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Taxas de juros e seus efeitos na economia

Transcrição

Vamos falar um pouco mais sobre as taxas de juros, dada a sua importância. A gente viu que a taxa Selic é a taxa básica de juros da economia. Quem define a meta da taxa Selic é o Copom, Comitê de Política Monetária, que se reúne a cada 45 dias, faz uma avaliação do cenário econômico e vai definir se vai manter, elevar ou reduzir. E a gente viu as implicações disso. Lembrando que o Copom está abaixo do Bacen. A taxa Selic vai ser a referência pra todas as demais taxas de mercado, por isso a sua importância. Então ela vai influenciar o custo do crédito. Se a taxa Selic aumenta, o custo do crédito é maior, as pessoas vão pagar mais juros, os bancos vão cobrar mais juros. Se ela reduz, o custo do crédito é menor. E, por outro lado, ela também impacta a rentabilidade dos investimentos. Aí é uma visão contrária. Pro investidor, a taxa Selic maior, é melhor, porque ele vai receber mais. Ele coloca seu dinheiro no banco, compra um CDB, a taxa de Selic maior, ele recebe mais rentabilidade. Se a taxa Selic diminuir, ele recebe menos rentabilidade. Então vejam de que lado a pessoa está. Pra crédito é uma coisa, pra investimento é outra. É aquela visão de superavitário e deficitário. Quando a Selic sobe, é o que a gente comentou, o crédito fica mais caro, a inflação tende a cair, porque crédito mais caro, menos pessoas tomam crédito, menor o consumo, menor o investimento, a inflação cai. Quando a taxa Selic cai, agora o contrário, a Selic menor, o consumo e o investimento aumentam, porque a taxa Selic menor vai ter mais crédito, as pessoas tomam mais crédito, consome mais porque está mais barato e as empresas investem mais porque o crédito está mais barato. Importantíssimo entender essa lógica. Nós temos a taxa DI, Depósito Interbancário. Vamos lembrar que nós falamos do CDI, Certificado de Depósito Interbancário, é o certificado que os bancos emitem quando eles emprestam um pro outro. De lá, vem a taxa DI. A taxa DI é a média dos juros que esses bancos cobram nessas transações. Lembra, ela é muito perto da Selic, então se a Selic está em 15%, aqui vai ser 14,99, 15,01, 15,02, muito próxima. E essa taxa DI, que vem do CDI, é a referência pra rentabilidade dos investimentos de renda fixa, CDBs, fundos DI. Então vamos lá. Um banco está oferecendo um CDB pós-fixado que paga 115% do CDI. O que é 115% do CDI? O CDI vai ser em torno de 15% e ele paga mais, ele paga 115% desse 15%. Veremos mais exemplos mais pra frente. Uma outra taxa, também muito utilizada no mercado financeiro, é a TR, Taxa Referencial. Ela é mais um índice de referência do que uma taxa de juros. Podemos até chamar de taxa de juros com alguma peculiaridade, ou a gente pode dizer que é um fator de atualização dos valores, porque o valor dela, o percentual, geralmente é baixo, às vezes fica até zero. Quando a taxa Selic é muito baixa, a TR fica zero. Então vai depender isso das condições econômicas. E onde a TR é utilizada? Ela é utilizada na caderneta de poupança, mais pra frente a gente vai entender como se dá o rendimento da poupança. Em alguma situação é a TR que atualiza a poupança. Nos financiamentos habitacionais, alguma correção das parcelas é feito pela TR e também como atualização do FGTS, que é o fundo que todo trabalhador tem, a atualização do FGTS é feito a partir da TR. E uma outra taxa é a TLP, Taxa de Longo Prazo. Ela vai acompanhar o custo do dinheiro no longo prazo. Normalmente, ela é utilizada como taxa de juros de empréstimos de longo prazo. Quando uma empresa contrata um crédito junto ao BNDES, que é um banco de desenvolvimento, o BNDES vai cobrar qual taxa? A Selic? Não, vai cobrar a taxa de longo prazo, porque ela é mais previsível, mais sustentável, ajuda a empresa a saber exatamente no longo prazo quando ela vai pagar. Então, financiamentos que são concedidos pelo BNDES e outros bancos de desenvolvimento, no Brasil, o principal é o BNDES, a taxa utilizada é a TLP, Taxa de Longo Prazo, ao invés dessas outras taxas que nós vimos agora há pouco.