Vamos reforçar o conceito do KYC,
Know Your Customer, ou em português, conheça o seu
cliente. Agora, dentro desse contexto de
prevenção à lavagem de dinheiro.
Então, é entendido que o conheça seu cliente
é uma prática central nesse processo de
prevenção à lavagem de dinheiro.
É uma forma de gerir os riscos financeiros,
evitar perdas financeiras. Vai determinar,
então, que a instituição deve conhecer
profundamente a identidade do seu
cliente,
qual a origem dos recursos que entraram
no banco,
qual o comportamento do seu cliente.
Então não é só uma questão de cadastro, da entrada
do cliente.
É a entrada e toda a vida do cliente,
todo o relacionamento do cliente dentro do banco, até
o encerramento da conta, até o encerramento do relacionamento.
Por quê? O cliente pode entrar na instituição
com dados reais, não surge nenhuma
suspeita, e depois de seis meses ele começa a operar de
uma forma indevida, de uma forma suspeita.
Então no cadastro está tudo certo, mas depois que ele começa a atuar
indevidamente.
O conheça seu cliente é uma ferramenta de
proteção do banco, que vai trazer uma
confiança mútua, tanto para o cliente como para o
banco. Tem que deixar
claro para o cliente, a importância de ter o máximo de
informações dele. E isso, se bem feito, vai
reduzir fraudes, vai reduzir inadimplência, reduzir a
possibilidade de uma penalidade regulatória, porque os
reguladores cobram isso dos bancos.
Vamos falar do cadastro, a importância, veja que aparece aqui como
importante. O cadastro do cliente é um instrumento
fundamental para identificar e validar,
veja, validar quem é a pessoa que a instituição
está se relacionando. A partir daí, é possível
avaliar, inclusive, a
compatibilidade dos recursos que ele movimenta
e identificar a operação suspeita.
Olha o exemplo: um cliente faz o cadastro,
diz que trabalha numa empresa X e ganha R$ 2 mil por
mês. Então o que é esperado? Que todo mês,
um valor em torno de R$ 2 mil caia na conta dele.
Ok, mas depois de oito meses de relacionamento,
começa a cair todo mês R$ 50 mil na
conta. Vejam,
era esperado cair R$ 2 mil, está caindo R$ 50 mil.
Qual a origem dos recursos? O gerente precisa perguntar
para o cliente: de onde vêm esses recursos, qual é a
origem? Porque tem uma incompatibilidade
entre
o que ele declarou, R$ 2 mil, e o que cai na conta.
Então se tornou uma
movimentação suspeita. Quais as
informações mínimas de cadastro que o Banco
Central e a CVM pedem? Interessante a gente saber disso.
Identificação completa, nome, CPF, se for PJ,
CNPJ, data de nascimento ou constituição da empresa.
Endereço e contatos atualizados e comprovados, comprovante de
endereço, ocupação profissional, atividade econômica,
trabalha onde, o que a empresa faz,
declaração de origem dos recursos. "Olha lá, de onde vêm seus recursos?
É do seu salário? Quanto você ganha? R$ 2 mil.
Qual é a comprovação? Holerite." Perfeito, aí comprovou.
Então você tem lá um documento da empresa.
Comprovação de renda para PJ, comprovação de
faturamento,
finalidade da conta e operação. Qual é a
finalidade? Para que você quer a conta? Você vai movimentar para quê?
Que tipo de operação você vem buscar no banco?
Operação de crédito, investimento,
e informações sobre o beneficiário final.
Quando você faz uma transação para alguém, em alguns casos, precisa
saber quem é o beneficiário daquela transação.
Isso é o mínimo para o cadastro
bem feito de um cliente.
Riscos e implicações de um cadastro desatualizado.
Olha que interessante, qual é o problema de ter um cadastro
desatualizado ou incompleto,
faltar informações? Quando isso
acontece, um cadastro incompleto ou desatualizado,
começa a aparecer um risco operacional
regulatório. Operacional, porque faltou informação,
posso tomar decisões equivocadas.
Regulatório, não estou atendendo o que o regulador pede.
Consequências:
falha na análise de risco e suitability.
Como você vai fazer uma boa análise se não tem a informação completa do
cliente? Suitability, que é
oferecer o produto adequado para o perfil do cliente.
Se você não tem informação do cliente, não conseguiu identificar o perfil
dele, como que você vai oferecer o produto, se não sabe o perfil?
É proibido ofertar produto se você
não tem o perfil do cliente, produto de investimento.
Dificuldade para justificar a operação suspeita.
Você vai verificar a operação, R$ 50 mil. Tá, mas qual é a renda dele?
Não tem renda no cadastro. Como você vai saber se é suspeito ou não?
