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Balanço patrimonial pessoal e familiar

Transcrição

Uma outra ferramenta de gestão é o balanço patrimonial, que pode ser feito na visão da pessoa individual ou de toda a família. Da mesma forma, as empresas também apuram o seu balanço patrimonial. É uma forma de diagnóstico financeiro que mostra a situação patrimonial da pessoa ou da empresa, mas é uma visão diferente. O fluxo de caixa, quando nós vimos, o que ele mostra? O total de entradas num determinado mês, as saídas e se sobrou ou não dinheiro. Aqui é uma visão de patrimônio, então nós vamos apurar os ativos e os passivos. Se os ativos são maiores que os passivos, existe um patrimônio líquido. Se o passivo é maior que o ativo, o patrimônio é negativo e aí não é uma boa situação. Então é isso que a gente vai ver nesse exemplo. Patrimônio líquido pessoal, é o resultado da diferença entre o total dos bens, que são os ativos, e o total das dívidas, que são os passivos. Então para apurar o patrimônio líquido, saber se tem patrimônio ou não, qual é o cálculo? Ativos totais menos os passivos totais. A ideia é que o patrimônio cresça ao longo do tempo. Imagina que você apurou o seu patrimônio, tem R$ 100.000. No próximo ano, R$ 200.000. No próximo ano, R$ 350.000. Perfeito, você faz uma boa gestão, você poupa dinheiro, você investe, seus patrimônios estão aumentando, seus ativos estão aumentando ou suas dívidas estão diminuindo. Olha que visão interessante. E aqui um exemplo. Ativos: soma o valor dos imóveis que você possui, os investimentos financeiros, carro, somando isso, nesse exemplo, R$ 800.000. Isso é o total dos ativos dessa pessoa. E agora apurar o total dos passivos, que são os empréstimos e financiamentos. Então, por exemplo, ele pode ter dívida com crédito pessoal, empréstimo que ele tomou, e tem financiamento desse veículo, então precisa abater. Então quando a gente faz 800 menos 200, que são os passivos, gera um patrimônio líquido de 600. Veja, interessante, ele não tem muitas dívidas frente os seus ativos. Então, nesse período que ele calculou, imagina que aqui é o final do ano. Então ele fez esse cálculo em 30 de dezembro de 2025. Legal, 600 mil. Agora ele vai para 2026, terminou o ano, ele apurou o patrimônio, agora o patrimônio dele é de 700 mil. Ótimo, em um ano, o patrimônio dele aumentou 700 mil. Então essa é a visão que precisa ter para apurar o patrimônio líquido. Isso daqui é o balanço patrimonial dessa pessoa. Além disso, existe alguns indicadores que faz sentido serem acompanhados. Eles também medem a saúde financeira de uma pessoa. As empresas calculam indicadores parecidos, mas claro, aqui a gente vai focar no orçamento da pessoa. Então essas métricas, esses cálculos, vão indicar se tem alguma vulnerabilidade, se tem algum ponto que precisa ser melhorado quando a gente olha as finanças de uma pessoa. E ele ajuda para ajustar no planejamento financeiro. Por exemplo, se o indicador mostra que o endividamento dele está muito alto, qual é o planejamento que ele tem que fazer? Reduzir essas dívidas, para sobrar mais dinheiro e investir mais, principalmente para evitar e realizar isso antes de crises. A gente sabe que quando existe uma crise financeira ou a pessoa perde o seu emprego, se torna mais difícil nesse momento de estresse, fazer a gestão financeira. Então vamos conhecer esses indicadores. O primeiro deles é o indicador de liquidez corrente. Como que ele é calculado? Ativos de curto prazo dividido por passivos de curto prazo. O que são ativos de curto prazo? São ativos que você tem, por exemplo, com prazo de um ano. Então você tem investimentos. E aí você tem passivos, você tem dívidas, também. Quanto você tem de dívidas também para o próximo ano. Então você pega seus ativos dentro desse período de um ano, divide pelos passivos de um ano. A ideia é: nesse período, nesse ano, você tem mais ativos do que passivos? Se o resultado for maior que um, quer dizer que você tem capacidade de pagar suas obrigações imediatas dentro daquele ano. Por quê? Você tem mais ativos do que passivos, então você se desfaz desses ativos para pagar os passivos. O problema é se você faz essa conta e dá menor que um. Quer dizer o quê? Você tem mais passivos para serem pagos nesse ano do que ativos. Você vai