no começo do ano e não acompanhar nos outros meses. Tem que sempre rever, porque o cenário econômico muda, o seu perfil muda, então esse rebalanceamento deve ser feito constantemente também. Benefícios de ter uma educação financeira: reduz o estresse e o endividamento, porque se você controla os seus gastos, você evita endividamento. Aumenta a capacidade de investimento. Se você atua de uma forma que faz sobrar dinheiro, você consegue investir. Promove autonomia e segurança financeira e facilita o alcance de grandes projetos na sua vida, por exemplo, comprar a casa própria, conseguir se aposentar com uma renda adequada pra você continuar o seu padrão de vida. Veja que interessante. E pra isso, você pode utilizar algumas ferramentas. Como eu falei, aquelas mais simples, uma planilha Excel, por exemplo, mas nós temos diversos aplicativos de controle financeiro, muitos gratuitos que você pode baixar no celular. Você só precisa alimentar as informações financeiras, da mesma forma que você vai fazer na planilha Excel, e ele mostra, além do resultado, se gerou sobra ou déficit de caixa, ele pode direcionar indicações de investimento, dependendo do aplicativo, e pode mostrar também outros índices de poupança, o quanto você está gastando com cada tipo de gasto, é bem interessante realmente pra controle. Algumas metodologias, como a 50/30/20. O que é isso? É direcionar o quanto você ganha, o total que você ganhaDirecionando 50% pras necessidades, que são seus gastos, suas despesas fixas, como a gente viu, moradia, etc. 30% pra desejos. Olha que interessante, as pessoas gostam de gastar com algumas questões, com desejos, com vontades. Isso é perfeito, desde que esteja dentro de um valor controlado. Então se isso estiver dentro de 30% nessa metodologia, está adequado. E deixar 20% do que você ganha pra poupança e investimentos. E uma outra ferramenta é o orçamento de base zero, pra avaliar a necessidade de despesa antes de gastar. Veja que interessante. Porque de um mês pro outro, se você acompanhar seu gasto e partir do gasto que já existe, ele sempre tende a aumentar. Mas se você partir de um gasto zero e pensar: "Realmente eu preciso ter essa despesa?" Pode ser que você elimine no próximo mês. Esse é o orçamento base zero pra avaliação de despesas. Receitas e despesas. Então, qual é o primeiro passo pra você fazer esse controle, essa organização financeira? Primeiro, é entender quanto você ganha e quanto você gasta, que justamente é o que mostra aquele fluxo de caixa que nós vimos. Então, o que entra nas receitas? Salário, comissões, se você ganha algum tipo de comissão, rendimento dos investimentos, a gente viu lá no exemplo, se já ganha aposentadoria, é uma entrada, aluguel que você recebe, você tem um imóvel alugado, o rendimento do aluguel você recebe e se recebe pensão. Então aqui são exemplos, não é a totalidade, mas exemplos, os principais de receitas que devem entrar na sua planilha. Despesas fixas são aqueles custos recorrentes e previsíveis. Você já sabe que vai ter esse custo. Aluguel, se você tem casa alugada, paga aluguel, todo mês você sabe o valor que vai gastar. Energia elétrica, transporte, escola, tudo isso já está acordado, você já sabe que vai gastar. Mas tem as despesas variáveis, e esse gasto muda mês a mês. Gasto com lazer, vai depender se você teve mais ou menos lazer, alimentação fora de casa, restaurantes, compra de roupas, viagens, tudo isso é variável. E as despesas financeiras, quanto você paga de juros, se você tem crédito contratado, tarifas bancárias, gastos com seguro, seguro de carro entra aqui e impostos. E aí muito importante considerar as despesas financeiras, porque boa parte do nosso salário, dependendo da sua situação, pode entrar aqui como despesa financeira e faz todo sentido entrar no fluxo de caixa. Em resumo, todo dinheiro que você recebe, independente da forma, tem que entrar na sua planilha, todo dinheiro que você gasta, seja dinheiro físico, Pix, cartão de crédito, tudo isso também deve entrar na sua planilha. E como que a gente calcula, então, a capacidade de poupança? Qual é a minha capacidade mensal de poupar? É muito simples. É apurar o total de receitas, que a gente viu, menos o total de despesas. Olha lá, receitas, nesse exemplo, 6 mil, daí despesas fixas 3 mil, despesas variáveis 1500, despesas financeiras 500. Somando aqui 6 mil e abatendo as despesas, sobra R$ 1000. Essa é a sua poupança mensal. Quanto equivale esse R$ 1000 dos 6 mil iniciais? De tudo que você recebe, quanto você consegue guardar? 