"Ah, mas é R$ 50 mil." Mas e se ele ganha R$ 50 mil?
Ele pode ter um holerite que ganha R$ 50 mil, daí os R$ 50 mil não é
suspeitoSuspeita se ele ganha no holerite R$ 2
mil e está caindo na conta dele R$ 50 mil, aí é suspeito.
Então consequências, pode ter sanções da CVM, do
Bacen ou da ANBIMA, perda de credibilidade do
banco, aumento de exposição a fraudes.
Claro, se você não tem informação do cliente, fica mais fácil das fraudes
acontecerem. Possibilidade do cliente estar envolvido em operação
ilícita, porque você não tem a informação dele.
Cliente fraudador sempre vai querer ter o menos de
informação dele no banco, com certeza.
Vejam só, aquele banco que pede muita informação pro cliente,
aquele cliente que quer fraudar, ele pode até não querer abrir a
conta: "Está muito difícil aqui, deixa eu ir em outro banco que é mais
fácil".
Precisa ter uma atualização periódica
do cadastro. Então pelo menos uma vez a cada
12 meses ou 24 meses,
precisa ter uma
avaliação, uma revisão dessas informações para
atualizar o cadastro, "a renda continua?", "você continua no mesmo
endereço?" Principalmente os casos de risco
elevado. Tem o cliente que foi marcado como
risco elevado, ele é suspeito. A atualização do cadastro
dele tem que ser a cada 12 meses. Risco maior, precisa atualizar
antes.
E também precisa avaliar dentro do KYC,
Conheça seu Cliente, a sua capacidade financeira.
Então não é só o cadastro dos dados
pessoais, dos dados financeiros.
Precisa avaliar a capacidade financeira, qual a capacidade real desse
cliente, por quê? Ele vem no banco para fazer transações, mas qual é a
capacidade dele? Qual é o padrão de movimentação dele?
Está de acordo com a renda? Que é o exemplo que eu coloquei, vamos ver outro.
Um cliente declara renda mensal de R$ 5 mil, mas
realiza transferências internacionais de R$ 200
mil. Espera aí, se a renda dele é de R$ 5 mil, por que ele
faz transferência internacional de R$ 200 mil?
Isso, quando o banco identifica, caracteriza uma
incompatibilidade financeira. E eu só vejo
porque analisei a capacidade financeira dele, eu pedi a renda
comprovada dele. Ele comprovou R$ 5 mil, eu abri a
conta dele. Por que agora ele está movimentando R$ 200 mil?
Então tem que ter uma análise com rigor, questionar o cliente.
Pode ter uma justificativa, e se for uma
boa justificativa, o banco documenta isso, está tudo certo.
E aí quando vem um regulador questionar ou vem uma auditoria, mostra o documento.
Se não, é uma operação suspeita, direciona pro COAF.
E alguns princípios do Conheça seu Cliente, na visão de
proteção, forma de proteção.
Realizar bem feito esse processo de Conheça seu
Cliente evita o envolvimento
em atividades criminosas, que é o que a gente está vendo, lavagem de
dinheiro. Não só lavagem de dinheiro, fraude,
evasão de divisas, corrupção, evita
tudo isso. Reduz o risco de ter
sanções legais e multas que os reguladores
aplicam.
Garante conformidade regulatória, se bem feito,
sempre vai estar em conformidade.
Quando tiver auditoria, quando tiver o regulador questionando,
não vai ter problema. Melhora a credibilidade do
banco, da instituição perante investidor e parceiro.
Aquele banco é conhecido como um banco que tem controles
rígidos sobre prevenção à lavagem de dinheiro.
O mercado vai conhecer, veja aqui como é positivo.
E fortalece o compliance e a governança interna,
porque internamente, todos vão saber que existem
os controles, que os controles funcionam, que lá a fraude é difícil de
acontecer.
E por fim, existe uma questão de proteção do
profissional, porque o profissional
que cumpre esse procedimento do KYC, do Conheça
seu Cliente,
evita ser questionado lá na frente, porque ele fez
tudo que tinha que fazer. Ele fez o treinamento, ele
leu a política, ele atua dentro dos
controles, quando tem
operação suspeita, ele comunica o COAF, ele faz
tudo que ele tem que fazer. Pronto, ele não vai ser
responsabilizado no futuro, porque ele atuou dentro
de tudo que ele tinha que fazer.
Ele não foi conivente, ele não foi omisso.
Então vejam como é positivo atuar dentro das
regras.
Não vai ter problema lá na frente. Quando ele mantém os
registros, mantém o relatório com as informações,
mantém o cadastro atualizado, comprova que ele,
profissional, tem diligência, tem boa fé.
Logo, não vai ser questionado lá na frente.