precisar de ativo para pagarEntão sempre é bom acima de um. Próximo indicador: cobertura de despesas mensais. Como que a gente calcula? Você levanta a sua reserva financeira, que nós já vimos como calcular, e divide pelo total de despesas mensais, pode ser uma média. Reserva dividido pelas despesas. O resultado vai dar quantos meses a pessoa pode viver sem renda, porque a reserva vai pagar as despesas mensais. Quando você faz esse cálculo, se der cinco, quer dizer que durante cinco meses, se você não tiver salário, a sua reserva mensal paga as suas despesas. Se der 10, durante 10 meses, a sua reserva mensal vai pagar as suas despesas. Outro indicador: grau de endividamento. Como que a gente calcula? Você pega as dívidas totais, todas as dívidas, e divide pelos ativos totais. O que ele vai dar? Vai dar um percentual do seu patrimônio que está financiado com dívidas. Então vamos lá, você tem um patrimônio de 100 mil e 40 mil de dívidas. Você vai dividir 40 mil por 100 mil. Esse resultado vai dar 40%. Quer dizer o quê? 40% dos seus ativos estão financiados com dívidas. Se esse percentual der maior que 30, 40 nesse exemplo, 50, 60, é um ponto muito grande de atenção. Você precisa rever seu planejamento financeiro. E o outro indicador é o comprometimento de renda. É você apurar as parcelas mensais de dívidas e dividir pela sua renda líquida e multiplicar por 100. Ideal, tem que ser menor que 30%. O que a gente mostra aqui? O quanto da sua renda está comprometida com as parcelas de crédito. De novo, 30%. Se for abaixo de 30%, é um percentual ideal. Lógico, quanto menor, melhor. Menos dívida você tem frente sua renda. Se for maior que 30, também é um ponto de atenção, a sua renda está muito comprometida. Então vejam que interessante calcular esses indicadores para você, na sua visão de saúde financeira ou mesmo para o seu cliente, o quanto de valor agregado isso daqui gera. Nós temos também o conceito de ativos de uso e não uso, que é um conceito bem interessante. Os ativos de uso representam conforto e estabilidade. Por exemplo, nossa casa. Nossa casa é um ativo de uso. A gente usa para ter conforto. E os ativos de não uso são aqueles ativos relacionados a crescimento patrimonial, mostra sua independência financeira. Por exemplo, uma casa alugada. Você comprou o imóvel, mas agora está alugado e você recebe receita, recebe rendimento mensal desse aluguel. Você está crescendo o seu patrimônio. Qual é o ideal? O ideal é você ir aumentando a proporção de ativos de não uso, de ativos de investimento. E aí você reduz a dependência de crédito e consumo, porque esses ativos geram renda para você. Você não precisa mais pegar crédito no banco. Esses ativos geram renda suficiente pro que você precisa. Então vamos ver. Tipo de ativo de uso, são utilizados no dia a dia, que não tem rendimento. Por exemplo, a casa que você mora, o seu carro. Você não tem rendimento com o seu carro. Pelo contrário, só tem despesas com seguro, com gasolina, com manutenção. Eletrodomésticos, é um bem que você usa, não gera receita. A liquidez é baixa, você usa, tem o desgaste. Se você for vender, você precisa reformar, não é tão fácil transformar em dinheiro. Mas os bens de não uso, ou também chamados de bens de investimento, são destinados para geração de renda. E aqui é interessante. Ou vai gerar uma valorização. Vamos pensar primeiro no imóvel alugado que você tem. O imóvel alugado gera renda e também se valoriza ao longo do tempo. Veja que interessante, você ganha de duas formas. Um fundo que você tem, pode ser um fundo imobiliário, que também gera rendimento mensal, pode se valorizar, ou um fundo que você comprou uma cota e a cota se valoriza no tempo. Ações, você pagou um preço, se valoriza no tempo. Se você vender lá na frente, você ganha a valorização. Então são investimentos. Aqui a liquidez é mais alta, de alta a média. Claro que depende. Fundos e ações têm uma liquidez alta, imóvel, a liquidez é média. O imóvel está alugado, se você quiser vender, tem que ver alguma questão de manutenção, demora um pouco mais, mas ele está mais apto à venda do que a casa que você mora. Então essa é a diferença dos ativos de uso e não uso. Como a gente falou, quanto mais você tiver em ativos de não uso, melhor, porque eles estão gerando rentabilidade e valorização.