17%. Então quer dizer que a sua capacidade de poupança é 17% das suas receitas. Então esse mil, você vai poupar de alguma forma, vai investir de alguma forma. Qual é a meta recomendada pra capacidade de poupança? Pelo menos entre 10% a 20% da sua renda líquida mensal. O que é renda líquida? É a renda que você recebe. Não adianta falar que sua renda é 10 mil, mas o que cai na sua conta é 7500. Por quê? Porque 2500 tem Imposto de Renda, INSS, algum outro abatimento que a empresa pode fazer. Então tem que partir do que cai na conta, renda líquida. Então 10% a 20%. E se tiver endividamento, qual é o primeiro passo? Qual é a principal orientação? Eliminar as dívidas caras antes de investir. Não faz sentido você ter uma dívida, um crédito do cartão de crédito, se você está no rotativo do cartão de crédito e separou dinheiro pra investir. Não faz sentido isso financeiramente. Então primeiro elimina suas dívidas, que têm taxa de juros alta, depois vai investir. Dicas pra aumentar a poupança: sempre tentar negociar suas despesas fixas, conta do celular, da internet, seguros, energia, em alguns casos é possível rever o plano, negociar, controlar os gastos supérfluosAutomatizar a transferência de investimento. Veja, pode ter situação que sobra dinheiro, mas você não investe ou demora para investir, surge alguma oportunidade de gasto, você gasta e não investe. Se você faz a transferência automática, você programa todo mês investir R$ 500,00, investir R$ 1000,00, perfeito, você evita isso e garante o investimento. E usar crédito quando você precisar, de forma planejada e responsável. Por quê? Porque o crédito tem um custo e esse custo é alto, a taxa de juros é alta. Então sempre pensar muito bem antes de contratar uma operação de crédito. Gestão de dívidas e crédito, nesse assunto que a gente está falando. É muito importante fazer a gestão de dívidas. Por quê? Para você evitar um comprometimento muito grande da sua renda. A sua renda, se estiver muito comprometida, isso faz com que no tempo fique mais difícil de sobrar dinheiro para investir, porque no tempo você fica pagando mais juros. Existem alguns tipos de endividamento. Endividamento saudável é aquela parcela da sua renda que vai pagar uma parcela de crédito, mas você está financiando um bem. Por exemplo, um financiamento de veículo, uma parcela do crédito imobiliário. Isso a gente diz que são créditos saudáveis. Você está com juros menor por causa da garantia do veículo e do imóvel, é uma transação de longo prazo, mas no final você vai ter o bem para você, quando você terminar o financiamento, o bem está pago, é todo seu. Outro tipo de endividamento é o endividamento excessivo, quando as dívidas comprometem de 30% a 40% da sua renda líquida. Então faça esse cálculo. Se você tem dívidas, todo mês paga parcelas de crédito maior que 30%, 40% da sua renda líquida, você já está com endividamento excessivo. E um superendividamento, quando você não consegue pagar suas dívidas básicas sem comprometer o seu mínimo. Você tem o mínimo de recursos para pagar suas contas e você vê que nem está conseguindo pagar essas contas porque o endividamento está muito alto. É uma situação bem complicada, você precisa renegociar suas dívidas e evitar grande parte dos gastos para realmente não entrar em grandes problemas dado o superendividamento. E alguns passos então para gestão responsável. Primeiro, listar todas as suas dívidas, saber o valor, principalmente a taxa, para identificar as taxas mais altas e aí priorizar o pagamento das dívidas com juros mais altos. Isso é o principal. Renegociar prazos e taxas buscando condições mais acessíveis e, claro, evitar novas dívidas até você ter o equilíbrio financeiro restaurado. Então esse é o passo a passo para você se organizar financeiramente em um cenário de endividamento.